Somália: o extremínio de um Estado...

Em 1991, Siad Barre, ditador em exercício na Somália é deposto.
Deixa o País à beira da anarquia e vai morrer, tranquilamente, 4 anos mais tarde, em Lagos, na Nigéria.

Após a sua deposição o País deixou de ter uma autoridade central ou regional, encontrava-se à beira de uma guerra civil e passou a ser governado pelos (vários) “senhores da guerra”. Estes, mergulharam a Somália num campo de batalha, onde não havia duas ou três facções políticas, mas, na verdade, “todos estavam contra todos”. Bastava ter um pequeno grupo de mercenários armados para iniciar uma nova “guerra” contra o que se afirmasse como poder.

A intervenção da ONU, através de missões de manutenção de Paz, foi de curta duração (terminaram em 95) e não resolveram nada. Continuaram, como estavam antes, todos os dramas: uma guerra civil generalizada, a seca, a fome, longas marchas de refugiados, uma inflação incontrolável que lançaram o País numa das piores crises humanitárias do Planeta.

A intervenção americana na Somália, ao lado de outras forças da ONU, na operação “Recuperar a Esperança” foi um rotundo fracasso. Os americanos, e o Mundo, não esquecem o dantesco espectáculo de 18 soldados americanos amarrados e arrastados pelas ruas de Mogadíscio, às ordens do rebelde “senhor da guerra” Farah Aidid.
Depois deste incidente Bill Clinton, então presidente dos EUA, retirou as tropas americanas do “corno de África” e deixou a Somália entregue a si própria, isto é, aos “senhores da guerra”.

Bem, primeiro, combateu o islamismo fundamentalista que, entretanto tinha tomado conta do País, facilitando a invasão de Somália por forças etíopes que acabaram por desalojar os muçulmanos do poder.
Ficaram por aí.
Isto é, derrotados os islâmicos, nada restou, para além da continuação, em surdina, de uma cruel guerra civil. Instalou-se o caos e não existe qualquer vestígio de Estado.

São os resquícios deste fundamentalismo islamita e de instáveis alianças com “senhores da guerra” que ainda persistem e combatem novamente pela posse de Mogadíscio que, acredito terem promovido o arrepiante crime da degola de 7 seres humanos. Ao que parece cristãos. Não havendo Estado os julgamentos são mais do que sumários. São farsas. Bastou acusá-los de “espiões”. Em guerra a espionagem é traição. E a traição é, para os combatentes, um “bom” motivo para a eliminação física de reais ou imaginários “inimigos”…
A “guerra” é, sempre, mortífera!

Sem autoridade central, regional e local, os somalis chegam à conclusão de que a pirataria é mais rendível do que a pesca.

É neste ponto que estamos perante a passividade do Mundo…

Comentários

As execuçoes são uma forma de controlar a população pelo medo e de obter os meios financeiros necessários.

Quando não há Estado não se cobram impostos, fazem-se extorções.
e-pá! disse…
CE:

A pirataria somali não é mais do que um método de extorsão para alimentar uma infindável guerra.

As execuções sumárias são, no Ocidente, uma consequência do mau funcionamento do Estado.
Na Somália, penso que são ... a guerra, num terreno anárquico.
E-Pá:

Para que não haja quezílias ortográficas devo declarar que se pode escrever «extorsão» e «extorção», embora a primeira seja mais frequente.

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