Repondo as ‘poupanças’ no seu devido lugar…

Carlos Moedas, ontem, à saída do Conselho de Ministros afirmou : – “Temos de conseguir preparar, para a sétima avaliação, um número de medidas e de opções que nos permitam poupar (…) e é nesse sentido que estamos a trabalhar, com todos os Ministérios, com todos os senhores ministros, com todas as equipas e vamos continuar a trabalhar para conseguir chegar com empenho ao que todos sabemos que está no memorando de entendimento, que é uma poupança de quatro mil milhões de euros”. link

A partir deste novo propósito convêm recordar o percurso daquilo que Moedas está a falar. Primeiro o Governo falou da ‘renegociação do memorando’, depois da ‘refundação do memorando’, de seguida corrigiu o tiro e afinal era a ‘refundação do Estado’, para mais tarde ser a ‘Reforma do Estado’, logo explicitado como sendo o ‘Estado Social’ e desde ontem a grande saga ficou reduzida a ‘poupanças’.

Todo este percurso fala por si e não consegue ocultar a tentativa de implantar o ‘Estado Mínimo’ uma velha aspiração neoliberal, pelo menos desde os anos 70 e que está a ser tentada à sombra da presente crise da dívida soberana.
Mas o cúmulo da desfaçatez reside na aleivosia enunciada ontem pelo governante Carlos Moedas ‘… ao que todos sabemos que está no memorando de entendimento’.
Muitos de nós lemos (ou pelo menos deveríamos ter atentamente lido) o Memorando de Entendimento assinado em 17 de Maio de 2011 que, como sabemos, se atravessou e condicionou a nossa soberania nas últimas eleições legislativas e, verificamos que nada disso lá consta. O documento encontra-se publicado e é passível de confronto. link

Se na última avaliação da troika o Governo resolveu fazer um up-date ao memorando e inscreveu lá essa tal poupança de 4.000 milhões de euros, correu por sua conta e risco.
O indigno é vir agora tentar insidiosamente comprometer o País com essa ‘poupança’. Porque esse compromisso em termos nacionais e colectivos não existe. E como o Governo já deve ter verificado sobre esse insensato 'acrescento' não existe na sociedade portuguesa qualquer tipo de consenso e não vale a pena tentar fabricá-lo com factos consumados ou artifícios retóricos como tentou o Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro.
Assim, não!

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