Momento zen de segunda_ 07_04_2014

João César das Neves (JCN) não é apenas um talibã à solta, no domínio da fé, é também o último almocreve do cavaquismo.

Na homilia desta segunda-feira não se meteu pelos terrenos da sexualidade onde é a voz mais jurássica do catolicismo romano, entrou nas apreciações das figuras da democracia e nos critérios para as catalogar. Trocou o aborto pela política, a missa pela análise da democracia, onde os seus ídolos, a começar em Cavaco, são da melhor cepa salazarista.

Intoxicado pelos retiros espirituais, com a coluna vergada pelas genuflexões e dorido o corpo de tanto rastejar, descobriu em Cavaco Silva a maior figura da democracia, salvo, se for considerada a longevidade governativa, a figura grotesca de Alberto João Jardim, sátrapa da Madeira, há 36 anos.

Para o ex-assessor de Cavaco, o tal que concedeu pensões aos pides, por relevantes serviços à Pátria, e a negou à viúva de Salgueiro Maia, o atual PR, ex-acionista da SLN, proprietário da Casa da Coelha, é a grande figura da democracia portuguesa.

Do seu devocionário não constam heróis de Abril, Salgueiro Maia, Vítor Alves, Otelo, Vasco Lourenço, Garcia dos Santos, Melo Antunes e tantos outros, só refere Soares como inicialmente útil à democracia e, depois, altamente prejudicial. Álvaro Cunhal e Costa Gomes apenas aparecem como tendo salvado Portugal da Guerra Civil. Mário Soares é o sabotador do Governo de Cavaco, aquele que descobriu sorrisos nas vacas dos Açores, achou nove cantos nos Lusíadas, atropela a gramática e se assustou com as eventuais escutas que falsamente deixou atribuir a Sócrates e vive refém de um governo nocivo e ilegítimo.

JCN não é um solípede à solta, um energúmeno inimputável, um caso de esquizofrenia, é um catedrático da madraça da Palma de Cima, conhecida por Universidade Católica, pelo que os dislates que debita são distúrbios de perceção a carecer de apoio clínico.

Comentários

e-pá! disse…
A Direita não abdica do propósito de reescrever - segundo a sua visão doutrinária - a História.

JCN disponibiliza-se (oferece-se ou foi-lhe encomendado) para contribuir na construção desse 'desígnio', esquecendo-se que não tem saber para elaborar uma versão que seja minimamente verossímil ou, se quisermos, 'historicamente sustentável'.
Ao lançar-se em tão melindrosa empresa embrulha-se nos meandros daquilo que mais repugna em qualquer enredo 'histórico': a bajulação do presente, dos detentores do poder, transformando acidentais personagens políticos em ícones 'veneráveis'.
Será a sua visão iconográfica do processo histórico, ditada por uma matriz religiosa, beata. Coloca os protagonistas - da sua eleição - numa galeria de 'heróis', ordenados por pias virtudes e catalogados como pertencessem a um 'relicário'. É a História submersa numa visão litúrgica.

Cavaco Silva, actual inquilino de Belém, surge aos olhos de JCN como sendo a reprodução viva da figura de 'um venerando chefe de Estado', uma efabulação insistentemente martelada durante o Estado Novo, para incensar o poder, colocando-o fora do alcance e do julgamento (escrutínio) dos cidadãos.

Independentemente da História que um dia será escrita, com a necessária isenção, distanciamento e rigor, ninguém ficaria espantado se as narrativas históricas futuras viessem a colocar Cavaco Silva o mesmo 'panteão' que, hoje, está reservado ao 'desditoso' almirante: uma tosca figura do 'anedotário nacional'.
E esta será a 'prateleira histórica' mais benéfica ou, se quisermos, mais caritativa, porque deste modo 'absolve-o' (na 'boa' tradição católica) de outros e venais 'pecados'...
septuagenário disse…
Invocar o nome de salazar em vão é contra os «mandamentos-das-leis-de-deus»

Depois de Afonso Costa, também um beirão, foi o único português a mandar um bispo para o degredo, e uns padres para traz das grades do convento, de bico calado.

Não está no ADN de um algarvio acreditar em Fátima.

Misturar, confunde!
Cá para mim, continuo a pensar que o Abominável César das Neves não existe, pois não me parece possível haver alguém que
diga tantas e tão substanciais asneiras.
Desconfio que ele é uma criação da Esquerda, uma espécie de caricatura de ideólogo da Direita, inventado apenas para ridicularizar esta.
Uma espécie de Conde de Abranhos, personagem inventado pelo Eça para ridicularizar o conservadorismo da época...

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