G-8: A " Torre de Babel" dos nossos dias...

O G-8 reúne os chefes de governo ou os presidentes das potências económicas, políticas e militares mundiais: EUA, Rússia, Alemanha, Grã-Bretanha, Japão, França Canadá e Itália. A China, não esteve presente por problemas de estabilidade política interna.
É um tipo "concentrado", selectivo e elitista de “Governo Mundial”.
As suas decisões pretendem influenciar toda a Humanidade...
Por exemplo, como interpretar as decisões sobre as alterações climáticas?
Como pode o G-8 impor à China uma redução de > 50% das emissões de CO2, até 2050, quando é o Ocidente o principal responsável por quase 80% dessas emissões?
É nítido o excesso de poder de uma organização informal, criada à margem das estruturas democráticas e do Direito Internacional. Felizmente que a evolução político-social tende para o multilateralismo o que contraria o carácter hermético, tipo seita, do G-8.
Por outro lado, os "países emergentes", também, vieram perturbar a concentração de poderes e, hoje, será mais apropriado falar em G-20!
Em Aquilla (Itália) o G-8 demonstrou a sua crescente dificuldade em exercer esse “poder mundial”.
Não lhe interessava auto-críticas. É que os tempos de crise, que hoje vivemos, são uma consequência directa das políticas do grupo, neste momento reunido em Aquilla, foi promovendo ao longo de anos.
Berlusconi não foi capaz de construir uma agenda para esta reunião.
Supunham os analistas políticos que o centro das discussões fosse a crise económica.
Que se questionassem as medidas que, 2 anos após o desencadear da crise, entraram no campo da banalização.
Há necessidade de rever estratégias. O que não há é consenso para uma tarefa de tal dimensão.
Chacun se gouverne à sa mode...
Neste impasse - onde cada País tem os seus interesses e reina o desentendimento da linguagem como na figura bíblica da Torre de Babel - a discussão foi, então, desviada para as alterações climáticas. Pior emenda do que o soneto. Aí, é que existe um feroz confronto de interesses entre a contenção das medidas agravantes do aquecimento do Planeta e os Países que adoptaram desenvolvimento a todo o vapor., com tremendos custos ambientais.
Finalmente, discutiu-se a pobreza. Nada melhor do que desviar a atenção para África (nomeadamente a subsariana). O apoio ao desenvolvimento africano continua subsidiário do saque das matérias-primas, agora, incluindo o petróleo. Uma encapotada política neo-colonialista.
África tomou a América do Sul como exemplo e pretende, no seio da União Africana (UA), coordenar o seu desenvolvimento. O G-8 dá a sensação de ter chegado tarde. Convidou José Eduardo dos Santos porque é o transitório presidente da OPEP. Pretendiam fixar o preço do barril de petróleo entre os 70 e os 80 dólares. José Eduardo dos Santos não tinha capacidade de garantir qualquer preço. Uma coisa é ser um efémero presidente outra são os Centros de Decisão que estão mais a caminho do Oriente…
Ficamos, pois, a aguardar o comunicado final sublinhando o êxito da reunião.
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