A incrível “estatégia Fénix”.


A palavra-chave da campanha PSD era, em princípio, RENOVAR.

Este "renovar" tem características muito particulares...

Renovar para o PSD é branquear o passado, "apagar" as imagens menos favorecedoras das suas actuais verdades - ontem mentiras, eliminar do retrato as figuras incómodas (técnica dita "estalinista" mas que o photoshop vulgarizou), aquilo que tenho afirmado como “a estratégia de Fénix” .

O PSD, tal como essa ave mitológica, entra em combustão e, como num crematório, reduz-se a cinzas…
Mas Fénix, continuando no domínio da mitologia, ergue-se das cinzas, e transporta os restos do seu pai ao altar do deus Sol, algures no Egipto Antigo.

O PSD também usa, quando se apresenta aos cidadãos, "este" estratagema. Cada vez que se pretende renovar, primeiro desintegra-se e, depois, num estafado ritual transporta os restos de Sá Carneiro...ao altar da "social-democracia"!.

Assim, Fénix, como o PSD, tem uma vida atribulada, uma conduta titubeante e efémera, mas em público, "renasce" puro, imaculado, sem manchas ou nódoas…. Virginal!

Parece que os velhos PSD's, nasceram ontem, há instantes, para a política vindos das profundezas de um mar de virtudes ou de um idílico Éden a “cavalo” da citada Fénix.

A imolação dos seus maiores, como fazem periodicamente com Sá Carneiro, faz parte dos rituais intrínsecos das sucessivas e múltiplas renovações que tem sofrido. A diferença é que hoje ser social-democrata, liberal, ou neo-liberal, pouco importa.
A demagogia e o populismo conquistaram o "coração" da máquina partidária. Paulo Rangel é o exemplo acabado desta mutação. Manuela Ferreira Leite é a "velha senhora" que tudo controla, mas quase não se vê...

O PSD não tem passado. Ou, melhor, tem um dificil passado que, neste momento, prefere enjeitar.
Não reconhece – em nome da verdade que os portugueses foram julgando em actos eleitorais depois do 25 de Abril - ser o precursor de algumas das funestas hecatombes governativas portuguesas. Só no início deste imberbe século conta com dois inolvidáveis protagonistas: Durão Barroso e Pedro Santana Lopes.

Quem renega o passado, não tem futuro.

O PSD de cada vez que tenta capturar o poder, inicia um dramático renascimento das próprias cinzas e o "branqueamento" - quando não a eliminação - do passado.

No já longo caso PT/TVI a interferência, no passado, da ex-ministra das Finanças do governo PSD, Manuela Ferreira Leite, através da Lusomundo Media - então no grupo PT, é para esquecer. Henrique Granadeiro foi incoveniente em recordá-la... Estragou-lhe a "estratégia da Fénix" tão cuidadosamente preparada. Esse era um dos tais episódios "apagados"...

O PSD prefere sacrificar-se, ao burlesco slogan dos actuais dirigentes – o "renovacionismo retrógado" - que evocando a uma verdade, construída de modo ardiloso e criativo, vem a torto e a direito, muitas vezes o faz em vão, ou, inopinadamente nos ofendendo a memória dos cidadãos.

Esta foi a escolha da Dr.ª Ferreira Leite…

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