Ramalho Eanes referiu como trágica a descolonização em que «milhares de pessoas foram obrigadas a partir para um país que não era o seu». Tem razão o ex-PR cujo papel importante na democracia e o silêncio o agigantou depois da infeliz aventura por interposta esposa na criação do PRD e da adesão à Opus Dei, sempre por intermédio da devota e reacionaríssima consorte, que devolveu o agnóstico ao redil da Igreja. Eanes distinguiu-se no 25 de novembro, como Dinis de Almeida no 11 de março, ambos em obediência à cadeia de comando: Costa Gomes/Conselho da Revolução . Foi sob as ordens de Costa Gomes e de Vasco Lourenço, então governador militar de Lisboa, que, nesse dia, comandou no terreno as tropas da RML. Mereceu, por isso, ser candidato a PR indigitado pelo grupo dos 9 e apoiado pelo PS que, bem ou mal, foi o partido que promoveu a manifestação da Fonte Luminosa, atrás da qual se esconderam o PSD e o CDS. Foi nele que votei contra o patibular candidato do PSD/CDS, o general Soares...
Comentários
O PS deve estar agradecido à argúcia e à falsidade de Durão Barroso.
Desertou para Bruxelas, protestando que apoiava António Vitorino para presidente da Comissão Europeia, e deixou o PSD orfão.
Bem, ficou por cá Pedro Santana Lopes que, passo a passo, foi construindo a maioria absoluta de José Sócrates...sob o olhar atento de jorge Sampaio.
Foi uma oportunidade única. Que não se repete.
No actual momento - mesmo com um PSD amorfo, sem alma e sem projecto nacional - as coisas tornaram-se mais difíceis.
Agora, é preciso lutar pela maioria simples.
A usura do poder, bem como a crise económica que, inexplicavelmente, favorece a Direita - quando não a extrema-Direita - tornaram as legislativas num quebra-cabeças.
É que para o PS elaborar um programa de governo para os próximos 4 anos, pejado de charadas no que diz respeito à estabilidade financeira, associado à incerteza do fim da recessão e mantendo-se enigmático quanto à estabilidade orçamental, o dito programa deve assemelhar-se s um oráculo de Delfos, do tipo:
"Se amanhã não chover é provável que faça sol!"
Falar do passado, das reformas tentadas, vai ser o mais fácil. Falar do último ano, da recessão, do desemprego, dos problemas sociais, da exclusão, da pobreza (continuamos com 2 milhões de portugueses com fome, ou estes números já se alteraram?).
Mas um programa de governo tem de perspectivar o futuro.
Tarefa que, neste momento, parece impossível.
O PSD e o CDS/PP não precisam de nada disso!
Basta-lhes, seguirem os trilhos habituais da Direita. Explorarem a demagogia. O que, para já, ainda colhe votos em Portugal...