HAITI (palácio presidencial) - imagem que vale por mil palavras…


Surgem em catadupa imagens de devastação e de horror no Haiti.
Port-au-Prince é um gigantesco amontoado de escombros.
Instalam-se por todo o lado equipas internacionais de socorro e busca. O tráfego aéreo na capital está à beira da saturação, com a intensa movimentação aerotransportada de variados apoios sanitários, alimentares e de reconstrução.
Sabemos que em situações catastróficas como a do Haiti, todo o auxílio é deficitário, todos os esforços bem-vindos, todos os apoios insuficientes. O sofrimento da população haitiana sobrevivente será incomensurável. As condições de sobrevivência difíceis e condicionadas pelo perigo da deterioração das condições de salubridade do ambiente, infestado de cadáveres em decomposição abandonados nas ruas.
Os haitianos desesperam com a relativa demora do auxílio (já decorreram 3 dias!), sempre difícil de organizar para fazer face a uma situação dantesca, como a que se vive no Haiti.
Para os habitantes ainda soterrados – e serão aos milhares – todos os segundos contam.
Nos media vemos e ouvimos repetidas promessas de auxílio de Barak Obama, Sarkosy, Bento XVI, Lula da Silva, etc.
Até Portugal, país a viver graves dificuldades económicas e financeiras, o Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, tem-se desdobrado em múltiplas conferências de Imprensa, onde sublinha o modesto apoio português perante a imensidão da tragédia. Uma imagem que nos faz recordar o massacre mediático que ocorreu quando da tragédia de Entre-os-Rios. É óbvio que só podemos oferecer o que podemos e o que temos mas, no aproveitamento político da acção humanitária programada pelo Governo, temos sido pródigos na promoção desse apoio. Escandalosamente pródigos.

Mas, enquanto ouvinte assíduo dos noticiários, há já algum tempo que me interrogo:
- Onde estão as autoridades haitianas?

O actual presidente René Garcia Préval começou a sua carreira política, diria antes cívica, por militar na associação de solidariedade social "La Fanmi Selavi" (“A Família é a vida”).
Será, em princípio, um homem com uma sólida cultura humanitária e portador de uma profunda sensibilidade social.
Não consegui ver uma única imagem de René Préval, na rua, no meio de uma população à beira do desespero ou no seio das equipas de salvamento e de resgate de sobreviventes.

A impressão que prevalece é que o Governo do Haiti sucumbiu com o terramoto.
Aliás, há uma imagem extremamente esclarecedora que tem sido transmitida, repetidamente, nos meios de comunicação social e que reproduzimos no cabeçalho deste post.
Refiro-me ao desabamento do Palácio Presidencial que parece ter arrastado consigo os órgãos do poder haitianos para as entranhas da Terra.
Esta é uma imagem que carrega um pesado simbolismo.

Ou, se quisermos, existem imagens que valem por mil palavras...

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