Há lodo no CDS

Se os maiores partidos políticos não escapam à lógica dos grupos, num grupelho a viver da passagem pelo governo, por necessidade aritmética, acentua-se a cumplicidade entre os que se agarram ao poder com sofreguidão.

O grupo parlamentar do CDS é hoje um sindicato de interesses a gravitar em torno de Paulo Portas que, antes da luta partidária, era o grande defensor da ética. Agora é, ou assim o julgam os seus apaniguados, o seguro de vida para a sobrevivência da ala mais radical da direita parlamentar, constituída pelos seus indefectíveis correligionários.

A demissão de Nuno Melo, que não quis perder a viagem à Índia, é o exemplo do que de pior há na política. As críticas à direcção do CDS, depois de tentar desesperadamente manter-se na liderança do grupo parlamentar, revela imaturidade cívica, falta de ética e a ausência de princípios democráticos.

O fogoso deputado ignora que a orientação política dos partidos cabe às direcções e não aos grupos parlamentares, que têm o dever de cumprir as directivas da Comissão Política?

Imagine-se a estabilidade de um Governo, onde estivesse agora representado o CDS, e o perigo que daí resultaria para o normal funcionamento das instituições. Pior do que ter Bagão Félix nas Finanças e Celeste Cardona na Justiça, era ter um bando de deputados que entrou em autogestão em relação ao partido.

Já não basta o radicalismo político desta direita mais extrema, há ainda o desprezo das mais elementares normas éticas para garantir a sobrevivência dos actuais deputados na próxima legislatura, se o CDS sobreviver.

Vices tomam conta da bancada até às eleições, mas não são diferentes. A vantagem é obrigarem Paulo Portas a tomar decisões num tempo que as suas contas não tinham previsto.

Comentários

Anónimo disse…
São as manobras dos "jovens turcos", dentro de um desgastado e moribundo CDS.
O problema é que, com toda a probabilidade, serão intervenções já "post-mortem".
Aos olhos dos portugueses a fractura do actual e fitício CDS é inevitável.
O previsível estiolamento do partido dará origem a uma miríade de personalidades, desencontradas, contraditórias e quiça antagónicas que nada contribuirão para a política portuguesa. Só se representarão a si próprios e tenderão a caminhar para posições do espectro "ultra-conservador".
Desta fragmentação nem Carlos Portas escapará. Aliás, é o seu grande (mas não inocente) promotor. Terá, no entanto, interesses, neste momento, obscuros.

A seguir, com atenção, este patético "Hara-kiri"...
Anónimo disse…
Onde se lê Carlos Portas deve-se ler Paulo Portas.

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