O pulha


Dedicado a «O palhaço», de Mário Crespo, insigne jornalista e honrado cronista
Artigo escrito em 14/12/09 no Jornal de Notícias on-line.

O palhaço do Mário Crespo desapareceu do JN, na Internet, mas foi registado em vários blogues e encontra-se por aqui e por ali, levando-me a escrever «O pulha» e a imitar-lhe as ideias, o estilo e o carácter.

O pulha é um invertebrado que procura na ofensa a catarse do ódio e da frustração, que, adorando a ditadura, se serve da democracia, que molda com o esterco de que é feito os contornos dos bonecos que cria, que usa adjectivos para substituir as vértebras que lhe minguam e se antecipa a chamar aos outros o que é.

O pulha diz dos outros o que sabe de si próprio. O pulha coloca opiniões nos jornais a fingir que são notícias e é pago pela baixeza própria através das baixezas que imputa aos outros. O pulha adora que o acreditem e que as mentiras se transformem em dúvidas e as calúnias em incertezas.

O pulha é um serventuário que evita denunciar as avenças de que vive, o biltre que usa a liberdade para a atacar, que atribui aos outros o nojo que é, fazendo passar por factos as intrigas que tece e por verdades as calúnias que divulga.

O pulha é um professor dispensado da docência para insultar a mãe de um ministro ou o escriba em comissão de serviço num órgão de comunicação para corroer a democracia.

O pulha não nasce pulha. Faz-se, cresce e engorda com os detritos que bolça. Regurgita insultos criando retratos à sua imagem, acoimando de patifes os que inveja. É um filho de uma nota de cinco euros e da lascívia do acaso. O pulha é invejoso e vingativo.

O pulha vive na clandestinidade de um grupo partidário, nos meandros das máfias, nas estrebarias da insídia, aproveitando a calada da noite para arremessar a quem odeia as pedras de que se mune. Pode levar vida normal, aparecer na televisão e ter guarida num jornal; atira pedras e garante que está a ser agredido, incapaz de esquecer a sinecura que lhe negaram ou o cargo com que sonhou.

O pulha escuta os outros e diz que está a ser escutado. É um alcoviteiro e mentiroso. O pulha necessita de plateias cheias. Absolutas. O pulha é totalitário. O pulha é quem nos causa vómitos. O pulha leva-nos a descrer da democracia. O pulha escreve nos jornais e fala na televisão. O pulha torna-nos descrentes. Um pulha é sempre igual a outro pulha. E a outro. E são todos iguais. O pulha assusta porque é omnipresente e ataca sempre que pode. Seja a dar facadas nas costas dos eleitos, seja a criar ruídos de fundo, processos de intenção ou julgamentos sumários. O pulha é ruído de fundo e gosta de ser isso. E baba-se de gozo. Por narcisismo. Por ressentimento. Por ódio. Sabendo-se impune.

O pulha é um cobarde impiedoso. É sempre perverso, quando espuma ofensas ou quando ataca políticos. O pulha não tem vergonha. O pulha ouve incautos úteis e senis raivosos e tira conclusões. Depois diz que não concluiu e esconde-se atrás do que ouviu. O pulha porta-se como um labrego no jornal, como um boçal na televisão e é grosseiro nas entrevistas. O pulha é um mestre da pulhice. O pulha não tem moral. Por isso, para ele, a moral não conta. Tem a moral que lhe convém. Por isso pode defender qualquer moral. E fingir que tem moral. Ou que não a tem. O pulha faz mal aos outros. E gosta. E depois faz-se de sonso. O pulha rouba a honra que não tem e que dispensa.

O pulha é um furúnculo que há-de acabar como todo o mal. É uma metástase de um cancro que vive para corroer a democracia. É um conjunto de células malignas que se multiplicam no papel impresso e o esgoto que circula pela Internet a céu aberto.

O pulha é o talibã que fere e mata mas larga os explosivos depois de esconder o corpo. O pulha não é monárquico nem republicano, de esquerda ou de direita, ateu ou crente, é o verme que se alimenta da baba que segrega, do ódio que destila e das feridas que escarafuncha.

Um dia habituamo-nos ao pulha.
Ponte Europa / Sorumbático

Comentários

avoema disse…
Embora não conheça a personagem (O pulha) no seu meio mais "confortável" (família e amigos), e ser capaz de ter atenuantes para a baixeza do carácter, a falta de princípios morais e éticos, a falta de lucidez, a falta de transparência no olhar e na escrita, consigo concordar com ele quando afirma que há palhaços neste país. Há, e conheço alguns (mas devem ser muitos, muitos mesmo) e o "pulha" passou para mim a ser mais um...
Para além ter apreciado deveras o seu texto, gostei hiperbolicamente da imagem 'que usa adjectivos para substituir as vértebras que lhe minguam'. Bem haja.
Unknown disse…
"Um dia habituamo-nos ao pulha."
Eu espero nunca habituar-me a ele!

Excelente texto.
Graza disse…
Que maravilha Carlos Esperança! Vai circular por aí na Net e eu serei um dos responsáveis. Não tanto pela defesa do ofendido com aquele texto escabroso "O palhaço" que prova aquilo que venho dizendo: a profissão de jornalista tem os dias contados, na forma como a conhecíamos, mas pelo qualidade da resposta. Não me parece no entanto que lhe tenha emitado tudo, a sua cultura fê-lo falhar no estilo que utilizou, isto é este, este foi sim ao estilo do grande Almada, o que Crespo bem tentou, mas não passou do medíocre Dantas.

Este reles escribas, medram sempre que têm alguém em quem zurzir, mas passando a oportunidade voltarão a chinelar. Há qualquer coisa de muito pérfido, muito mau, naquele homem, talvez um dia saibamos o quê, o que me faz dizer: volta Luis Delgado, estás perdoado.
Caro Graza:

Deixa-me sem palavras.Grato e sensibilizado.

Abraço.
Unknown disse…
Cada vez que futuramente passar pela coisa que faz de moderador, orador, centro de mesa, enfim tudo que de mais irracionalmente egocênctrico se possa atribuir àquele ser de olhar mesquinho e lábio trémulo, que debita aleivosias do alto de uma falsa cátedra, e que alma generosa e desinteressada decidiu atribuir um espaço de antena, sentir-me-ei vingado por este excelente retrato.
Graza disse…
E uma chapelada também para este comentário do Gentil...
A. Moura Pinto disse…
Parabéns... e não poderia deixar de aproveitar... com a devida vénia.
Crespo merece esta promoção.
Anónimo disse…
subscrevo todos bons comentarios anteriores!

de facto, alem do mais, texto magnifico...

ganda pulha, o dito...

abraço
Dário Nantes disse…
a dor da liberdade é dura...
Maria RHenriques disse…
E ainda é pouco o que se lhe pode chamar:

o caso Jn:-reflexão sobre a má fé e falta de principios: Parece que afinal mário crespo não nos disse da tal verd... http://bit.ly/bdeuOx
A. A. Barroso disse…
Não esqueçam que o (pulha) é apenas um serventuário assalariado do tio Balsemão que é, de facto, o mentor da campanha anti-Sócrates devido à lei anti-concentração dos meios de comunicação social que o corajoso P.M. se propõe publicar!E a pertinácia do P.M. obrigou Balsemão a sair da toca e a espumar de raiva na A.R. Além de toda a gama de serventuários que mobilizou,o tio Francisco tem agora o PSD e o BE a defender a causa dos seus interesses na A.R.(não esquecer que a Impresa está pejada de gente do B.E.). Não se vê gente independente a denunciar isto que é afinal o fulcro da guerra anti-Sócrates. O dito Pulha é apenas um dos pardalecos de que Balsemão dispõe.

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