HAITI - mais uma catástrofe...a somar às anteriores.


A recente catástrofe no Haiti, por ironia do destino, coincide com os 200 anos de independência desta Ilha das Caraíbas que – no seguimento da independência norte-americana - se libertou do jugo das forças napoleónicas.

Na verdade, um mal nunca vem só!

O Haiti tem vivido nos últimos 50 anos várias catástrofes. Desde a sanguinária ditadura de Maurice Duvallier - o criminoso“Papa Doc” – com seguimento dinástico do seu filho Jean-Claude Duvalier, conhecido como “Baby Doc”, ambos exercendo sobre o povo haitiano as maiores tropelias e desmandos humanitários - cujo braço armado da repressão e de uma violência inaudita foram os chamados Ton-Ton Macoutes - a que se sucederam decénios de extorsão, terror, corrupção, etc., conduzindo este País à mais extrema pobreza.
Nos anos 90, o derrube da plutocracia Duvalier levou o País a uma serie de convulsões políticas e sociais que agravaram o quadro de pobreza generalizado da sua população.
O Governo de Jean Bertrand Aristide, sacerdote salesiano, que exerceu o poder em 2 períodos distintos, manteve a tradição autocrática e repressiva e tornou a situação social e económica insuportável (o rendimento médio dos haitianos é de 1 dolar/dia…).
A situação degradou-se a tal ponto que levou à intervenção da ONU.

Hoje, o martirizado povo haitiano, foi, outra vez, vítima de uma nova catástrofe. Desta vez de causas naturais. Carece, sem qualquer hesitação, de uma pronta e eficaz solidariedade internacional, de uma resposta humanitária organizada e de todo o apoio logístico, sanitário e económico na reconstrução de um País devastado. Mas necessita, também, de viver num regime democrático, em Paz e conhecer o desenvolvimento e a prosperidade.
A proposta de intervenção militar estrangeira sugerida por Sarkosy levanta inquietantes preocupações, quanto mais não seja, pela sua carga neo-colonialista.
A intervenção da ONU deve prosseguir (ser prorrogada).
O que necessita de mudança é todo o sistema político, económico e social do Haiti.
Para isso é necessário e indispensável, diria mesmo decisivo, o contributo dos haitianos que, passados 200 anos, necessitam de promover uma segunda libertação que consolide a democracia, no primeiro País independente da América Latina.

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