Caso de enfermeiro abre polémica
(...)
Depois de a Presidência da República ter considerado inaceitável que alguém fosse processado por escrever uma carta, o conselho de administração do Hospital de São João anunciou que iria arquivar o processo disciplinar, na certeza de melhor servir os interesses do país", segundo um comunicado da unidade.
Algumas perguntas:
1 - Quem divulgou a carta?
2 - O processo disciplinar foi por causa da carta ou de eventuais calúnias que a mesma continha?
3 - A interferência do PR num processo disciplinar é legítima?
4 - Perante a ingerência do PR num processo disciplinar o Conselho de Administração e a Direcção do Serviço não deviam pedir a demissão dos cargos?
Depois de a Presidência da República ter considerado inaceitável que alguém fosse processado por escrever uma carta, o conselho de administração do Hospital de São João anunciou que iria arquivar o processo disciplinar, na certeza de melhor servir os interesses do país", segundo um comunicado da unidade.
Algumas perguntas:
1 - Quem divulgou a carta?
2 - O processo disciplinar foi por causa da carta ou de eventuais calúnias que a mesma continha?
3 - A interferência do PR num processo disciplinar é legítima?
4 - Perante a ingerência do PR num processo disciplinar o Conselho de Administração e a Direcção do Serviço não deviam pedir a demissão dos cargos?
Comentários
O problema não é quem divulgou a carta porque para além do PR (que pensoque era um dos destinatários, mas não o "destinatário exclusivo"), a CA do H.S.João e a directora do Serviço de ORL, provavelmente os Sindicatos de Enfermagem e, supeito que todos ou alguns grupos parlamentares...devem ter recebido cópias da carta.
Uma múltidão sabia. Bem, todos menos a Ministra da Saúde para onde o PR deveria ter encaminhado a carta do citado enfermeiro.
Todavia, a Ministra foi confrontada verbalmente e depois com um requerimento escrito, pelo dep. João Semedo do BE, solicitando informações que, até hoje, não obtiveram quaisquer respostas.
O BE, depois desta intervenção na Comissão Parlamentar de Saúde, deu conhecimento público do caso.
Não é líquido que o PR tenha chegado a intervir directamente no H. S. João, mas a sua advertência genérica, esta sim, pública, de que não concebia que um cidadão que se dirigisse ao PR fosse punido, levou, certamente, o CA do Hospital a "arrepiar caminho".
O CA do H. S. João usa metodologias de gestão que tem causado um crescente "mal-estar" entre os profissionais de saúde.
O "caso do enfermeiro de ORL" era mais uma escalada neste estilo de gestão.
Isto é, a intimidação.
Assim, depois de ter sido punido com uma transferência compulsiva o enfermeiro deveria comportar-se como muitos dirigentes autoritários esperam dos portugueses:
"Comes e calas-te"...
O facto de o enfermeiro prejudicado ter a "ousadia" de não se deixar intimidar e comunicar, por carta, a sua situação ao PR - e penso que a outras entidades - punha em causa a actuação do CA, desprestigiava-a e indiciava que os dirigentes hospitalares se aperceberam que tinham incorrido num abuso de poder.
O Dr. António Ferreira e o CA a que preside é pródigo em resolver os problemas internos com atitudes "musculadas" e pouco ortodoxas, muitas vezes atentatórias dos direitos dos trabalhadores da Instituição.
O CA do H.S.João não se demite. Tem múltiplas ambições - neste momento, p. exº., a criação de um "Hospital Pediátrico do Norte", com parcerias privadas - no minímo "estranhas" - e, segundo tudo se conhece, fora de qualquer projecto de planificação para a Saúde e no absoluto desrespeito pela Carta Hospitalar nacional.
Isto é, à revelia da Ministra da Saúde e do Plano nacional de Saúde.
E, apesar disso, ainda, não foi demitido!
Faz o que pode, mas nem sempre o que quer.
Talvez tenha oportunidade de voltar a este assunto de a comunicação social se interessar pelo caso e os seus contornos.
É na insistência e perseverança que se reconhecem os homens de carácter, ou melhor, de caracteres tipográficos.