Não é tanto assim... hoje estamos muuuuito melhor que no dia 24/04/1974. O problema é que, com mais 40 anos encima do lombo temos tendência para sobrevalorizar o passado, recordando as avalanches de esperança que éramos capazes de ter aos vinte anos de idade, esquecendo que esses níveis de esperança têm mais a ver com a juventude (a forma como a pessoa jovem encara o futuro) do que com a avaliação serena e racional do que estava a acontecer (a forma como a pessoa madura, experiente, encara o futuro). Entendeu, senhor Esperança?
A serenidade das imagens em que aparece Salgueiro Maia nesse dia, é de quem aquilo foi como que um passeio para quem como ele enfrentou as minas e obuses na batalha de Guidage na fronteira Guiné/Senegal (Russos, Cubanos, Senegaleses, Guineenses, e Caboverdeanos)
No Carmo eramos todos portugueses, daí a tranquilidade daquele militar e de toda a gente.
A grandeza e a humildade desse Homem, contrasta com tudo o que se seguiu: aproveitamentos de toda a ordem, vaidades idiotas e interpretações a gosto de cada um, abusos e usurpações...
Antes das 11 horas da manhã, uma numerosa comitiva de polícias, militares da GNR, e alguns outros do Exército, tomaram posições em frente à Igreja de Santa Cruz. Bem ataviados esperavam a hora de deixarem a posição de pé e mergulharem de joelhos no interior do templo do mosteiro beneditino cuja reconstrução e redecoração por D. Manuel lhe deu uma incomparável beleza. Não era a beleza arquitetónica que os movia, era a organização preparada de um golpe de fé definido pelo calendário litúrgico da Igreja católica e decidido pelas hierarquias policiais e castrenses. Não foi uma homenagem a Marte que já foi o deus da guerra, foi um ato pio ao deus católico que também aprecia a exibição de uniformes e a devoção policial. No salazarismo, durante a guerra colonial, quando as pátrias dos outros eram também nossas, não havia batalhão que não levasse padre. Podia lá morrer-se sem um último sacramento!? Éramos o país onde os alimentos podiam chegar estragados, mas a alma teria de seguir lim...
Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
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O problema é que, com mais 40 anos encima do lombo temos tendência para sobrevalorizar o passado, recordando as avalanches de esperança que éramos capazes de ter aos vinte anos de idade, esquecendo que esses níveis de esperança têm mais a ver com a juventude (a forma como a pessoa jovem encara o futuro) do que com a avaliação serena e racional do que estava a acontecer (a forma como a pessoa madura, experiente, encara o futuro).
Entendeu, senhor Esperança?
Quando veio o 25 de Abril eu já tinha mais de 30 anos, 4 anos e 4 dias de tropa, 26 meses de guerra colonial e 13 anos de participação política.
Por saber o que sei, nunca serei suficientemente grato aos militares de Abril e cáustico para quem os hostiliza.
A serenidade das imagens em que aparece Salgueiro Maia nesse dia, é de quem aquilo foi como que um passeio para quem como ele enfrentou as minas e obuses na batalha de Guidage na fronteira Guiné/Senegal (Russos, Cubanos, Senegaleses, Guineenses, e Caboverdeanos)
No Carmo eramos todos portugueses, daí a tranquilidade daquele militar e de toda a gente.
A grandeza e a humildade desse Homem, contrasta com tudo o que se seguiu: aproveitamentos de toda a ordem, vaidades idiotas e interpretações a gosto de cada um, abusos e usurpações...
Continuámos a ser nós!