Marcelo e a liderança do PSD
Aparentemente o D. Sebastião do PSD não acreditou na vaga de fundo do eixo Lisboa / Cascais. Nem lhe garantia a vitória nem um módico de sossego no partido eternamente órfão de Sá Carneiro.Não atirou com a toalha ao chão mas usou uma metáfora de grande recorte literário, originalidade e profunda reflexão filosófica: «se a minha avó tivesse rodas seria um autocarro».
O problema não reside na falta de quadros de valor para assumir a liderança do PSD, incluindo Marcelo Rebelo de Sousa, mas na falta de uma ideologia e de estratégia, onde os inimigos íntimos de digladiam cristãmente e as ambições são à prova de bala.
Como pode optar por um líder sem que, antes, o PSD decida o que quer ser: ultraliberal e privatizar a CGD com Pedro Passos Coelho ou Miguel Frasquilho; populista com Jardim, Santana ou Meneses; democrata-cristão com Marcelo ou social democrata, fazendo jus ao nome e honrando a herança de Sá Carneiro?
Sem resolver o problema ideológico é difícil arranjar quem seja prior em tal paróquia. O problema, mais do que do próprio PSD, é ser um partido estruturante do regime, ter uma forte implantação autárquica e uma fidelidade eleitoral à prova de todas as lideranças, capaz de ter sobrevivido aos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes.
O regime enfraquece com a instabilidade do PSD, sem benefício para o Governo e, muito menos, para o País onde se arrasta um PR descredibilizado pelo escândalo das escutas.
Só o CDS, sob a liderança pouco estimável de Paulo Portas, pode ganhar, no caso extremo de uma redefinição da direita sob os escombros do PSD.
Comentários
Começou a XVIII Legislatura e os dirigentes do PSD não têm a menor ideia da longevidade deste Governo.
Passar 4 anos na Oposição é, para qualquer dirigente político, penoso.
Tem de gerir disputas internas e não dispõe de sucedâneos para "acalmar" as hostes.
Aliás, Marcelo já tem alguma experiência destas situações.
Exceptuando Passos Coelho que os próprios correligionários reconhecem não ter maturidade para o cargo partidário, o PSD, ao nível de dirigentes, transformou-se num deserto.
Mas, se por circunstâncias, de momento, imprevisíveis, caminharmos para eleições intercalares, então, podem estar certos que, aparecerão de rompante, uma chusma de candidatos à liderança.
Esta é a rotatividade interna que se mostra subsidiária das oportunidades externas.
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