Momento de poesia


O SINO DA MINHA ALDEIA


O sino da minha aldeia já não toca ...
Ficou mudo e parado no tempo
quando saudou o último varão que partiu
e já não tocou quando o viu chegar
montado na roda da sorte ...

O sino da minha aldeia já não toca
está apenas pendurado na torre da igreja,
comido de ferrugem e de caruncho ...

O sino da minha aldeia voltou a tocar
apenas por um breve instante
quando o último velho estremeceu
de medo e solidão
enforcado na corda a que se prendeu ...

E o sino da minha aldeia nunca mais tocou ...
Ficou mudo e parado no tempo ...
E já não há varão, nem velho, nem roda da sorte !...
Só fantasmas da vida que se viveu ...

Alexandre de Castro - Lisboa, Dezembro de 1988

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