Gabriel García Márquez


A morte do consagrado autor de tantos livros que lemos e gravamos na nossa memória - “Ninguém escreve ao coronel”, “Memórias de um náufrago”, “O amor nos tempos de cólera” , “Cem anos de solidão”, etc. - não pode ser reduzida a um episódio acidental que passa incólume pelos recortes necrológicos ou, pior, circunscrito a elogios fúnebres de circunstância, produzidos por entidades políticas 'oficiais' que vivem em permanente divórcio com a cultura e, não poucas vezes, se terão sentido incomodadas pela escrita de “Gabo”.

Trata-se, efectivamente, de enorme perda para a Literatura universal e particularmente para a sul-americana onde figura como o 3º prémio Nobel [da Literatura] atribuído a um autor da ‘América Latina’, depois de 2 autores chilenos [Gabriela Mistral e Pablo Neruda] e que emparelha com uma notável geração de outros grandes autores desse continente entre os quais permito-me recordar Jorge Luis Borges e Jorge Amado [também já desaparecidos].  

Será esse histórico elo da latinidade e o pesado lastro da proximidade luso-hispânica que nos une culturalmente e nos torna próximos da América do Sul. O desaparecimento físico deste consagrado autor colombiano é muito doloroso para todos aqueles que, pelo Mundo fora, conheceram e gostaram de ler as diversas formas e as vastas nuances que o ‘realismo literário’ encerra. Mais do que um mestre do 'realismo mágico' foi um mágico protagonista do realismo, enquanto movimento artístico comprometido com as realidades políticas, económica, sociais e culturais dos povos.

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