Balancete…

As recentes posições do Governo inglês sobre a UE não se confinam à divergência sobre a nomeação de Juncker para presidente da Comissão Europeia.
É curioso ter a noção de que a fissura recente no seio da União teve lugar em Dezembro de 2011 e levou então Cameron a afrontar Merkel vetando o que viria a denominar-se ‘Tratado Orçamental’. Alguns meses mais tarde esse tratado avançou deixando a Grã-Bretanha de fora (como esta desejava). 

Nessa complexa discussão uma das vozes críticas acerca da introdução de uma forma rígida de disciplina fiscal foi a de Jean-Claude Juncker. Declarou então: “Precisamos aprender a explicar que é necessário não apenas consolidar nossas finanças, mas contar com a perspectiva de crescimento".

Três anos volvidos é perfeitamente visível que o Tratado então em discussão não resolveu os problemas da Europa mas proporcionou manter e impor, a ferro e fogo, políticas de austeridade, nomeadamente aos países do Sul. Quanto ao crescimento estamos conversados. Economias prósperas como, por exemplo, a alemã resistiram embora com modestos índices de crescimento mas os problemas persistiram ou agravaram-se nos países ditos 'vulneráveis' (do Sul).

É esta a herança que o último Conselho Europeu teimou em continuar a ignorar e em que Passos Coelho se mostrou afadigado para tentar colocar um português na Comissão Europeia. 
Enquanto olharmos para o imediato esquecendo o essencial (a coesão política) temos entretenimento mas o 'afundanço' prossegue inexoravelmente.

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