Um Governo que faz o que é preciso

Manuel Linda, novo bispo das Forças Armadas e de Segurança, comandante supremo de todos os católicos fardados, de Terra, Mar e Ar, incluindo as forças policiais, toma posse do cargo no próximo dia 8, terça-feira.

Reformado como professor, levantou-se o problema legal de lhe pagar o vencimento de major-general, dificuldade resolvida com a nomeação suplementar de capelão-chefe da Igreja católica. Os efetivos militares podem ser reduzidos, mas os efetivos eclesiásticos têm o quadro preenchido.

O novo general vai comandar um corpo de oficiais cuja hierarquia termina em coronel no Exército, Aviação e GNR, capitão-de-mar-e guerra na Marinha e superintendente na PSP, corpo altamente treinado a disparar bênçãos e a converter mancebos nas recrutas.

A partir da próxima terça-feira podem carecer de combustível as viaturas militares mas não faltarão óleos para o crisma; pode faltar verba para reparações, mas sobrará a água benta para abendiçoar viaturas e armas de guerra; podem ser canceladas manobras, por falta de verbas, sem que as missas sofram restrições.

Há em Portugal uma concordância presumida sobre o Serviço Nacional da Fé, sem taxas moderadoras, o que se compreende para consultas do corpo e seria inaceitável para os cuidados da alma. É a lógica que preside à nomeação dos capelães hospitalares onde o médico pode faltar mas está o capelão, onde podem faltar fármacos mas existe a unção.

Nas prisões, na ausência dos mais devotos, como Duarte Lima ou Oliveira e Costa, não faltam capelães para absolver quem esfaqueou a tia, aviou um ourives ou assaltou um banco.

Nas escolas cortam-se aulas de inglês e reduzem-se professores por falta de verbas, mas resistem os docentes de Educação Moral e Religião Católica, nomeados pelos bispos e pagos pelo erário público, sem necessidade de concurso e com o tempo de serviço a ser acumulado para passarem à frente de colegas de outras disciplinas.

É tão lindo ser português aqui, sem instrução, saúde ou pensão, mas com assistência na preservação da alma, rumo ao Paraíso. Pode ser intolerável o presente, mas será radiosa a eternidade.

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