Portugal e o Mundial de Futebol de 2018

A FIFA decidiu atribuir a realização do Campeonato do Mundo de Futebol de 2018 à RÚSSIA. mundial2018

Portugal, tendo organizado uma candidatura conjunta com Espanha, era, também, concorrente a esta realização que, no plano desportivo, tem uma dimensão gigantesca.
A exclusão de Portugal não é motivo de festejo, nem de contentamento. Quando disputamos posições no terreno internacional torcemos, naturalmente, pelo nosso País. Mas, quando concorremos sabemos que nem sempre a vitória nos sorri…
É a vida!

A nossa candidatura merece, à posteriori, alguns comentários que, já não são susceptíveis de perturbar a escolha do comité da FIFA que reuniu, hoje, em Zurique.

Começando pelo lado positivo, a candidatura conjunta na medida em visualizava o espaço ibérico no contexto desportivo, resulta de uma aproximação entre Portugal e Espanha que, no actual contexto mundial, tem especial significado. E não deve ser a circunstância de não termos sido os escolhidos que deve beliscar esta aproximação, numa altura, em que os Países periféricos da Europa necessitam de uma sólida solidariedade.

Por outro lado, será discutível, em termos económicos, uma umbilical relação entre a realização deste grande evento desportivo e mais valias em termos de desenvolvimento, nomeadamente, na animação de sector do turismo. Estes eventos são sempre apresentados como realizações sem custos, mas na prática, olhemos para o Europeu de 2004, pode não ser bem assim. Nunca os portugueses conheceram o real saldo de 2004.

A candidatura, nas circunstâncias em que nos encontramos [nós e a Espanha], continha alguns riscos que não temos necessidade de correr. Falo, por Portugal e em termos de mega-investimentos públicos que, sendo estruturantes para o nosso desenvolvimento, encontram-se, neste momento, em fase de hibernação, como, p. exº., o novo Aeroporto de Lisboa, a 3ª. travessia do Tejo, o TGV, etc, que poderiam “arrancar” – sob a pressão do programado evento - sem estarem resolvidos problemas financeiros e orçamentais que têm fustigado os portugueses em termos de uma dura política austeridade.

Finalmente, o "desfecho de Zurique" deve ter reflexos no futuro do futebol português induzindo [não exactamente por ter perdido mas pelo cúmulo de razões que todos discutimos no café] o arejamento das estruturas de topo e o incorporar de métodos de gestão [desportiva e não só] mais ágeis e transparentes.
Em termos de super-estrutura do futebol profissional português teremos chegado ao fim de um ciclo. E, na proximidade de tempo eleitoral, essa circunstância deve ser aproveitada para efectuar o render da guarda da actual equipa directiva da FPF, dirigida – há dezenas de anos - por Gilberto Madaíl...

Declaração de interesses: Sou um espectador passivo [televisivo] de futebol. Sem qualquer preferência clubística. Sou adepto, pura e simplesmente, de um bom espectáculo desportivo. Nunca escrevi sobre desporto.

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