Manuel Alegre na linha da frente

Com uma boa entrevista ao Expresso, Manuel Alegre dá mais um passo em frente na candidatura a Presidente da República.

Registo e aplaudo a clarificação da sua visão presidencial, que julgo ser aglutinadora, motivadora e fonte de esperança.

Um Presidente com voz, que sabe dar um murro na mesa (como no caso da Justiça), que compreende que talvez o PCP e o Bloco não estejam dispostos a aceitar a economia de mercado, mas que partilham muitos valores com o centro-esquerda.

Por outro lado, procura desmontar alguns equívocos, como os de que não ganha votos ao centro ou mesmo à direita. Alegre tem razão: a sua personalidade livre e a sua dimensão humanista e patriota permite-lhe obter alguns votos na direita desiludida com o pós-cavaquismo.

Sócrates gostou da entrevista e diz que em política o tempo é um factor decisivo.
Esse tempo virá. Aguardemos então.

Comentários

e-pá! disse…
Caro André:

José Socrates, e a actual direcção do PS, têm, em relação a Manuel Alegre, um qui pro quo dificilmente ultrapassável...

Julgo, no entanto, que o desastroso mandato de Cavaco Silva ajudará a "iluminar" o espírito e torná-lo capaz de adoptar as opções necessárias.

Resta, mobilizar o conjunto da Esquerda.
Não tomemos a nuvem por Juno. No estado actual do PSD, o apoio do Centro-Direita nacional, não tem outra alternativa fora da "colagem" ao actual PR. Caso contrário, andará a reboque do PS.
A não ser que a incipiente convergência para a "restauração" do Bloco Central, tenha pernas para andar...

De qualquer maneira, não basta mostrar vontade, nem força anímica, para se apresentar como candidato. Falta partir muita pedra...
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andrepereira disse…
Penso que Alegre é um homem que não só já viu a luz, como pode ajudar Portugal a reencontrar-se. No fundo, o PR tem que ser alguém que, em nome de Portugal, pergunte "de onde venho" e "para onde vou". A tal marca de cultura e de horizonte alargado de que Alegre fala.
e-pá! disse…
Caro André:

Quando me referi, de um modo figurativo, a um "iluminismo", fora de época, estava a dirigir-me a José Sócrates...

Claro que, Manuel Alegre, tendo os condicionalismos pessoais que todos conhecemos, é um homem da Cultura, um acérrimo defensor das grandes causas humanitárias e sociais, um socialista que é referencial político da Esquerda democrática em Portugal.

O problema, em política, é conseguir à volta de um homem, ou de uma mulher, para o exercício de um cargo unipessoal, os grandes consensos necessários.
Este é um trabalho de casa que faz falta fazer e não é substituível por uma boa entrevista...
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andrepereira disse…
tem havido desalinhamentos ao longo dos anos entre várias sensibilidades dentro do centro-esquerda e do PS. Por isso a candidatura de Alegre não é um facto consumado, mas chegamos a Janeiro com Gama fora da corrida, e com Freitas do Amaral sem entusiasmar ninguém. Nomes como Vitorino e António Guterres estão-se a guardar para outra fase da vida. Ainda são novos. E realemnet Manuel Alegre tem dado passos muito inteligentes para se colocar na linha da frente. Ele já viu o exílio, conhece Portugal, viveu os meandros da política. Está preparado. Mas vamos com calma. O tempo é um factor fundamental em política.

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