Venezuela – Referendo de Hugo Chávez
O resultado do referendo venezuelano não deixa de surpreender pela positiva. Tivesse o resultado sido outro e não faltariam acusações de manipulação e fraude. Claro que nem uma vitória esmagadora legitimaria as alterações que Hugo Chávez preparava, mas isso é outra história.
«A democracia é o pior dos sistemas políticos, com excepção dos outros» e é de justiça reconhecer que Chávez, não tendo uma matriz genética de índole democrática, se conformou com os resultados o que, certamente, não teria acontecido com a oposição face a resultados inversos.
Na Europa o resultado eleitoral que se verificou na Venezuela levaria à demissão de Hugo Chávez mas não há, em termos democráticos, nada que o obrigue. É provável, pois, que a Venezuela fique melhor com o presidente que tem do que com a oposição que ontem festejou os resultados nas ruas.
A direita portuguesa que ainda sente a nostalgia de Salazar devia reflectir no passado salazarista. O primeiro referendo foi ganho com as abstenções a contarem como votos a favor. Depois não voltou a haver eleições livres. Foram 48 anos de dolorosa ditadura. E, quanto à alegada brandura dos nossos costumes, quando Humberto Delgado disputou as eleições a Américo Tomás, as chapeladas, os votos dos mortos e a proibição de fiscalização mudaram o vencedor.
Perante a Venezuela de Hugo Chávez tenho ainda mais vergonha e nojo de Salazar que não se contentou com a opressão, a tortura, as prisões arbitrárias e as perseguições, ainda mandou assassinar o homem que lhe fez frente – o general Humberto Delgado.
Comparada com o Portugal de Salazar, a Venezuela é uma democracia de referência.
Não sei por quanto tempo.
«A democracia é o pior dos sistemas políticos, com excepção dos outros» e é de justiça reconhecer que Chávez, não tendo uma matriz genética de índole democrática, se conformou com os resultados o que, certamente, não teria acontecido com a oposição face a resultados inversos.
Na Europa o resultado eleitoral que se verificou na Venezuela levaria à demissão de Hugo Chávez mas não há, em termos democráticos, nada que o obrigue. É provável, pois, que a Venezuela fique melhor com o presidente que tem do que com a oposição que ontem festejou os resultados nas ruas.
A direita portuguesa que ainda sente a nostalgia de Salazar devia reflectir no passado salazarista. O primeiro referendo foi ganho com as abstenções a contarem como votos a favor. Depois não voltou a haver eleições livres. Foram 48 anos de dolorosa ditadura. E, quanto à alegada brandura dos nossos costumes, quando Humberto Delgado disputou as eleições a Américo Tomás, as chapeladas, os votos dos mortos e a proibição de fiscalização mudaram o vencedor.Perante a Venezuela de Hugo Chávez tenho ainda mais vergonha e nojo de Salazar que não se contentou com a opressão, a tortura, as prisões arbitrárias e as perseguições, ainda mandou assassinar o homem que lhe fez frente – o general Humberto Delgado.
Comparada com o Portugal de Salazar, a Venezuela é uma democracia de referência.
Não sei por quanto tempo.
Comentários
É uma ofensa que só deve envergonhar quem a pratica.
RE: Nenhum problema. Pelo contrário, é a festa da democracia a que eu me teria associado. É a manifestação de alegria que em Portugal não foi possível durante 48 anos.
Nem me interessa se era de direita ou de esquerda. O mais importante é preservar a liberdade e poder sonhar sem o pesadelo das ditaduras.
Ou passsei a escrever muito mal ou o meu caro leitor passou a desconfiar do meu espírito democrático mas, para o tranquilizar, era adolescente, quando apoiei Humberto Delgado e nunca mais deixei de me bater pela democracia.
Já agora, Chávez aceitou o resultado,mas os líderes da UE não aceitaram o não à Constituição e estão agora a arranjar artimanhas para o povo não votar. Na comparação com a Venezuela não ficam lá muito bem, convenhamos.