Momento de poesia


Dissertação sobre a festa de despedida de solteiras…


O espectáculo vai começar no tempo ordenado
pelas conveniências das novidades, que se regem
pelas leis gravitacionais.
As raparigas solteiras, que já não acreditam nas fantasias
das fadas de encantar - as fadas do lar já morreram todas,
depois de inventada a pílula do dia seguinte - guincham
de nervosismo e vão fazer bicha no lavabos, aos saltinhos,
como se ainda estivessem na idade de saltar à corda,
e com a membrana da virgindade intacta.
Rabiscam com o baton, no espelho embaciado, falos erectos
e corações de cupido, trespassados por setas, para que
a excitação fique na memória.
Acenderam-se as luzes e brilharam as lantejoulas do palco,
e o homem sexual articulado, envolto num halo cónico de
luz afrodisíaca, exibe a sua majestade de cobridor, olhando
aquela manada e passeando-se em passos lentos pelo
redondel.
Deixa-se retratar pela voracidade dos olhares oblíquos,
que esquadrinham as poses apolíneas, de sedução duvidosa.
Desgrenhando freneticamente os cabelos com as mãos,
excitadíssimas, elas querem vê-lo despido, tactear os músculos
desenhados em ginásios apocalípticos, com máquinas de tortura
de guerra a fazer saltar-lhes as veias grossas e azuis dos bíceps,
úteis para os arrebatadores abraços mortais.
E é aquela anatomia toda, oleada e escorregadia, que elas
levam para a masturbação da noite, pois já não sonham com
nenhum macho que lhes acalme a febre do sangue, a não ser
aquele actor, que levam nos dedos húmidos
para adormecer serenamente depois do êxtase dos orgasmos.

Lisboa, Dezembro de 2010

Alexandre de Castro

Comentários

ana disse…
As modas importadas são quase sempre estúpidas, mas esta, de tão ridícula, ultrapassa tudo. Ainda não vi explicação para este comportamento forçado das mulheres, que nada tem a ver com a sua natureza. Parece que o comportamento de 2 ou 3, que querem parecer modernaças, consegue influenciar todo o grupo. Enfim, há-de passar, como tudo o que não é verdadeiro.

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