a censura da embriaguês precoce...


O CDS “embebedou-se” com os resultados das últimas eleições europeias.
E tendo ingerido uma dose excessiva de auto-confiança, lança-se numa moção de censura ao Governo, como se nos últimos tempos o exercício do executivo tivesse ido a algum escrutínio.

Quer ocupar o seu espaço à Direita e quer impor uma estratégia partidária ao País.
Esta moção de censura é uma escabrosa inutilidade. Até porque dentro de pouco tempo vai ser discutido o “Estado da Nação”. O que torna a moção ainda pior do que inútil. Torna-a inconveniente, uma tentativa de antecipação saloia, própria dos impacientes.
Mas não fica por aqui a petulância do CDS.

Aproveita o Parlamento para fazer chicana política. As propostas que veicula são a substituição de ministros que “não gosta” Segue-se um debate morno. Daquelas reuniões, a que todos já fomos, onde alguém, por incúria, se esqueceu da ordem do dia e a discussão dispersasse por futilidades.

E, nós portugueses, vivendo uma crise económica social profunda, vítimas de taxas de desemprego que não conhecíamos, vamos suportar esta feira de vaidades?
Os portugueses assistiram a quê? A uma gigantesca batalha naval no palco parlamentar?

Os partidos à esquerda do PS – aqueles que efectivamente ganharam votos nas últimas europeias – ainda tentaram discutir políticas sociais.
Em vão, o CDS queria avaliar do estado psicológico do PS. E orientou todo o tempo útil da moção para este movediço campo.

Julgo que o PS mostra sinais de preocupação, precisa de fazer a catarse dos seus erros, mas ao contrário do que esperaria Paulo Portas, não entrou em estado de profunda depressão.

É que, ao contrário do que o CDS/PP sonha, durante estes 4 anos algo mudou.
A mudança precisa de ser descodificada calmamente e objecto de numa discussão politica serena e civilizada.
Não é um problema para ser regateado numa feira, num ambiente recheado de apartes do Paulinho, na figura de falso abstémio que engole uns copos, por favor ou para agradar ao eleitor. E engole sem se engasgar….

É por estas e por outras que, de peito crescido, desnorteia e apresenta moções de censura, como quem se despede…
Isso mesmo: como quem se despede…

Comentários

E ninguém lhe atirou à cara com o ruinoso negócio dos submarinos?
polytikan disse…
pp foi de facto ultrapassado pelo seu delfim. está aberta a luta pela sucessão no cds-pp. as lágrimas compreendem-se perfeitamente e a moção de censura é um exercício de impotência política.

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