Um enigma pouco ‘recomendável’…

Nas jornadas do PSD dedicadas à "consolidação, crescimento e coesão” coube a vez a Vítor Gaspar falar sobre um tema onde a sua acção política tem sido verdadeiramente desastrosa. Era de supor que para justificar-se perante os insucessos em catadupa, (consolidação orçamental, endividamento, recessão, desemprego, etc.), o ministro apresentasse complexas justificações técnicas sobre os mercados e rebuscadas análises (hiper)valorativas dos efeitos da recessão europeia sobre o nosso País. Não tendo a noção dos seus limites lançou, na referida reunião, para o auditório uma proposta aparentemente ‘revolucionária’. Propôs: "alterações profundas do sistema político" (no período pós troika) link.
E mais não adiantou. Trata-se de uma devastadora 'bomba política' que foi tratada displiscentemente pelos partidos, comunicação social e foruns de debate cívico.
Estas reuniões entre membros do Governo e militantes do principal partido que o suporta na AR destinam-se a ‘justificar’ a celerada ‘Reforma do Estado’. Ora, para os portugueses a tal reforma do Estado não passa de um corte de 4.000 milhões de euros no Estado Social e nas funções de soberania, que ameaçam a nossa sobrevivência (por mais malabarismos que se teçam à volta deste assunto), mas o que ontem o ministro adiantou foi muito mais além e de um modo extremamente gravoso em termos democráticos, já que e tratou de uma 'facada' no regime.
Alterações profundas do sistema político” não são questões de ‘lana caprina’. A proposta é, nem mais nem menos, de alteração do regime.

Duas interpretações são possíveis:
Uma, a de menor malignidade, o ministro sente que não tem espaço constitucional para desenvolver as suas experiências neoliberais e necessita de ‘preparar’ uma ‘revisão da Lei Fundamental’ o que, no actual contexto, é uma pura utopia.
A outra, intolerável, o ministro está a defender a necessidade de um ’golpe de Estado constitucional’ para promover em toda a plenitude sua política do ‘ajustamento’ sob o lema do famigerado ‘custe o que custar’…

Não existiram explicações concretas sobre esta inusitada proposta mas conhecendo o pragmático percurso governativo deste ministro é legitimo suspeitar que o que estava inerente à proposta era a segunda hipótese.
Um motivo mais do que suficiente para provocar a imediata exoneração deste ministro. Se acaso existisse, neste País, um Presidente da República atento e determinado a ser o garante da Constituição.

Comentários

É a isto que os traidores chamam a «refundação do Estado». Sujos, porcos e maus.
É isso mesmo! Inteiramente de acordo com o post e com o comentário de CE.

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