Sócrates a la Guterres?

Sócrates quer mudar a imagem.
De "durão" quer passar a reflexivo, compreensivo, ponderado.

Assim manda agitar as águas por causa de uns euros de aumento das pensões dos reformados. (a propósito: ao contrário do que muitos pensam, o dinheiro das reformas é pago por quem está a trabalhar: sim aqueles que têm ordenados mais baixos e custos de vida mais altos que os ditos reformados tiveram nos seus dourados anos de trabalho (sobretudo para a minoria que fez cursos superiores...)

Com isso até nos esquecemos todos que afinal não haveria referendo ao Tratado.

Agora é verdadeiramente "cool": manda-se o LNEC fazer um estudo, a margem sul ganha por 4-3... e nem há direito a prolongamento... por exemplo para uma análise económica e ambiental... e o aeroporto vai directo para ali, violando as decisões de 3 ou 4 Governos anteriores que por ali passaram...)

Quem se atreverá agora a dizer que o PM é "teimoso" ou "arrogante"?
José Manuel Fernandes certamente que não!
Só se não tiver nenhum descaramento...

E atenção! Por este andar... esta direcção do PS ainda faz à Lei do tabaco o que Guterres fez à saudosa lei do álcool... em que matou o bebé à nascença, com isso mantendo Portugal numa má posição relativamente à sinistralidade rodoviária...

Sócrates: sê igual a ti mesmo! Aplica o programa para que foste eleito!

Comentários

Anónimo disse…
«Sócrates: sê igual a ti mesmo! Aplica o programa para que foste eleito!»


Isto é para ter piada, não é? Será que o pretendente a rival do Esperança na área da comédia, não se apercebe da contradição entre as duas frases? O sócretino é igual a si mesmo, se, e só se, não cumprir o programa para que foi eleito. O aumento dos impostos, a não criação de 150 mil empregos (mas antes a sua destruição e susbstituição por emprego precário) e a não convocação do referendo são algumas das promessas não cumpridas pelo sócretino. Portanto, fique descansado que o homenzinho vai continuar a ser igual a si mesmo: um cretino, manipulador, neoliberal de esquerda (ou «socialista moderno»), político de plástico, e, para alguns cronistas insuspeitos, um neo-fascista.
E se vai continuar a ser igual a si próprio então não se surpreenda se ele mudar a imagem, porque nisso ele é um especialista; porque ele não passa de um produto de marketing, de um «sabonete» criado e vendido pelas televisões (como profetizou o Emidio Rangel há uns anos atrás). No sócretino não há qualquer substância ou conteúdo ideológico, não há princípios éticos, mas apenas forma, estilo, isto é, propaganda.
Por isso, o homenzinho passa por ser de esquerda: é de esquerda no nome, na publicidade.
Mas cumprir um programa de um partido socialista seria pôr em prática politicas com preocupações sociais (como o emprego, a saúde e a educação). Portanto, não peça ao homenzinho para cumprir esse programa. Deixe-o lá continuar a ser igual a si próprio (um maquiavel de trazer por casa), e vocês, seus apoiantes e amigos (como os Varas, os Lamegos, e os Júdices convertidos ao socretinismo) continuem a mostrar-nos por que é que o que Portugal precisa é de uma ruptura política que separe as águas, como já está a acontecer na Alemanha. Quem já está farto de oportunistas de tachitas e de convertidos ao neoliberalismo agradece...
Anónimo disse…
Aliás, no próprio PS já se começam a ouvir vozes (muitos tímidas é certo) contra os sócretinos: depois da Ana Benavente, do Manuel Alegre, do Arnault, da Roseta, do Ferro, é agora a vez do Mário Soares se mostrar incomodado com a orientação política e ideológica deste governo. O sócretino lá vai dizendo que pertence à «esquerda moderna» e não à «esquerda conservadora», adjectivos e eufemismos que o que o querem dizer é que o homenzinho não pertence à esquerda socialista, mas sim ao centrão neoliberal que é movido apenas por interesses e pelo poder.
Se Soares meteu o socialismo na gaveta, a verdade é que é escusado pedir ao sócretino para a abrir. Qualquer pessoa mais atenta já percebeu que o sócretino deitou fora o móvel com as gavetas, e que os substituiu por um computador simplex com muitas imagens, muitos videos, muitos mp3, mas sem qualquer texto.
Anónimo disse…
Que eu saiba a famigerada lei do tabaco, ou melhor, lei anti-tabaco, não estava no programa!
E de facto o melhor era fazer-lhe o mesmo que à igualmente absurda lei do álcool do Guterres, que proibia 99% dos portugueses de conduzir automóvel! Espero que o Governo tenha o bom senso de a alterar, em termos de não reservar para os não fumadores praticamente a totalidade dos restaurantes e cafés, como se os fumadores não fossem também cidadãos como os outros. A manter-se a lei tal como está, com o meu voto escusam de contar! Est modus in rebus, ou, como dizem os franceses, "il faut savoir jusqu'où on peut aller trop loin!"
Anónimo disse…
Aqui o ahp não deixa de surpreender... O voto dele num dito partido socialista não está dependente das suas políticas económicas e sociais, mas sim da alteração da lei do tabaco! Não se importa com o não cumprimento de diversas promessas eleitorais (até as aplaude, como no caso da não convocação do referendo), mas já não admite que o impeçam de fumar nos espaços públicos (o que não deixa de ser irónico, pois a lei do tabaco é uma imposição vinda Europa). Isto, de facto, anda tudo doido!
Anónimo disse…
Pré-socrático:
O meu voto é e sempre foi livre, pois não estou vinculado a nenhum partido nem devo nada a nenhum deles; não me interessam promessas, cumpridas ou não cumpridas. O meu voto depende de concepções de vida: sou republicano, socialista e laico, desde muito antes do 25 de Abril, e até desde muito antes da fundação do Partido Socialista(sou por isso tavez muito mais "pré-socrático" do que V., que me parece mais "anti-socrático"!). Ora a lei do tabaco, tal como está redigida, é muito mais do que uma lei do tabaco; reflecte uma concepção de vida totalitária, violadora dos mais elementares direitos do homem, e discriminatória, dividindo os portugueses em cidadãos de 1ª e cidadãos de 2ª, ou pior ainda, em cidadãos e não-cidadãos. Portanto o que está em jogo é muito mais do que o tabaco.
Por outro lado, sou profundamente europeísta; mas, tal como o facto de ser português nunca me impediu de ser contra os Governos de Portugal, também o facto de ser europeu me não impede de ser contra as decisões dos eurocratas, designadamente com esta do tabaco, que é totalmente contrária às tradições liberais da Europa, cujos actuais (mas não vitalícios) dirigentes a importaram dos fundamentalistas-protestantes-evangelistas E.U.A..De facto, isto parece que anda tudo doido, mas como vê eu por mim guio-me por critérios que acho perfeitamente racionais.
Anónimo disse…
«não me interessam promessas, cumpridas ou não cumpridas. O meu voto depende de concepções de vida»


O ahp é o que se pode chamar um homem de fé... Vive de ideais e vota (ou costuma votar) naqueles que defendem esses ideais (como o partido socialista), ainda que, apesar de «defendidos», esses ideais depois não sejam postos em prática, e sejam, isso sim, negados.
Está aqui a explicação para o PS ser um partido de esquerda moderna: um partido com ideais «socialistas» e uma práxis neoliberal. É isto a esquerda moderna!


PS: Olhe, eu sou fumador, acho a lei exagerada, mas considero que há coisas mais importantes com que um «pré-socrático» se deve preocupar, como é o caso da importação do modelo económico-social americano para a europa (que é o que está gradualmente a acontecer). A doideira está em não saber reconhecer o que é fundamental.
Anónimo disse…
À lista de descontentes com este PS pode-se acrescentar mais um militante do PS (Medeiros Ferreira). A sua entrevista ao Público de hoje mostra como este PS se distanciou das causas e ideias de esquerda, para se preocupar apenas com a gestão das contas e a conquista do poder. Um partido de tachistas e de tecnocratas e sem ideologia, ao fim ao cabo.
Aqui fica um bocadinho da entrevista.




«Não falta humildade ao Governo, nomeadamente na apresentação das reformas? O reparo recente de Ferro Rodrigues tem razão de ser?

Não se pode pedir sacrifícios aos portugueses como quem gosta de sacrificar alguém. Os sacrifícios têm que ter objectivos concretos e têm que ser generalizados. O que tem de se fazer teria de ser distendido no tempo. As necessidades do equilíbrio orçamental existem, mas há uma filosofia que pede mais aos menos protegidos. Isso para mim é claro. Há uma tendência para tirar aos que têm menos força para se defender. O Ferro Rodrigues apontou uma característica que merece reflexão. A sociedade portuguesa não é uma sociedade em que se note que há justiça social. Aliás, já nem se fala de justiça social ou de solidariedade, o que é muito significativo. Estamos a caminhar para uma sociedade nua e crua com as consequências a posteriori que daí possam advir. Faz falta uma nova esquerda em Portugal. Quem quiser promover este modelo actual que o faça, mas grande parte do PS e da esquerda não pode ficar comprometida com esta gestão.


Há pouca esquerda neste PS?

Só poderemos medir o impacto deste modo de governação quando o PS voltar à oposição, com as bandeiras completamente destroçadas. Os efeitos serão desastrosos para o futuro do PS quando isso acontecer. A não ser que o PS se transforme num partido mexicano de reprodução permanente no poder. Então essa política está certa.»

Mensagens populares deste blogue

O Sr. Duarte Pio e o opúsculo

Coimbra - Igreja de Santa Cruz, 11-04-2017