Ramalho Eanes – Um erro de casting
O 70.º aniversário de Juan Carlos, rei de Espanha por ironia da história, cidadão que goza de merecida simpatia, incluindo em Portugal, foi pretexto para que o Expresso entrevistasse os Presidentes da República Portuguesa, de Eanes a Cavaco.
Surpreendentes foram as declarações de Ramalho Eanes que, a dado momento, lamenta «que nem toda a Espanha política e civil terá interiorizado, como se esperaria e desejaria, que, como disse Herrero de Miñón, “o monarca vitalício e hereditário está melhor colocado que qualquer magistrado electivo para ser absolutamente neutral e independente”, para estar acima de todas as segmentarizações [sic] políticas e ser garante da continuidade e unidade nacional, indispensável, esta, até para manter os militares democraticamente nos quartéis».
Esqueçamos a dificuldade que Eanes tem com a clareza da expressão e a linguagem rebarbativa e pouco eufónica.
Que um Presidente da República se tenha tornado uma espécie de monarca é coisa que se absolve a Soares, mas que Ramalho Eanes se tenha tornado monárquico é sujar um passado honrado, desmerecer o papel digno que cumpriu e demonstrar que capitulou perante novas vassalagens.
O seu passado merecia que cuidasse mais da sua imagem histórica e menos das suas ligações à Universidade de Navarra.
Surpreendentes foram as declarações de Ramalho Eanes que, a dado momento, lamenta «que nem toda a Espanha política e civil terá interiorizado, como se esperaria e desejaria, que, como disse Herrero de Miñón, “o monarca vitalício e hereditário está melhor colocado que qualquer magistrado electivo para ser absolutamente neutral e independente”, para estar acima de todas as segmentarizações [sic] políticas e ser garante da continuidade e unidade nacional, indispensável, esta, até para manter os militares democraticamente nos quartéis».
Esqueçamos a dificuldade que Eanes tem com a clareza da expressão e a linguagem rebarbativa e pouco eufónica.
Que um Presidente da República se tenha tornado uma espécie de monarca é coisa que se absolve a Soares, mas que Ramalho Eanes se tenha tornado monárquico é sujar um passado honrado, desmerecer o papel digno que cumpriu e demonstrar que capitulou perante novas vassalagens.
O seu passado merecia que cuidasse mais da sua imagem histórica e menos das suas ligações à Universidade de Navarra.
Comentários
Ou seja em vez de ter tido um papel apagado tentou ter um papel activo de moderação...mas neutro
Tipo o que o Sampaio não conseguiu ao patrocinar a subida de Socrates ao poder ´...á custa de todos nós
Ou tipo, o papel humilhante do actual Presidente que não diz o que pensa nem é coerente com o passado pessoal...assina por baixo de tudo o que o PS faz e aceita ser substituido pelo Mário Soares em recepções oficiais
Se tivessemos um Rei tudo seria diferente...e o consulado de Eanes foi uma prova...não foi á toa que continua a swer o Presidente com maior aceitação eleitoral até hoje...90%
bem haja
O seu blogue é leitura obrigatória. Fico bem disposto, farto-me de rir com o que escreve.
Vamos agora ao texto:
Começo por dizer que não simpatizo com o Rei de Espanha, como tal devo ser um cidadão muito honrado.
O General Ramalho Eanes como simpatiza com ele manchou a sua honra.
Mais uma cacetada na democracia e na livre opinião.
Um dia o CE vai ser o inquisidor mor de um governo Sócrates.
De Ramalho Eanes (enquanto presidente da republica) só me lembro vagamente a fazer discursos à Nação com aquela sua dicção muito caracteristica.
O que não lembrava nem ao Diabo ( passo a expressão) é que um Presidente da Republica, o 1º após a Tirania (poder de um, obtido de forma violenta) Salazarista viesse um dia fazer a apologia das Monarquias ( poder de um só) e ainda por cima, monarquias hereditárias e vitalícias.
"carpent tua poma nepotes"
http://www.nobility-royalty.com/criticisms_and_benefits_of_monarchy.htm
Leiam do princípio ao fim e só depois prenunciem-se sobre o assunto (não faço como o Primeiro-Ministro que põe a carroça à frente dos bois: prenuncia-se e só depois lê, não reconhecendo que errou).
Não percebo como se pode ver, no seu exercício de PR, um "rei constitucional"...
Mais perto disso andou Mário Soares na sua indeflectível postura republicana.
Felizmente, não existe um problema de regime em Portugal.
As monarquias que persistem, essencialmente, na Europa, nem são propriamente uma infima parte do poder, mas tão somente o folclore do Poder.
A sucessão dinástica, por motivos de involução política, já infectou alguns regimes denominados de republicanos. Mas todos sabemos que tipos de sistemas políticos aí vigoram.
Ramalho Eanes faz-me lembrar um Putin (antecipado). Portanto não propriamente um rei, mas um "czar".
Também o general tentou sair da presidência para o governo, através da criação (na penumbra da presidência) um partido político (PRD).
Tudo acabou mal nesta estratégia, indigna de um "rei" constitucional e que foi perniciosa para a nossa República, na medida em que consprucou a separação dos poderes democráticos.
Poderá haver outras razões para a mudança de posição, legítima, entenda-se. Uma coisa é fazer coisas legítimas (em termos de opinião) outra é pretender que os "outros" as compreendam ou entendam.
O doutoramento em Navarra, tornou-o hermético na linguagem, redondo no raciocínio, incoerente nas conclusões. Sucede.
De facto, qualquer um de nós (e não só Eanes) pode subitamente trnasformae-se no "rei da idiotice, sem se aperceber.
É, como dizia alguém, a vida.
Para Filomeno:
A tranquilidade dos espanhóis sensatos é fictícia. Melhor do que entregar a protecção das Forças Armadas ao rei, seria democratizá-las. Sei que, com a carga histórica que pesa nas FFAA, é difícil. Mas não haverá outro caminho, verdadeiramente, "sensato".
Onde está:
"na medida em que consprucou a separação dos poderes democráticos.
Devia estar:
"na medida em que conspurcou a natural separação dos poderes democráticos.
Depois; são tão bonitas as fotografias da Holla e da Caras(Não sei se existe alguma revista chamada cus).
E ainda há o frou-frou da corte, que vai da Lapa a Sintra.
Tudo isto a propósito do rei que o Eanes gostaria de ver no sólio da pátria, o Pinto da Costa.
Viva a República!
vejam a opinião dos outros PR´s no mesmo jornal:
http://www.somosportugueses.com/index.php
o do Sampaio é bem pior
Pode-se dizer que a Republica está a esgotar-se em Portugal!
Chegou a haver um comentador no DN que chamou ao Rei de Espanha o "nosso Rei"
O nosso Rei é D. Duarte se a monarquia vier a ser restaurada e não o do lado...por muito que certos PR gostem
bem haja