Parabéns, Hugo Chavez

Um país que tem um povo que recusa a ditadura deve ter um presidente que o mereça.

Comentários

e-pá! disse…
Importante é entender o que se passou e tirar ilações.
Não para mim, mas para Hugo Chavez.

Ao populismo que movia muitos dos seus apoiantes não vai ser fácil lidar com esta derrota que é o consequente resultado do normal exercício democrático.
Penso que é imprescindível não acicatar os venezuelanos, criar-lhes ilusões, alimentar medos, propmeter-lhes o céu. etc.
Eles já têm petróleo a rodos...
No Mundo, podemos verificar que o petroleo não é muito compatível com a democracia.

O referendo dizia respeito à Constituição e continha no seu ventre uma mudança de sistema político.
Hugo Chavez vai - tem toda a legitimidade - continuar a governar.
Como pensa ou como a nova situação lhe impõe?

Vai ser tentado a prosseguir no caminho que pensa correcto e informava as alterações constitucionais que foram rejeitadas democraticamente.
Para além disso, ficamos a saber que o País está dividido ao meio.
Nada de favorável ou de confortável para a estabilidade. O que estava em jogo neste plebiscito era, em termos democráticos, muito "pesado", determinante para o futuro do País.
No seu lugar, perante os resultados de ontem, pedia a exoneração. Fazendo isso, daria um sinal de desapego ao poder, de grande respeito pela vontade popular e proporcionava uma soberana oportunidade à pacificação social.
Anónimo disse…
Agora que por meios legais Chávez nao será presidente vitalício veremos se nao o tentará ser outras formas. Felizmente findou o seu mito vitorioso.
E nao foi só o rei de E. que o mandou calar pelos vistos.
Camarelli disse…
Chávez aceitou a derrota com espírito democrático (como prometera na véspera) e ainda assim vão continuar a chamá-lo ditador. A oposição, que só declarou aceitar os resultados quando na Venezuela já se sabia do resultado, e que apelou ao boicote, incitou à violência (houve um responsável político que sugeriu invadir e destruir o orgão ficalizador) e inclusivamente promoveu a desconfiança em torno do CNE, a esta oposição, vão continuar a chamar de democrática.

As lições tomam-nas quem quer. O truque de referendar de uma vez só tantas alterações à constituição com óbvios engodos pelo meio valeu a Chávez a desconfiança pela manobra e foi o que valeu a uma oposição altamente mobilizada. Quando Chávez foi eleito o ano passado, recebeu 7.3 milhões de votos quando a abstenção foi de 25%. Ontem, com uma abstenção de 44% não é sério dizer que perdeu o apoio popular. Aliás, a oposição, que previa um chumbo bem mais expressivo nas urnas, não se atreve a duvidar da popularidade do presidente.

Façamos as contas ao nº de votos (fonte: wikipédia em espanhol):

eleição presidencial (2006)
Chávez: 7.309.080
Rosales: 4.292.466
total: 11.790.397 (inclui outros partidos minoritários)

referendo constitucional [só o pacote B] (2007)
Sim: 4.335.136
Não: 4.522.332
total: 8.857.468

praticamente os 3 milhões a mais de Chávez nas presidenciais podem muito bem estar sob a capa da abstenção, com a agravante de que o projecto da reforma criou cisões no seu partido ao mais alto nível e gerou muitas dúvidas no eleitorado.

Assim, é descabido dizer que Chávez deveria pedir a exoneração (como sugere o e-pá).
Camarelli disse…
van aerts

Desconfio que se tivesse ganho o sim, neste momento andariam aos tiros nas ruas de Caracas.

A alternativa de Chávez já ele a disse: vai procurar um sucessor na liderança do partido. Se as políticas governamentais continuarem na mesma linha com os mesmos níveis de aprovação, só posso prever mais uma vitória, seja qual for líder escolhido.

No dia em que o reinhoso de Espanha mandar calar o Cavaco Silva, aí conversamos.
Anónimo disse…
Matarbustos, o que aconteceu foi algo que nao se estava á espera, foi a primeira derrota de Chávez nas urnas. No entanto bem sei que o caminho nao acaba aqui, agora Chávez nao terá legitimidade moral para ser um novo "César" e provavelmente mandará para o diabo todo o formalismo democrático.

Poderia haver tiroteio com a vitória do Sim mas lembre-se que sao as polícias que melhor armamento possuem e que estas estao subordinadas ao poder político.

Se Cavaco Silva ou Sócrates adoptarem um comportamento ignóbil em algum encontro internacional e alguém os mandar calar apenas terei vergonha ser representado por eles.
Anónimo disse…
Chavez o verdadeiro socialista!
e-pá! disse…
Caro Matarbustos:

Eu afirmei que Chavez tem toda a legitimidade para governar.

Insinuei que a sua exoneração poderia pacificar o País.
Sem nenhuma certeza sobre isso.

Queria acrescentar que ele (Chavez) tem, também, toda a legitimidade para programar o seu futuro pessoal e político.

Só não me parece crucial a interpretação da abstenção, nomeadamente, num referendo de regime, como um apoio latente.
Não poderá ser sido o medo de dar o salto (para um espaço cheio de indefinições)?
Se assim for, depois do medo será sempre muito dificil voltar a ganhar confiança.
Pelo que os abstencionistas são o terreno político fundamental, quer para Chavez, quer para a oposição.

Mas, a minha grande convicção é:
será prematuro dar este processo por encerrado. Os ventos históricos na América Latina sopram em turbilhão...
Anónimo disse…
Hugo Chavez, é o presidente necessário na Venezuela. Só um homem verdadeiramente socialista, pode tomar medidas, tendentes a estreitar o fosso, entre ricos e pobres.

Num país rico, com recursos naturais importantes, é necessário afrontar os poderosos, para que haja justiça social.

Parabéns, Hugo Chavez.

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