O fascismo e a miséria



Finda a guerra de 1939/45, Salazar sentiu que a derrota dos amigos podia ser o fim dele. Mal imaginava que faltavam muitos anos para uma cadeira fazer o que o país devia.

O volfrâmio, vendido aos seus amigos alemães, fora pago em ouro roubado aos judeus e os cofres do Banco de Portugal guardavam centenas de toneladas do metal amarelo.

No entanto, o povo morria de fome. O velho seminarista era insensível. O racionamento prolongou-se por vários anos, quando já não era preciso ajudar o seu amigo Franco, o genocida cujos crimes foram abençoados pelo Vaticano e considerados como Cruzada pelo papa de turno.

Das privações do povo português ficam aqui, como prova, as senhas de racionamento que se mantiveram até depois da década de 40 do século que foi.  

Comentários

e-pá! disse…
Pelo que se pode ver o racionamento chegou à década de 50...
E o que se pode adivinhar é que com mais uns anitos de Troika, acopulados com o Governo Passos Coelho, lá chegaríamos de novo...
Na verdade, parte do período de racionamento, ocorrido na II Guerra Mundial, corresponde a saldos comerciais positivos (também uma 'bandeira' deste Governo).
Na altura, o incremento das exportações (que originou este saldo positivo) dependia do volfrâmio e das conservas de peixe. É de certo modo semelhante ao que acontece agora com os derivados refinados do petróleo.
Finalmente, uma outra situação comum: este tipo de saldo gera-se - agora ou há 70 anos - porque um povo lançado na miséria, reactivamente, evita as importações...
Manuel Galvão disse…
Durante 40 anos andaram a propagandear que um país se devia gerir como se de uma empresa se tratasse.

Agora que tiveram oportunidade de por essa ideia em prática, puseram.

Não podem ser acusados de incoerência...
e-pá! disse…
M. Galvão,

O problema não é gestão de uma empresa ou de um país, situações à partida diferentes.

A dificuldade comum (colectiva) é gerir profundas carências quer seja numa empresa ou num país. Ambas as situações - salvaguardadas as respectivas dimensões - requerem planeamentos estratégicos promotores de mudanças. É o que não temos nas empresas e no País.
E, por outro lado, os 'estímulos' (políticos, sociais e financeiros)não abundam.
De maneira que as oportunidades são fictícias e a coerência não passa de mais uma visão bastarda da política.
Uma pescadinha de rabo na boca...
E o pior, para esses canalhas, é que o dinheiro vindo dos nazis para pagar o volfrâmio, era em grande parte falso. Fabricado por um judeu, armazenado no campo de concentração de Oranienburg, a norte de Berlim.
O Botas calou-se para evitar o escândalo, e o papel foi paulatinamente retirado do mercado.
À custa do racionamento, versão mais realista dos ajustamentos de hoje. A lusa gesta gloriosa ameaça não ter fim.
Jorge Carvalheira:

O dinheiro falso é uma história de que pouco se fala.

Há estranhas cumplicidades que permanecem.
Manuel Galvão disse…
e-pá,
Não me parece que existe uma dificuldade coletiva para gerir as carências (do povo). O que há é uma visão distorcida das carências a superar.
Os cidadãos que ocupam lugares nos órgãos de soberania estão formatados para acorrer a resolver as carências dos grandes grupos económicos. Os planeamentos estratégicos por eles desenhados têm objetivos inconfessáveis para quem se auto intitula representante do povo.
As pessoas, os votantes, há muito se aperceberam do desvirtuar dos princípios da democracia parlamentar, e reagem não votando, não entrando neste jogo viciado.
Manuel Galvão disse…
Este comentário foi removido pelo autor.

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