Cavaco Silva e o 25 de Abril

O cidadão Cavaco Silva, que deve o que é à democracia, e aos equívocos dos eleitores, pode odiar a Revolução de Abril, ser salazarista, reacionário, inculto e boçal, mas o PR não pode.

O PR não pode trair a Constituição que jurou defender e o regime que representa, não pode conceder pensões a pides por relevantes serviços à Pátria e ignorar as torturas que os antifascistas sofreram às mãos dos mesmos torcionários, não pode parecer salazarista e manifestar ingratidão pelos benefícios que colheu.

Ao eleger a Fundação Champalimaud, benemérita instituição que um fascista assumido legou, para debater Abril, assume um equívoco em relação ao local e a suspeita quanto à formação democrática. A suspeita agrava-se por escolher, como data do debate, os dias 9 e 10 de maio. Pode ter-se enganado no mês como no número de cantos d’Os Lusíadas, mas não deixa de ser preocupante que o presidente de um país democrático se afaste do 25 de Abril para se aproximar do 28 de Maio.

Cresce, pois, o receio de ver o PR a falar de Abril como um muçulmano do toucinho.

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