O Papa, o casamento gay e a natalidade

É surpreendente que o Papa se considere o paladino da procriação quando defende tudo o que se lhe opõe, desde a castidade – de efeitos demolidores –, até ao celibato imposto ao clero e restantes membros das comunidades religiosas, masculinos e femininos.

O chefe do único Estado sem maternidade é contra a reprodução medicamente assistida, a conservação de embriões e os bancos de esperma, numa atitude de pavor perante a possibilidade de a humanidade se esquecer do método tradicional de procriar, apesar de continuar o mais popular.

O papa Bento XVI associa a oposição da Igreja ao casamento gay às preocupações com o meio ambiente, sugerindo que as leis que enfraquecem "as diferenças entre os sexos" são uma ameaça à criação.

O argumento que usa para condenar a descriminalização do aborto (para lá da posição perante a vida, respeitável e de difícil definição quanto ao começo) não esconde a vontade malsã de ver mulheres condenadas ao cárcere para satisfação das suas crenças.

É, aliás, um argumento em que reincide, alheio ao crime que pratica quando condena o uso do preservativo contra a SIDA ou na violência que exerce quando pretende manter grávidas as mulheres violadas, com malformações fetais ou em risco de vida.

Que o Papa divulgue os seus preconceitos e os torne obrigatórios para os crentes do seu deus, é um direito que lhe assiste; que ameace com o Inferno é um problema religioso; mas pretender impor a vontade do deus de que se julga mandatário, é um acto ditatorial a que um país laico não pode nem deve submeter-se. Os radicalismos religiosos estão na moda mas as sociedades têm o dever de se lhes opor.

Os Estados devem preservar o carácter laico e resistir às pressões piedosas de quem gostaria de impor o direito canónico ao Estado de direito.

Ponte Europa / Sorumbático

Comentários

Julio disse…
A incompreensível posição dos estados europeus dando abrigo ao PARASITISMO papal e seus sinistros agentes é o que mais me incomoda.
Parem os estados europeus de aplaudir a palhaçada do camarada.
Dar crédito às aberrações morais do dito pio é imperdoável.
Apelo aos Católicos para que abandonem em massa essa SEITA romana.
Nacionalize-se o património da ICAR a fim de recuperar o que foi adquirido por meios ilícitos advindos de superstições do obscurantismo do passado.
A dita SEITA não merece apoio de nenhum governo europeu.
O papa não passa de um ATOR e vendedor de terços!
Unknown disse…
Concordo inteiramente com o C.E., um Estado deve manter-se laico e contrariar as vontades do Papa de impor a sua vontade aos cidadãos de todos os países. Assim entre outras coisas os estados devem libertar-se das amarras Papais no:
- Casamento homossexual, permitindo-o.
- Aborto, despenalizando-o.
- Eutanásia, haver liberdade de escolha;
- Responsabilidade social das empresas, impedindo-a;
- Justiça Social; ignorando-a
- Capitalismo selvagem; aplaudindo-o e não criticá-lo.
- ...

Só assim um Estado é verdadeiramente laico, quando se opõe a tudo o que o Papa defende.
e-pá! disse…
CE:

O papa tem um perservativo enfiado na cabeça?
E - Pá:

É o camauro contra a SIDA.
Pai de Família disse…
A SIDA foi - é! - uma vacina divina contra a paneleiragem.
Pai de Família:

Compreendo a sua homofobia, envenenado pela Bíblia, mas recordo-lhe que houve vários papas e numerosos bispos homossexuais e não tiveram SIDA.
Paracelsus disse…
"Desde os tempos imemoriais que se sabe quão proveitosa nos tem sido esta fábula de Jesus Cristo"
Carta do papa Leão X ao cardeal Bembo

Sem comentários
Pai de Família disse…
CE:

Não sou homofóbico. Homofobia implica medo, de fobia, e eu não tenho medo de qualquer aberração, invertidos sodomitas incluídos.

Metem-me nojo, sim. Medo, não!
Pai de Família:

Nunca se sabe como acabará! Esse horror é patológico.

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