Momento de poesia

FUMO


Na ponta escura, molhada,
mordiscada, do charuto
no fumo cinzento, ondulado,
de um cigarro,
no forte odor, cheio,
de um cachimbo

No fogo consumido, consumado
nos hábitos
dos dias indolentes que passam
nas esperas das pessoas
que não chegam
nas partidas adiadas
nos comboios sem estação
de carruagens vazias
nos cafés cheios de ninguém

Devorando insónias
na rotação do tempo
pensando por dentro do pensamento,
fugindo de mim ...
cigarro, charuto, cachimbo
enganam o tédio e a solidão…

Alexandre de Castro
Registado: IGAC/MC- 5467/2004

Comentários

Anónimo disse…
Belo na forma e verdadeiro no conteúdo. Mas há quem não consiga perceber isso!
Anónimo disse…
Por lapso, o comentário anterior saíu como "anónimo", quando na realidade é da minha autoria. Não está no meu feitio fazer comentários anónimos.
Anónimo disse…
...nos cafés cheios de ninguém.., isto antes da Lei, porque agora vão fechar.....

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