Escaramuças pias

Divórcio abre nova guerra entre maioria PS e Igreja

Bispo porta-voz da hierarquia fala em projectos "facilitistas"

Está à vista um novo conflito entre a Igreja Católica e a maioria socialista. Depois da despenalização do aborto, agora será a vez do divórcio.

É surpreendente que uma instituição que se opõe à interrupção voluntária do celibato dos seus membros se esforce por impedir a interrupção voluntária do matrimónio aos crentes, descrentes e crentes de outras religiões.

Comentários

CA disse…
CE

Neste caso do divórcio o que é espantoso é que se torna mais fácil divorciarmo-nos da pessoa com quem estamos casados há 20 anos do que despedir um funcionário contratado há 3 ou 4 anos. Isto significa apenas que o estado deixa de reconhecer ao casamento qualquer valor.

Outra leitura pode ser feita do ponto de vista político. O casamento não era uma questão política com que os portugueses se preocupassem. O governo quer agora copiar a lei espanhola, eventualmente indo ainda mais longe. Parace-me que há duas explicações: ou Sócrates tem uma necessidade básica de imitar Zapatero ou está a querer criar diversões (como no caso quase cómico dos piercings) para não se ver o desastre da política do governo na saúde e na educação (que deviam, essas sim, ser as áreas de excelência de um verdadeiro governo de esquerda).
Anónimo disse…
O casamento é um contrato a termo incerto que exige a vontade de dois.

Obrigar a manter um vínculo jurídico e impedir de refazer a vida a quem já não consegue suportar o/a companheiro/a é um caso de sadismo.

Eu sou do tempo em que o divórcio era proibido. E lembro-me, por causa disso, dos vexames de Sá Carneiro por não poder casar com a Snu Abecasis - uma grande mulher.
CA disse…
CE

"O casamento é um contrato a termo incerto que exige a vontade de dois."

Qualquer neo-liberal diz o mesmo de um contrato de trabalho ou de arrendamento.

Quem não quer assumir os riscos de um compromisso a dois tem muito bom caminho: junte-se sem se casar.

Assim o que se quer é apenas esvaziar o casamento, que não passa rá de uma união de facto.
Anónimo disse…
ca:

Não tenho, de facto, o casamento na conta de um sacramento.

Mas conheci casos de violência doméstica que conduziram à morte, sem que o Estado permitisse o divórcio.

A maior facilidade no divórcio não obriga ninguém a divorciar-se mas a inversa é fonte de sofrimento e angústia.

Eu nunca passei por um divórcio mas com que legitimidade devo impor aos outros a manutenção de uma situação que rejeitam?
Anónimo disse…
Mas quando é que este maricas trata de parar de imitar o zapatero?

Aquele ja esta a conduzir a Espanha a ruina depois a anos de prosperidade..mas com isso podemos nós bem...

Primeiro os impostos a quem se quer casar..agora parece que quer destruir o conceito de família..mas será que alguem é obrigado a casar?
Onde é que isto vai parar?
Umtiovelho disse…
Se a igrejaa católica acha que os seus membros não se devem divorciar, o problema é deles. Ninguém tem nada a ver com isso.
Mas que deixem os outros em paz.
Os que consideram que a igreja católica se deve intrometer nas leis do país, também deviam dar oportunidade às outras crenças para se pronunciar.
Como somos um país constitucionalmemte laico, as igrejas que não se metam na vida dos cidadãos
Anónimo disse…
"Qualquer neo-liberal diz o mesmo de um contrato de trabalho ou de arrendamento.

Quem não quer assumir os riscos de um compromisso a dois tem muito bom caminho: junte-se sem se casar.

Assim o que se quer é apenas esvaziar o casamento, que não passa já de uma união de facto."

O ca, disse tudo, na realidade qual é a diferença entre casamento e "união de facto" ? Quase nada.
ana disse…
"Primeiro os impostos a quem se quer casar..agora parece que quer destruir o conceito de família..mas será que alguem é obrigado a casar?
Onde é que isto vai parar?

Sáb Mar 29, 07:19:00 PM"

Anónimo, mesmo que leia só o Correio da Manhã, não é caso para estar tão mal informado.
ana disse…
A ICAR mete-se em tudo e opina sobre tudo, principalmente sobre aquilo que desconhece.Não permite que os seus membros se casem mas acha-se com autoridade para opinar sobre casamento, aborto, divórcio.Não se limita a impor as leis aos seus membros, exige que todos as sigam. Ninguém é obrigado a casar, nem a abortar, nem a divorciar-se. Mas também não se deve impedir aqueles que o querem, de o fazer.Além de que as discussões sobre casamento e união de facto fazem cada vez menos sentido. As diferenças são poucas e mais técnicas do que de ordem moral.
Anónimo disse…
Esta mulher do Carlos Esperança é uma papagaia só diz o que ele quer ouvir!!!

Acho bem senão, como diz o outro: "quem se meter com o PS leva"

Vá Aninha, vá lá tomar o seu cafézinho na esplanada do Myflower (Mas tenha cuidado, pois essa é uma atitude de capitalista)
Jorge Santos disse…
Não vai haver nova guerra entre o este governo e a igreja.
Isso é obvio.
O PS rejeitou a proposta do BE para acabar com o divórcio litigioso.
CA disse…
CE

"Não tenho, de facto, o casamento na conta de um sacramento."

Nem a questão do sacramento tem a ver com o tema em discussão. O casamento é um contrato regulado pelo estado. Em questões como o contrato de trabalho ou de arrendamento o estado não permite que uma das partes rompa unilateralmente o contrato conforme lhe apetecer. No casamento já se acha isso normal.

"Mas conheci casos de violência doméstica que conduziram à morte, sem que o Estado permitisse o divórcio."

Como não me passa pela cabeça que o CE não saiba que a lei actual permite, através do divórcio litigioso, resolver essa situação, não percebo porque é que vem referir esses casos para justificar uma alteração da legislação.

"A maior facilidade no divórcio não obriga ninguém a divorciar-se mas a inversa é fonte de sofrimento e angústia."

A alteração sugerida só se aplica aos casos em que alguém quer o divórcio e o cônjuge, ser ter faltado aos compromissos do casamento, não quer. Ora este cônjuge também pode sentir que a ruptura unilateral é uma fonte de sofrimento e angústia.

"Eu nunca passei por um divórcio mas com que legitimidade devo impor aos outros a manutenção de uma situação que rejeitam?"

Já pensou no que está a impor ao cônjuge que não quer o divórcio?
CA disse…
"Como somos um país constitucionalmemte laico, as igrejas que não se metam na vida dos cidadãos"

Então o laicismo implica limitar a liberdade de expressão?
Anónimo disse…
ca:

Num divórcio há sempre um ferido, pelo menos.

Se pudermos evitar que sejam mais, já há algum ganho.

Preocupam-me mais os filhos mas não há remédio quando um dos progenitores insiste no divórcio.

Para quê prolongar o sofrimento de todos?
CA disse…
"A ICAR mete-se em tudo e opina sobre tudo, principalmente sobre aquilo que desconhece. Não permite que os seus membros se casem mas acha-se com autoridade para opinar sobre casamento, aborto, divórcio."

A ICAR não é só a hierarquia mas sim o conjunti de todos os fiéis. E uma enorme parte é casada.

"Ninguém é obrigado a casar, nem a abortar, nem a divorciar-se. Mas também não se deve impedir aqueles que o querem, de o fazer."

O aborto não vem a propósito. Nonguém é obrigado a matar ninguém: por isso também não devemos impedir que os assassinos possam assassinar à vontade?

"Além de que as discussões sobre casamento e união de facto fazem cada vez menos sentido. As diferenças são poucas e mais técnicas do que de ordem moral."

A Ana acaba de mostrar a contradição: ao desvalorizar o casamento e equipará-lo à união de facto (figura já existente) impede-se que aqueles que querem realmente casar o possam fazer com o reconhecimento do Estado. No fundo o Estado recusa-se a reconhecer o casamento como um contrato civil com direitos e deveres e limita a liberdade de escolha de um casal quanto à forma legal de viver a sua relação.
CA disse…
CE

"Num divórcio há sempre um ferido, pelo menos. Se pudermos evitar que sejam mais, já há algum ganho."

A alteração proposta não evita feridos. Apenas esvazia o casamento. Aliás o seu argumento poderia ser aplicado a outros tipos de contrato como o de trabalho ou de arrendamento.

No fundo o que o PS está a dizer é que acha que as pessoas são tão infantis que quando se comprometem a partilhar a sua vida com outra não sabem bem o que estão a fazer.

"Preocupam-me mais os filhos mas não há remédio quando um dos progenitores insiste no divórcio."

Quando um casamento está disfuncional o divórcio pode mesmo ser o melhor para os filhos.

"Para quê prolongar o sofrimento de todos?"

Haveria ainda menos sofrimento se o Estado deixasse de reconhecer qualquer contrato entre cidadãos?
Anónimo disse…
CA:

Quem compara o casamento a um acordo laboral arrisca-se a considerar os filhos como tarefas profissionais.

Esgotei os argumentos.

Só não percebo o que leva as pessoas a quererem condicionar as opções dos outros pelos seus valores.
CA disse…
"Quem compara o casamento a um acordo laboral arrisca-se a considerar os filhos como tarefas profissionais."

Quem pensa que o casamento tem menos valor que um contrato de trabalho arrisca-se a considerar os filhos menos importantes do que as tarefas profissionais.

"Esgotei os argumentos."

Não me espanta porque está a tentar defender uma posição que não tem grande sentido.

"Só não percebo o que leva as pessoas a quererem condicionar as opções dos outros pelos seus valores."

Exactamente. Já existindo a possibilidade de haver uniões de facto (em que se pode entrara e sair sem compromissos), porquê insistir em querer desvalorizar o casamento tradicional?
Anónimo disse…
Afinal quais são os comentadores casados, deste blogue ?

Provávelmente são todos e pela igreja.

Divorciados, nem vê-los.
Anónimo disse…
O Esperança não é casado ele é "amacebado"...

eheheheh

Quando ele fez a tropa existia no quartel um furriel que se queria casar com ele!!! Pois, disso vocês não sabem !!!!
ana disse…
"A Ana acaba de mostrar a contradição: ao desvalorizar o casamento e equipará-lo à união de facto (figura já existente) impede-se que aqueles que querem realmente casar o possam fazer com o reconhecimento do Estado. No fundo o Estado recusa-se a reconhecer o casamento como um contrato civil com direitos e deveres e limita a liberdade de escolha de um casal quanto à forma legal de viver a sua relação.

Dom Mar 30, 02:14:00 AM"

Não concordo. Não vejo como é que a alteração proposta pode impedir alguém de escolher a forma legal de viver a sua relação.Quem quer estar casado, pode sempre fazê-lo.O problema aqui é um dos membros do casal obrigar o outro a não se divorciar.

"Já pensou no que está a impor ao cônjuge que não quer o divórcio?

Dom Mar 30, 12:43:00 AM"

Qual é a vantagem de viver com alguém que não nos quer?
CA disse…
Ana

"Não vejo como é que a alteração proposta pode impedir alguém de escolher a forma legal de viver a sua relação.Quem quer estar casado, pode sempre fazê-lo."

Mas se o que significa "estar casado" for radicalmente alterado, então isso corresponde a eliminar uma opção. Ora o que agora se quer impor é um conteúdo para o casamento que corresponde antes à união de facto. No fundo deixa de existir um compromisso para passar a existir apenas a cosntatação de um facto.

"O problema aqui é um dos membros do casal obrigar o outro a não se divorciar."

Mas é isso que implica um compromisso. Se um contrato é algo que posso revogar trivialmente, sem qualquer dificuldade ou penalização, então não é um compromisso.

"Qual é a vantagem de viver com alguém que não nos quer?"

Isso compete a quem se casou decidir perante a sua realidade. Desde questões patrimoniais até ajudar a evitar que alguém mais volúvel tome decisões precipitadas, passando pelo facto de um compromisso sério (que não pode ser quebrado unilateralmente) levar em geral as pessoas a não serem tão levianas ao assumi-lo, ocorrem-me várias razões para que o divórcio não possa ser decidido unilateralmente (salvo violação dos deveres conjugais, o que já existe na lei).

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