Novo impasse no Médio Oriente...


Depois dos recentes distúrbios na “Esplanada das Mesquitas” a recente deslocação da Secretária de Estado Hillary Clinton a Israel foi, para sermos realistas, o começo do fim do processo de paz que Obama tinha projectado no Médio Oriente.

A posição de Obama que, na campanha eleitoral, defendeu o fim da construção dos colonatos judeus na Cisjordânia, passando por uma suspensão desses colonatos, até a actual posição da sua Secretária de Estado que devem prosseguir as negociações apesar da continuação da construção de colonatos…

Mahmoud Abbas, transmitiu sábado a Hillary a sua rejeição em voltar às conversações de paz até ao fim total da ampliação dos colonatos judaicos na Cisjordânia.

Pelos acordos internacionais a Cisjordânia integra o Estado Palestino. Mas é Israel que ocupando esta região decide sobre a ampliação da construção de colonatos judeus.
Uma sofisticada forma de consolidação de posições no terreno. Cerca de 300.000 israelitas vivem nos colonatos da Cisjordânia e perto de outros 200.000 na parte oriental de Jerusalém, conquistada e anexada em 1967.
A comunidade internacional nunca reconheceu as anexações e considera todos os colonatos ilegais.

Hoje, na Palestina – ou naquilo que vai restando da Palestina – a recente atitude da Administração Obama é uma enorme decepção.
Ora, não há novos processos de paz baseados em decepções políticas, nem na impotência de uma Administração americana em fazer cumprir as resoluções definidas nos organismos internacionais.

Muitos de nós consideramos a questão israelo-palestina como étnica, ou mesmo, religiosa. Na realidade, é uma questão eminentemente nacional, o que é completamente diferente. Nasceu de um problema criado na Europa no século XIX e não no Médio Oriente.

A anuência de Abbas em reconhecer os Estado de Israel não resolve per si qualquer problema no Médio Oriente.
Existem factores objectivos como a política expansionista israelita baseada na segurança mas ideologicamente sionista e factores subjectivos que não passam de percepções equivocadas sobre a coexistência pacífica , lado a lado, de dois Estados, onde num (Palestina) se verificou uma intensiva e sistemática espoliação territorial e que pretende salvar a face e que tenha o quantitativo territorial em hectares suficiente que possibilite fundar uma pátria (não virtual) e albergar a nação palestina.

Quando Hillary Clinton propõe que, apesar da implantação de novos colonatos, prossigam as negociações de paz, está a espezinhar a dignidade dos palestinos.

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