Vila Flor, o PR e D. Afonso Henriques

O Presidente da República prometeu ser fiel e dedicado depositário da Medalha da Cidade em Ouro que a Câmara Municipal atribuiu ao Rei D. Afonso Henriques.

Perguntas: Como poderia ser infiel e não dedicado? A medalha foi atribuída um pouco tarde e desconhece-se a reacção do galardoado, ou o PR responde por ele?

Ainda na sua intervenção, o Presidente da República exortou os portugueses a seguirem o exemplo do Rei D. Afonso Henriques para vencerem as dificuldades actuais.

Pergunta: Qual exemplo? Conquistar terras aos mouros ou bater na mãe?

Comentários

André Pereira disse…
Sonhar mais alto e construir uma nação! Ser um herói do seu tempo e emancipar-se do jugo de Leão!
ana disse…
Foram também muito engraçadas as respostas ensaiadas das criancinhas à pergunta: o que faz um presidente? Para além de todas acharem que um presidente é um governante imaculado, uma, mais ingénua e certamente repetindo o que ouve em casa ou na escola, respondeu que um presidente...resolve a crise.
ahp disse…
Ua vez que se trata de "vencer as dificuldades actuais", o PR devia estar a referir-se às 4 onças de ouro que D. Afonso Henriques ficou a dever ao Papa e nunca pagou. Parece pois que está a sugerir que, para vencer a crise, "ferremos o calote" a quem devemos!
Ana e AHP:

Já fez o mesmo discuro com Santo Pereira.

Eu bem queria seguir os conselhos do PR, se tivessem nexo.
André Pereira disse…
o Santo Pereira não sou eu... OK!?
André:

Faltam-te dois milagres e apoiar uma ditadura.
e-pá! disse…
DE "VOLTA" O PAÍS DOS COMENDADORES, DAS HONRARIAS, DAS MEDALHINHAS DEVOTAS, DO BEIJA-MÃO, DOS SALAMALEQUES...?

Este caso da atribuição de uma medalha de ouro que Vila Flor decidiu atribuir ao nosso primeiro rei, não poderá deixar de ser, no contexto da tradição e regras de dispensa de honrarias e no aspecto protocolar, digna de algum motejo.

Na verdade, Afonso Henriques andou a batalhar contar o reino de Leão e os reinos mouros, dependentes do califado de Córdova, a fim de "construir", primeiro, o condado e, depois, reino de Portugal.
Percorreu este rincão a distribuir forais que garantissem o suporte humano e a fortificá-lo com castelos para assegurar a defesa do exterior...
Nem chegou a ser rei de Portugal e dos Algarves... Ficou só por Portugal.

Ao "fundador da Pátria" não se atribuem honrarias - se bem que bem intencionadas.
O que pensariamos de o presidente da Junta de Buliqueime agraciasse o presidente da República com título de “falador” [*] de honra, já que é algarvio.
É o nosso atavismo histórico...a puxar-nos para o inconveniente, o impróprio…a “armar” ao pingarelho.

Se Vila Flor encontra motivos para prestar homenagem a D. Afonso Henriques, deveria encontrar outros procedimentos que não o atribuir-lhe uma coisa que o "Fundador" nunca conheceu - a medalha da Cidade - nem tornar-se árbitro militar da Batalha de S. Mamede, ao fim e ao cabo uma disputa entre mãe e filho, pela posse do condado portucalense, embrião da nossa nacionalidade.

Se estivesse voz em Vila Flor sugeria que lhe erguessem um modesto (que os tempos não dão para mais), mas sincero, monumento evocativo.

Mas, nos velhos tempos medievos da cavalaria, como penso que agora, um aio não agracia um rei. Evoca-o, curva-se, respeitosamente, na sua presença ou sob a sua memória.

Embora, não seja proibido por qualquer lei, não frequentamos a praia de fraque…

O desejo de agradar, de respeitar os nossos egrégios antepassados, é importante.
Mas o bom senso faz muita falta. Tanto aos autarcas de Vila Flor como ao PR que, insensivelmente, se aproxima, de um burlesco e parodiado almirante… que, por acidente histórico e nosso descontentamento, passou por Belém.

[*] faladores... - termo usado na gíria popular para se referir aos algarvios...
Mano 69 disse…
O milagre da inteligência e o da saúde...

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