Índia: manifestação contra Cavaco


Presidente recebeu o primeiro doutoramento honoris causa atribuído pela Universidade de Goa. Estudantes não gostaram de ver um estrangeiro ter esta distinção. 30 pessoas foram detidas.

Comentário: Um acto de má educação contra o Presidente da República é um gesto inamistoso contra Portugal. Intolerável.

Comentários

Anónimo disse…
Meu Caro Esperança,
Compreendo o conteúdo do teu post, mas discordo em absoluto, talvez porque não me revejo no "politicamente correcto!" e não sou apologista do duplo padrão.

Porquê ficar admirado com a reacção dos estudantes, quando se sabe que a maioria dos goeses preferiria receber a visita de Don Giorgio, o "Corleone das Antas", em vez da do presidente da República Portuguesa?

E já agora, suponhamos que uma qualquer Universidade de Nova Deli ou de Bombaim ou de Calcutá tinha decidido conceder o seu primeiro Doutoramento a Jorge VI ou a Isabel II. Como teriam reagido os estudantes indianos?

Noutro registo:
Que dizer da decisão patética(porque os Goeses devem desconhecer), de conceder um Doutoramento em Literatura a um politico confrangedoramente ignorante nessa área e que, enquanto primeiro ministro, consentiu na censura ao escritor português que foi galardoado com o prémio Nobel da Literatura.

Abraço
jrd
Anónimo disse…
Meu caro e velho amigo JRD:

Eu sinto-me no direito de criticar e não gostar de Cavaco Silva mas no dia em que desistir de respeitar e fazer respeitar o PR, nesse dia abdico de defender as instituições democráticas do meu país.

Vergonha é dar um doutoramento a um ditador, não ao representante de um país democrático.

Não procuro ser politicamente correcto, apenas coerente com a minha forma de encarar a República.
Ferros Curtos disse…
Acho que os estudantes estavam era contra o facto do honoris causa ser em literatura.

Agora quem os informou que o Homem não é muito prendado em matérias culturais não sei.

E estudantes são estudantes. Têm sempre razão, nem que seja antes do tempo, e são também todos recuperáveis !

Não encontro grande gravidade na coisa.
Anónimo disse…
Os estudantes, com a sua generosidade, equivocaram-se.
Deixaram vir ao de cima os seus principios nacionalistas. Esqueceram que eram nacionalistas de dirieita (filosofia política do Organização Nacional de Voluntários - RSS). Esta última condição, se devidamente considerada, ter-lhe-ia refreado o entusiasmo visível nas reportagens.

Outra posição foi a do escritor e poeta Nagesh Kasmali, dirigente e fundador da “Combatentes pela Liberdade” (“Freedom Fighters”), uma organização que remonta aos anos 50, combatida pelo governo salazarista que então administrava o denominado "Estado Português da India".
Este intelectual defendeu, na petição que apresentou ao Governo e à Universidade, que os doutoramentos "honoris causa" não deviam ser concedidos a políticos, mas apenas a homens da cultura, das artes ou do ensino, que se tivessem destacado nas suas respectivas áreas.
Interessante e curiosa argumentação...
Anónimo disse…
Amigo Esperança,
Em jeito de tréplica:
"Vergonha é dar um doutoramento a um ditador, não ao representante de um país democrático."
Se editares um post com este texto tens a minha absoluta concordância.

No que diz respeito ao post em discussão, apenas te digo que não sou eu que vou aplaudir a actuação dos "netos (?) dos satyagrahi", apenas me limito a compreendê-la.

Cada um de nós é coerente à sua maneira, sem crispações, também por isso somos Amigos e Democratas.
jrd
Anónimo disse…
JRD:

O Professor Dr. Francisco Franco, cujas estátuas desapareceram de Espanha, por questão de higiene, é doutorado por Coimbra.

E, aí, não me consta que tenha havido contestação. A PIDE velava.
Mano 69 disse…
Estudantes? O que eu vi na tv é que eram, quase, todos "dux veteranorum", devem ter muitos anos de matrícula na Universidade de Goa.
E seriam mesmo Goeses?
Anónimo disse…
A liberdade de expressão deve ser defendida.
Vergonhoso é os manifestantes terem serem prendidos e sujeitos sabe-se lá a que tratos. Eu por mim teria vergonha de ser doutorado honoris causa por quem não respeita a liberdade de expressão, enfim...

... e os comentários contra a manif deste e doutros blogs enfermam do português pequenino, pois se a manif e o consequente resultado da prisão fosse ocntra Bush já condenariam a atitutde da policia Indianas, como foi com os Portugueses condena-se o manifestante, estou a ver a coêrencia, estou, estou, ...
Anónimo disse…
Anonimo Seg Jan 15, 12:18:56 PM

O problema não é a liberdade de expressão que está fora de causa.
A questão é compreender porque se manifestavam. As questões realtivas ao "nacionalismo hindu", respeitáveis, serão de difícil compreensão quer para nós, quer para o galhardoado. E a notícia, sem essas explicações, é coxa.

Em geito de adenda: se a manifestação fosse contra Bush todos sabiamos porquê. Até o próprio.
Anónimo disse…
Especiarias diplomáticas
Ou anda tudo (prof. Marcelo incluído) a dormir, ou sou eu que tenho um espírito tortuoso, mas desconfio do doutoramento "honoris causa" de Cavaco Silva na Índia. Cheira-me a uma das "astutas manobras, enganos vários" com que o Gama foi, há 500 anos, recebido por aquelas paragens, só que, desta vez, com mais diplomáticas subtilezas que as dos arúspices e "avaros catuais/que o gentílico povo governavam" de que fala Camões. Pois não decidiu a Universidade de Goa, segundo parece por "pressões políticas", atribuir a Cavaco, que em tempos se orgulhou de não saber quantos cantos têm "Os Lusíadas" (e suspeito que por isso), um doutoramento, ó ironia!, ó "vil malícia ousada"!, em... Literatura? E logo no dia em que Portugal votava Camões e Vasco da Gama entre os 10 Maiores Portugueses da RTP? Cavaco, porém, não se ficou. Fez-se desentendido e, não menos diplomaticamente, à falta de outra fazenda ou "mercadoria Hispana que convenha", retribuiu com... uma lição sobre globalização e flexi-segurança (como Bordalo diria, "querias literatura?!, ora toma!"). A retórica diplomática é, diz-se, "feita para ocultar o pensamento". O que aconteceu foi, de parte a parte, um memorável momento de esgrima diplomática de alto nível. Ou eu sou, de facto, muito tortuoso...
Manuel António Pina
in JN 16Jan2007
Anónimo disse…
Não ajudei a eleger o actual Presidente da República.
Mesmo assim e porque tenho o mais apertado respeito pela Democracia e pelo voto (maioritário, neste caso) dos Portugueses, penso que é de uma vulgaridade por demais ofensiva, o que se passou na Índia.

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