Notas soltas: fevereiro/2014

Presidente da República – A robusta aliança com o Governo exigiu-lhe a promulgação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), fortemente lesiva dos interesses dos pensionistas, sem pedir a fiscalização preventiva da sua constitucionalidade.

Vítor Gaspar – O ex-ministro das Finanças, que admitiu o falhanço da sua política, foi nomeado diretor do Departamento de Assuntos Orçamentais de FMI. Ignora-se se foi o pagamento de serviços prestados ou a contratação de serviços a prestar.

Coreia do Norte  – A demência da dinastia Kim perdura no país onde se morre quando a fome aumenta e a ditadura quer, e donde se lançam os mísseis para provocar o mundo e intimidar o próprio povo.

Ucrânia – As manifestações contra um governo corrupto atearam exibições xenófobas e fascistas contra os russos da Crimeia. Putin avisou até onde consente a proximidade da Nato e ignorou a União Europeia. A experiência georgiana devia ter servido de vacina.

Polícias – O direito à manifestação é indiscutível, como compreensível é a sua revolta, mas é condenável que tenham derrubado as barreiras de proteção da AR e tentado subir as escadas que eles próprios seriam obrigados a impedir a outros.

PS – A chantagem a que é sujeito para salvar o Governo dos atropelos à Constituição e dos compromissos clandestinos com a troika, vem de Belém e não dispensa os rostos da direita que fizeram comissões de serviço no PS, como António Barreto ou Luís Amado.

11 de Março – Dez anos depois do ataque terrorista da Al-qaeda na estação ferroviária de Atocha, em Madrid, permanece o perigo dos facínoras fanatizados nas mesquitas e madraças europeias, edificadas contra a democracia e o livre-pensamento.

PR – O caso das falsas escutas de Sócrates ao PR, o mais grave atentado político contra um PM, perpetrado na sua Casa Civil, não foi bastante para afastar o assessor respetivo. Os dois que assinaram um manifesto, no uso da sua liberdade, foram logo demitidos.

Francisco – O papa mudou a imagem da Igreja católica no primeiro ano de pontificado. Não precisou de alterar nenhum dogma ou de embargar milagres, exorcismos e outros  anacronismos. Bastou-lhe sorrir, ser uma pessoa normal e cumprir o guião adequado.

Portugal – A política da troika fez recuar o PIB ao ano de 2000, o emprego ao de 1996, com 328 mil postos destruídos, para combater a dívida pública. Esta subiu, de 94% para 130% , mais 15% do que as previsões, são o orgulho deste Governo. Fonte: INE.

Venezuela – Quando a contestação aumenta e a violência é a réplica, o inimigo externo deixa de ser o fantasma que une um povo e acaba por ser o que o divide. A repressão foi a resposta do PR, que perdeu a cabeça e o senso, perante a cobiça externa do petróleo.

Roteiros – O preâmbulo do 6.º volume é o desolador aviso sobre o futuro que espera os portugueses, feito por quem tem culpas, enquanto o Governo promete a saída limpa de um programa que exagerou para destruir a classe média e empobrecer Portugal.

Manifesto dos 70 – A reflexão sobre a dívida, por personalidades de vários quadrantes, de Francisco Louçã e Carvalho da Silva a Ferreira Leite e Bagão Félix, só pecou por tardia, não se percebendo a crispação do Governo e do PR, responsáveis pela situação.

Big Bang – Foram detetados os primeiros ecos. Se o achado for validado, será oficial a teoria do Big Bang, provando que o universo, nascido há 14 mil milhões de anos, teve a expansão extremamente rápida na primeira fração de segundo. É o descrédito de velhas crenças.

José Medeiros Ferreira – Historiador, político, ministro e deputado, foi um indefetível europeísta, algumas vezes a deslisar para a direita, mas sempre de incontestável postura democrática. Paladino da liberdade, ficará como referência cívica, ética e intelectual.

Edite Estrela – Recebeu em Bruxelas o prémio de melhor parlamentar europeia na área do Emprego e Assuntos Sociais, comissão que integra. Há quem só se bata por cargos e quem defenda valores. A eurodeputada do PS merece o prémio e as felicitações.

Eleições Europeias – Só uma derrota humilhante dos partidos do Governo pode tornar indefensável a continuidade deste Governo cuja agenda ultraliberal conduziu o País da pior maneira, no pior período, com o entusiasmo e a parcialidade do PR.

Espanha – A enorme manifestação, em Madrid, contra as medidas de austeridade, não foi apenas um sinal contra o Governo que se atolou em escândalos e na subserviência à Igreja. Foi um severo aviso e a condenação firme da política da troika.

Adolfo Soárez – Faleceu o obreiro da transição pacífica da cruel e sanguinária ditadura de Francisco Franco. Ao enfrentar a ameaça das balas, de pé, no parlamento espanhol, na tentativa de golpe fascista, consolidou a democracia e ganhou um lugar na História.

Durão Barroso – O mordomo da cimeira da invasão do Iraque, europeu pró-americano, com passaporte português, fez da Comissão Europeia uma repartição alemã, sem honra, pudor ou rasgo. Ao aventar um PR comum ao PSD, PS e CDS, infamou a democracia.


Turquia – O despotismo, corrupção e censura de Erdogan resultaram da decapitação de setores laicos das Forças Armadas e da magistratura, com a conivência das democracias que o dizem “muçulmano moderado”.  Alá deu-lhe a vitória nas eleições municipais.

Comentários

e-pá! disse…
O manifesto dos 70 (ou 74) não tendo tido a aceitação que merecia acabou por revelar muito do que vinha (está) a ser escondido. Foi provavelmente o facto político mais relevante ocorrido no mês de Março e parece não querer morrer pelo dealbar da Primavera.
Será o primeiro documento sério e 'estruturante' que aborda com realismo o 'período pós-troika'. Um período que a Direita quer transformar numa oportunidade expansionista das suas políticas e continuar a gerir como sendo um seu feudo.

Uma coisa é certa: a Direita conhece as máquinas de calcular e as folhas de Excel. Por isso também sabe que a dívida pública tem de ser 'reestruturada' ou 'renegociada'.
Esta não é uma questão semântica mas a porta do diálogo que vem insistentemente exigindo ao PS e rejeita liminarmente em questões transversais ao país, como seja a criação de bases que possibilitem o desenvolvimento muito mais 'estruturantes' e 'concertantes'. O manifesto veio expor a falsa vontade de dialogar da Direita.

A 'reestruturação' da dívida não é também o apelo ao 'incumprimento encapotado' ou ao 'perdão' (parcial). E a Direita sabe isso mas não quer discutir nesse terreno (da transparência).
A Direita sabe que o 'manifesto' trata da adequação do serviço da dívida com o desenvolvimento. A Direita, no poder (cá e na Europa), sabe-o - por chegou a essa conclusão ou porque já lho devem ter dito nos areópagos internacionais - mas preferiria ser a patrona da ideia e a 'gestora' de oportunidades.
E nesse sentido pretende colocar os subscritores do manifesto como um grupo de personalidades que 'tem razão antes do tempo'. Todos sabemos como, em política, essa atitude pode ter custos. Nomeadamente, custos eleitorais.

É isso que a clique dos 'que se lixem as eleições' anda a tramar.
Mais uma vez os interesses do país estão hipotecados às estratégias partidárias e submersos aos timings especulativos do capital financeiro (para quem o tempo parece jogar a favor).

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