Portugal, o Centrão e o Futuro
É assim por toda a Europa, sociais-democratas e conservadores a lutarem pelo poder, uns com mais preocupações sociais, outros com mais fé no mercado. De um lado há franjas que sonham com amanhãs que cantam e do outro as que ruminam vinganças e nostalgia.
É desta tensão dialéctica que nasce o progresso, a liberdade e o bem-estar num processo de amnésia que esquece o mal que já passou e despreza as conquistas colectivas. Sucede que, de forma inaceitável, cresce o número de excluídos e agrava-se o fosso que separa ricos e pobres, ora num processo violento de luta de classes, ora na apatia de azedume e ressentimento. A redução do fosso entre ricos e pobres não é só dever de solidariedade, é um acto de justiça e uma condição de paz social.
Não haverá paz sem justiça nem progresso sem liberdade.
É neste contexto que Portugal, um País com tradições autoritárias, gera uma multidão de ressentidos pouco ilustrados e facilmente manipuláveis que repetem queixas infundadas, difamam, maldizem e atiram pedras, escondendo a mão. A inveja e a calúnia são armas de cobardes e impotentes que se julgam impunes, escondidos no anonimato.
Vai longo o preâmbulo para abordar o odiado «Centrão» que todos parecem condenar mas que 80% dos eleitores sufragam sucessivamente. O escrutínio eleitoral é o único indicador fiável para avaliar quem o país quer e não o que cada um opina.
É em face disto que eu me interrogo se estaríamos melhor governados por um partido à esquerda do PS ou com o poder entregue à direita do PSD. Reflictamos sobre o País que somos, na certeza de que nenhum partido será o que cada um de nós desejaria nem fará de Portugal o que ambicionamos. E teremos de ser nós a fazer pelo país o que não pode ou não quer o Governo, este ou outro, sem exigir e impor o que os eleitores não querem.
Comentários
Nesse tempo eu era perseguido e o senhor? Era da União nacional?
Você começa por falar em oportunistas. Será que não os consegue ver no seu PS, a começar pelo seu líder (e amigos como o Vara)? Ele é o oportunista, por excelência, e daí que não seja nada surpreendente ele ser um espelho do vazio ideológico e da ausência de convicções políticas. O que lhe interessa é apenas o poder e o seu exercício, como a sua personalidade deslumbrada com o poder (porreiro, pá!) e provinciana confirmam.
É por isso que ele é um representante não de quem tem preocupações sociais, mas sim de quem tem fé no mercado. Porque é esta hoje a ideologia dominante. Quem tem princípios e um orientação politica clara e determinada procura resistir e lutar contra a «nova» ordem (que é mais velha que o marxismo, diga-se); quem não os tem pactua e diz-se de uma esquerda moderna e governa como qualquer partido de direita liberal governaria.
Tendo em conta isto, convinha que você reflectisse melhor sobre quem é que aqui é manipulado e não é, e quem é que aqui manipula os outros recorrendo a agências de intoxicação (como disse o insuspeito Barreto). Convinha você refletir melhor sobre o seu discurso que se apropria de palavras e significados de que a direita sempre se serviu para defender a sua ideologia, como é o caso da «inveja» e do «ressentimento» daqueles que sofrem e sentem o tal agravamento do fosso entre ricos. Como disse o Jorge Coelho (em sintonia com Pachecos e Xaviers), o problema não é haver gestores que ganham muito dinheiro; o que o «chateia» é haver muitas pessoas com salários baixos. Isto é uma cópia da cassete que a direita sempre pôs a tocar... E quem reclame mais justiça social, só pode ser um invejoso que detesta o sucesso alheio. Pois...
Termino dizendo que o poder do centrão (e você disse bem, pois já nem se pode falar de dois partidos distintos, mas apenas de um centrão) é um sintoma da degradação a que a política chegou. Porque, ao contrário do que você diz, as eleições não são o único indicador para avaliar o que as pessoas querem (caso contrário dir-se-ia que os abstencionistas não querem nada). De qualquer forma, hoje em dia, e perante a classe política que se governa (e não que nos governa), o dever cívico de alguém de esquerda é dizer «não» e «basta», e votar em quem ainda é de esquerda (só assim se evita a prática niilista dos centrões que se reclamam de pragmáticos). Quem se diz de esquerda e vota neste PS com a justificação de que é «um mal menor» que evita males piores, é alguém resignado e que desistiu de lutar por um mundo e vidas melhores, e que aceita qualquer política de direita desde que seja implementada por um partido chamado de socialista. Parece-me ser o seu caso, para quem já não há «amanhãs que cantam», para quem o «sonho já não comanda a vida», e que subscreve duas teses políticas (aparentemente contraditórias) da direita americana e que são a de que a história chegou ao fim e que há um choque de civilizações.
Caro Esperança, está na altura de você mudar o seu para para «Resignado» ou «Acomodado».
Com estas decisões, ainda acabamos por indemnizar, o Paulinho...porca justiça a nossa.
Adolf Hitler também se queixou, no "Mein Kampf", de ter sido perseguido. E o senhor? Também foi Nazi?
Era fácil adivinhar que à cultura democrática preferiu a do "Mein Kampf", e à honradez da identificação a comodidade do anonimato
Do Vara, nem vale a pena falar...o Carlos Esperança conhece-o, está em vantagem, ah ah ah ah...
Na realidade, não tarda, precisamos de novos Melos Antunes, para nos libertar da nova ditadura.
O referendo, do programa do governo, já era...os PS's, ficaram assustados e o Só-cretino, vai dizer, amanhã na AR
que referendo, nem pensar.
Homem de palavra, este Só-cretino.
Foi consultar o Prof. Karamba, está visto.
E uma das (diversas) razões para haver abstencionistas está relacionada com esse facto: eles sentem que nada podem contra esta classe política do centrão que partilha entre si os lugares do poder. Sentem que não vale a pena votar, porque têm a expectativa de que a alternância entre os partidos do centrão não resulta em qualquer modificação, ou numa verdadeira alternativa. Uma expectativa que é cada vez mais uma certeza, pois o que é prometido aos eleitores quando se está na oposição não é depois cumprido quando se chega ao poder. O Psócretino aí está, todos os dias, para o demonstrar.
Aliás, ontem e anteontem, este PS contribuiu fortemente para minar, ainda mais ,a credibilidade dos politicos (e para aumentar a abstenção), ao recusar fazer um referendo que prometeu, e ao insultar os pensionistas (muitos deles abstencionistas e há muito desiludidos, de certeza). Mas como sempre eles fazem o que fazem (na saúde, na educação, na segurança social) a pensar no nosso bem...
A degradação deste PS é tão grande que já não tem nada de surpreendente ver o Santana Lopes e o Portas a fazerem oposição de esquerda! O Santana tem razão: o sócretino é forte com os fracos, e fraco com os fortes. E o que isto quer dizer é que é apenas um fraco; um corrupto; um oportunista.
Mas claro que este PS e PSD são distintos: são distintos no nome. Só que até isso é contestável, pois nem um é socialista, nem o outro é social-democrata. São ambos, em suma, o centrão indiferenciado.
«Uma das intervenções mais comentadas foi a de António Vitorino. Argumentando que era contra o referendo, Vitorino ainda concordou com Seguro de que seria bom discutir o projecto e trazer para ele os cidadãos, mas concluiu que um referendo não seria mobilizador. A intervenção de Vitorino destacou-se pelo tom em que falou, visto como demasiado irónico e polémico por muitos dos presentes. Isto porque, a certa altura, dirigindo-se implicitamente a Seguro, questionou se o PS era mesmo um partido de esquerda. E sobre o facto de o PS ter prometido o referendo no programa eleitoral, Vitorino garantiu que podia estar em causa faltar a uma promessa eleitoral, mas era apenas mais uma promessa não cumprida. E referindo-se, sem nomear, a António Guterres, rematou: "É a vida, como dizia um amigo meu."»
Já estou a ver o euroburocrata, tecnocrata e ideólogo do PS degenerado e pragmático a rir-se, com aquele seu sorrisinho cínico, de todos os idiotas úteis que ainda acreditam que o PS é um partido de esquerda.