Notas soltas: Novembro/2010
EUA – A derrota do Partido Democrático nas últimas eleições é péssimo sinal para Obama e para a esperança de mudança no imenso e poderoso país onde o fanatismo ressurge em épocas de crise como, aliás, acontece em qualquer parte do mundo.
Passos Coelho – Exigindo responsabilidade criminal para os responsáveis pelo maus resultados da economia do país, para que não continuem “a andar de espinha direita, como se não fosse nada com eles” revela imaturidade e ignora o funcionamento do Estado de Direito.
Paulo Portas – Condenado a ser um fato às riscas, com um ministro dentro, e só se o PSD precisar, esqueceu o passado pouco recomendável, para se pôr em bicos de pés a dizer quem quer para um Governo de coligação sem escrutínio eleitoral.
Birmânia – A realização de eleições, sem regras nem fiscalização, foi uma farsa vergonhosa a lembrar a manipulação a que Salazar sujeitou Portugal durante mais de quatro décadas. A boa notícia foi a libertação de Aung San Suu Kyi, a versão feminina de Nelson Mandela, na Ásia.
Espanha – A ingerência da Igreja católica na política interna do país, contra leis aprovadas para ampliar a esfera da liberdade pessoal relativa ao matrimónio, divórcio e aborto, atingiu as raias da provocação com a conduta papal da sua última visita.
Alemanha – A esmagadora vitória da chanceler Ângela Merkel no seu partido – CDU –, é uma má notícia para a Europa cuja coesão tem sido posta em risco com a falta de solidariedade e de visão política da líder alemã.
Noruega – O ministro dos Negócios Estrangeiros opôs-se à entrada de dinheiro da Arábia Saudita para edificação de mesquitas e respondeu ao Centro Islâmico Tawfiiq que seria «paradoxal e contra natura aceitar o financiamento vindo de um país que não aceita a liberdade religiosa». Um acto de dignidade e de elementar reciprocidade.
União Europeia – O mais arrojado projecto das últimas décadas não subsistirá aos egoísmos nacionais sem aprofundar a coesão financeira, económica, social e política. O projecto começado com a CEE foi motor de desenvolvimento e garantia da paz.
Eleições presidenciais – A falta de entusiasmo dos eleitores com o perfil pouco estimulante de qualquer candidato, favorece a recandidatura de quem exerceu o mandato de forma medíocre e teve um comportamento pouco abonatório.
Escutas – A frequência com que surgem na comunicação social transcrições que, sem relevância processual, ficam em processos judiciais e são usadas na luta partidária, revela a vileza de jornalistas, a incúria forense e suspeitas sobre espionagem política.
NATO – A reunião em Lisboa da mais poderosa organização militar traz à memória o apoio ao regime fascista de Salazar na manutenção da guerra colonial mas seria estultícia não lhe reconhecer hoje o papel de guarda-chuva que defende a Europa.
Rússia – A boa relação expressa por Dmitri Medvedev para com a NATO é a prova de que os inimigos de ontem caminham para se tornarem aliados contra inimigos comuns que se adivinham.
Paquistão – A condenação à forca de Asia Bibi, pela sua crença católica, prova a impotência do povo para impor a liberdade religiosa e impedir a demência teocrática, exposta em actos repulsivos que envergonham a humanidade.
SIDA – Foi muito aplaudido o súbito apoio do Papa ao uso do preservativo, revendo a obstinada posição contrária que tanto mal causou. Se mantivesse a orientação seria igualmente elogiado pelos devotos habituais, mas o efeito continuaria devastador.
Coreia do Norte – A tentação belicista dos ditadores hereditários é um risco para os coreanos e uma ameaça à paz. Os bombardeamentos à Coreia do Sul, a que não será alheia a sucessão de Kim Jong-Il, são um perigo que pode desencadear uma crise global.
Irão – O presidente Mahmoud Ahmadinejad, seis anos após a idade nupcial ter aumentado dos 9 para os 15 anos, para meninas, afirmou que a melhor idade para o casamento é dos 16 aos 18 para meninas e os rapazes devem fazê-lo entre os 19 e os 21. É o fim da pedofilia legal sem que falte carne para canhão na guerra com que sonha.
Irlanda – O país que a direita exibia como modelo acabou na falência, vítima da crise financeira, capaz de contagiar mais países, incluindo o nosso, com os coveiros responsáveis a apresentarem-se como salvadores.
Greve geral – Nunca uma greve foi tão justa e inglória. Em casa onde não há pão, todos ralham. A mobilização foi um sucesso mas, em vez de reforçar o movimento sindical, pode debilitá-lo, se os líderes errarem os próximos passos.
FMI – Será por acaso que, com excepção do caso flagrante da Irlanda, sejam os países com governos de centro-esquerda (Grécia, Portugal e Espanha) as vítimas da chantagem do sistema financeiro internacional? Há países com indicadores piores.
WikiLeaks – Para lá de saber-se quem paga e a quem serve, é justa a denúncia de crimes de espionagem, escutas ilegais e vigilância de líderes estrangeiros mas a devassa é perigosa para a vida de pessoas e o futuro das democracias, com telhados de vidro.
Submarinos – Sem falar dos subornos que os alemães apuraram e cujo destino está imerso nas águas do Justiça, a leviandade com que o governo Durão/Portas assinou os contratos deu origem ao escândalo do incumprimento das contrapartidas.
Brasil – A mega operação no morro do Alemão não eliminou os barões do crime e as máfias da droga mas infligiu uma derrota capaz de devolver a paz a favelas onde milhares de pobres procuram sobreviver honestamente.
Passos Coelho – Exigindo responsabilidade criminal para os responsáveis pelo maus resultados da economia do país, para que não continuem “a andar de espinha direita, como se não fosse nada com eles” revela imaturidade e ignora o funcionamento do Estado de Direito.
Paulo Portas – Condenado a ser um fato às riscas, com um ministro dentro, e só se o PSD precisar, esqueceu o passado pouco recomendável, para se pôr em bicos de pés a dizer quem quer para um Governo de coligação sem escrutínio eleitoral.
Birmânia – A realização de eleições, sem regras nem fiscalização, foi uma farsa vergonhosa a lembrar a manipulação a que Salazar sujeitou Portugal durante mais de quatro décadas. A boa notícia foi a libertação de Aung San Suu Kyi, a versão feminina de Nelson Mandela, na Ásia.
Espanha – A ingerência da Igreja católica na política interna do país, contra leis aprovadas para ampliar a esfera da liberdade pessoal relativa ao matrimónio, divórcio e aborto, atingiu as raias da provocação com a conduta papal da sua última visita.
Alemanha – A esmagadora vitória da chanceler Ângela Merkel no seu partido – CDU –, é uma má notícia para a Europa cuja coesão tem sido posta em risco com a falta de solidariedade e de visão política da líder alemã.
Noruega – O ministro dos Negócios Estrangeiros opôs-se à entrada de dinheiro da Arábia Saudita para edificação de mesquitas e respondeu ao Centro Islâmico Tawfiiq que seria «paradoxal e contra natura aceitar o financiamento vindo de um país que não aceita a liberdade religiosa». Um acto de dignidade e de elementar reciprocidade.
União Europeia – O mais arrojado projecto das últimas décadas não subsistirá aos egoísmos nacionais sem aprofundar a coesão financeira, económica, social e política. O projecto começado com a CEE foi motor de desenvolvimento e garantia da paz.
Eleições presidenciais – A falta de entusiasmo dos eleitores com o perfil pouco estimulante de qualquer candidato, favorece a recandidatura de quem exerceu o mandato de forma medíocre e teve um comportamento pouco abonatório.
Escutas – A frequência com que surgem na comunicação social transcrições que, sem relevância processual, ficam em processos judiciais e são usadas na luta partidária, revela a vileza de jornalistas, a incúria forense e suspeitas sobre espionagem política.
NATO – A reunião em Lisboa da mais poderosa organização militar traz à memória o apoio ao regime fascista de Salazar na manutenção da guerra colonial mas seria estultícia não lhe reconhecer hoje o papel de guarda-chuva que defende a Europa.
Rússia – A boa relação expressa por Dmitri Medvedev para com a NATO é a prova de que os inimigos de ontem caminham para se tornarem aliados contra inimigos comuns que se adivinham.
Paquistão – A condenação à forca de Asia Bibi, pela sua crença católica, prova a impotência do povo para impor a liberdade religiosa e impedir a demência teocrática, exposta em actos repulsivos que envergonham a humanidade.
SIDA – Foi muito aplaudido o súbito apoio do Papa ao uso do preservativo, revendo a obstinada posição contrária que tanto mal causou. Se mantivesse a orientação seria igualmente elogiado pelos devotos habituais, mas o efeito continuaria devastador.
Coreia do Norte – A tentação belicista dos ditadores hereditários é um risco para os coreanos e uma ameaça à paz. Os bombardeamentos à Coreia do Sul, a que não será alheia a sucessão de Kim Jong-Il, são um perigo que pode desencadear uma crise global.
Irão – O presidente Mahmoud Ahmadinejad, seis anos após a idade nupcial ter aumentado dos 9 para os 15 anos, para meninas, afirmou que a melhor idade para o casamento é dos 16 aos 18 para meninas e os rapazes devem fazê-lo entre os 19 e os 21. É o fim da pedofilia legal sem que falte carne para canhão na guerra com que sonha.
Irlanda – O país que a direita exibia como modelo acabou na falência, vítima da crise financeira, capaz de contagiar mais países, incluindo o nosso, com os coveiros responsáveis a apresentarem-se como salvadores.
Greve geral – Nunca uma greve foi tão justa e inglória. Em casa onde não há pão, todos ralham. A mobilização foi um sucesso mas, em vez de reforçar o movimento sindical, pode debilitá-lo, se os líderes errarem os próximos passos.
FMI – Será por acaso que, com excepção do caso flagrante da Irlanda, sejam os países com governos de centro-esquerda (Grécia, Portugal e Espanha) as vítimas da chantagem do sistema financeiro internacional? Há países com indicadores piores.
WikiLeaks – Para lá de saber-se quem paga e a quem serve, é justa a denúncia de crimes de espionagem, escutas ilegais e vigilância de líderes estrangeiros mas a devassa é perigosa para a vida de pessoas e o futuro das democracias, com telhados de vidro.
Submarinos – Sem falar dos subornos que os alemães apuraram e cujo destino está imerso nas águas do Justiça, a leviandade com que o governo Durão/Portas assinou os contratos deu origem ao escândalo do incumprimento das contrapartidas.
Brasil – A mega operação no morro do Alemão não eliminou os barões do crime e as máfias da droga mas infligiu uma derrota capaz de devolver a paz a favelas onde milhares de pobres procuram sobreviver honestamente.
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