Cavaco Silva - o sedentário silencioso


Longe vão os tempos em que o PR se insurgia contra o Governo e a AR, com raiva ao líder do primeiro e fúria contra as decisões da última. O discurso da tomada de posse do último mandato foi uma manifestação de ressentimento contra o PM e as declarações sobre o Estatuto dos Açores uma colérica ostentação de azedume contra a unanimidade da decisão parlamentar. Foram os momentos mais altos da sua mais baixa intervenção.

Eram tempos em que Cavaco tinha da colaboração institucional e respeito pelos outros órgãos da soberania, um particular entendimento. Depois dos maus momentos da casa da Coelha e do caso das escutas, esperava-se do PR o cumprimento mínimo das funções e uma atitude de solidariedade para com o povo sofre.

Logo que a exiguidade das pensões que recebe, somadas ao subsídio de representação presidencial, passaram a ser exíguas para os encargos, tornou-se lacónico e sedentário.

Afastou-se do Faceboock, desinteressou-se do desemprego, da emigração dos jovens, da raiva que cresce, das malfeitorias do Governo, da boçalidade dos banqueiros, da miséria que grassa e da revolta que sai à rua.

Apareceu na tomada de posse dos ajudantes de ministros e na abertura do ano judicial com o mesmo ar dos gatos-pingados que acompanham as cerimónias fúnebres. Por este andar vai acabar por transformar o Palácio de Belém no sarcófago dourado de um morto-vivo.

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