A Guarda e o feriado do 9 de junho

Dizem-me da Guarda, da minha querida cidade, onde me desloquei a fazer a 4.ª classe e o exame de admissão ao liceu, onde fiz o liceu, tirei o curso do magistério Primário e fiz exames do 7.º ano, que a presença do PR na cidade levou ao encerramento das escolas e à formatura de crianças com camisolas iguais para ovacionarem o venerando chefe de Estado.

A mocidade portuguesa da Guarda foi de novo chamada a prestar vassalagem ao PR. Américo Tomás era diferente, porque nunca foi eleito democraticamente, mas a liturgia e os paramentos infantis pouco mudaram na coreografia pífia.

É o regresso manso ao passado que a falta de cultura democrática vai reintroduzindo.

Comentários

e-pá! disse…
As comemorações que terão lugar hoje na cidade da Guarda não são 'inocentes'.
As demandas políticas e sociais que incomodaram e perturbaram a rua e muitas figuras de Estado (como Miguel Relvas, Passos Coelho e o próprio Cavaco Silva) mostram como a indignação popular pode ser sequestrada pelo conservadorismo (até o mais fundamentalista).
Ontem, o PR referiu-se a um medo que seria necessário substituir pela esperança. Este o mote que ensombra as comemorações na Guarda.
O medo, de facto, arreigou-se no meio dos portugueses e as manifestações 'espontâneas' ocorridas são a expressão da grande tragédia que vivemos silenciosamente: o medo está porfiadamente a capturar a liberdade!
A única alteração visível, neste momento, sobre os pesadelos que infecta a sociedade parece mostrar que a única transformação estrutural é o Poder ter perdido o medo (da Lei). Os recentes 'incidentes constitucionais' mostram isso mesmo. E será também isso que, na obscuridade, o PR pretende comemorar na cidade da Guarda.

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