Um ‘relvítico’ folclore…

Miguel Relvas andou uns tempos foragido da praça pública para tentar fazer esquecer as charadas pessoais e dissimular que ainda pertence a um Governo que está a conduzir este País para uma anunciada catástrofe.
Resolveu ‘ressuscitar’ no final de um conselho de ministros para comentar duas desastrosas situações que tinham sido reveladas pelo INE: a taxa de desemprego atingiu o histórico ‘pico’ de 16,9% e a economia portuguesa continua a cair acima do estimado verificando-se em 2012 um ‘recuo’ de -3,2% link.

Eis senão quando, muitos portugueses atingidos por uma incrédula estupefacção e cilindrados pela eminência do desastre, ouviram este abstruso espécime apregoar que “todos os objectivos definidos pelo Governo para 2012 foram alcançados"… link
Não merece a pena digladiar argumentos contra tamanho dislate. A evidência de vida e os dolorosos resultados, acabam invariavelmente por ‘despir’ os inveterados amadores de retóricas fáceis e populistas, transformando-os naquilo que efectivamente são: pantomineiros em trânsito pela (na) política.

Na verdade, a caracterização do 'estado da Nação' começa a ser muito linear quando confrontada com ‘objectivos reais': a situação económico-social a um passo do descalabro e a política à beira de um oportunismo indigente.
Os [ainda] ‘crentes’ nas soluções corporizadas por esta clique que insiste em nos governar (‘ajustar’ dizem eles) são quantitativamente menos e, por outro lado, qualitativamente mais titubeantes, menos convictos. 

O País – por enquanto – encolhe-se, está paralisado, desnorteado e temeroso perante a eminência da catástrofe que inexoravelmente se anuncia. A situação económico-social está a um passo do descalabro e não se vislumbram soluções políticas (nacionais e/ou europeias).
Mas como nos vamos habituando, no meio das hecatombes, aparece sempre alguma avantesma que anuncia ‘vitórias’, um pouco ao estilo do patético ex-ministro da informação do regime de Saddam Hussein. Estes andarilhos da política não devem ser tomados (esta a palavra!)por ‘optimistas’ (inconscientes ou mal informados) porque, na verdade, são 'outra coisa'. Trata-se de um vicioso e insuportável tipo de charlatanismo. Pior, padecem de uma grave doença: o ‘autismo político’ (salvaguardado o respeito que me merece a situação dos doentes autistas).
Nesse mesmo bate-papo, em final de tarde, depois de um plenário de ministros que “não esteve particularmente virado para os dados económicos” (Marques Guedes dixit link) os jornalistas presentes na sala estenderam-lhe uma capciosa armadilha questionando-o sobre as palavras do ex-secretário de Estado da Cultura (relativa às multas pela não exigência de facturas) e o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, sempre lesto a perorar sobre qualquer coisa disse não ter tido oportunidade de ler as críticas de Francisco José Viegas, mas sublinhou que respeita "qualquer e todas as opiniões que são assumidas”. link. Um autêntica ‘arara’ (mal amestrada).
Não supôs Miguel Relvas que o ex-Secretário de Estado Viegas poderia ter usado a expressão ‘tomar no culink com outras (segundas) intenções?
Na verdade, no português corriqueiro usa-se levar, ou apanhar, no dito. A expressão ‘tomar’ para além de ser um evidente recurso a um fácil brasileirismo poderá ser 'tomada' como uma vaga referência à cidade onde Relvas se iniciou na mirabolante carreira política e onde foi presidente da Região de Turismo dos Templários e da Assembleia-Geral da Associação de Folclore da Região de Turismo dos Templários. Deste modo, Relvas poderá ter sido submetido a um episódio da ‘praxe de gozo’ (na gíria coimbrã), tendo gratuitamente oferecido (ao País) um espectáculo de ‘relvítico’ folclore…

Comentários

Depois de Francisco José Viegas ter ameaçado o fisco de o mandar «tomar», em vez de «levar», em reentrância recôndita, já não sei se devo perguntar a certos caras de cu, quando estão a beber um refresco por uma palhinha, se estão a apanhar uma bebida ou a tomar um clister.
Mano 69 disse…
Isso quer dizer que não gosta de caipirinhas, não é?

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