Governo não desfeiteará Cavaco

O Presidente da República Cavaco Silva advertiu esta terça-feira para o «preço elevadíssimo» a pagar pela UE, em caso de fracasso do Tratado de Lisboa, que só pode entrar em vigor depois de ratificado por todos os 27 Estados membros.

NÃO HÁ REFERENDO.

Comentários

Anónimo disse…
Sócrates e a liberdade
«O primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.»

O texto de ANTÓNIO BARRETO, publicado ontem no "Público", é de leitura obrigatória.
Camarelli disse…
Claro que não há referendo: a derrota seria certa.
e-pá! disse…
CE:

O Governo não desfeitará Cavaco?
E os portugueses, não contam?

A "história da carochinha" contada por Sócrates é inacreditável...
O PS - foi enquanto candidato do PS às Legislativas que se pronunciou - comprometeu-se referendar o Tratado Constitucional Constitucional Europeu, que dava continuidade aos acordos de Maastricht e de Nice, julgados insatisfatórios para consolidar a UE.
O interesse nacional foi, por sucessivos governos agrupado em 4 princípios:
- da igualdade dos Estados;
- da coesão;
- da solidariedade;
- do equilíbrio institucional.

Como, naqueles jogos de infância da "batalha naval", este Tratado, foi, pela França e Holanda, mandado ao "fundo".
Portugal - e de resto os restantes Países Europeus - que estava na senda do referendo "travou" às 4 rodas.
Os conservadores, a Direita, capitaneada por Merck e Sarkozy, arranjaram um estragema. Um mini-tratado, onde se pegava no texto incial e, com expedientes de bastidores, tornava-se o mesmo ilegível (para os cidadãos europeus), mas extremamente funcional para os tecnocratas e burocratas que infestam às organizações políticas da UE.

Sócrates, fez de encomenda este trabalho, durante a presidência portuguesa da UE. Com eficiência, temos de reconhecer.
Agora, vir com a alegoria de que o "Tratado de Lisboa", não tem nada a ver com o Tratado Constitucional, é espantoso.
De facto, como todas as rábulas tem um fundo de verdade. O actual tratado mais parece uma charada indecifrável.
Portanto, em questões semânticas, poderá não ter havido quebra de compromisso. Um problema para os filólogos e linguistas.

E, no campo político?
Pergunta-se:
Seria possível tratar os cidadãos como seres com raciocinio, capazes de pensar e, não, como tolos, ou tontos?

Se, por mero acaso, que não me parece previsível, a Irlanda que, constitucionalmente, é obrigada a referendá-lo, o rejeitar - qual será a próxima história?
A da "Branca de Neve e os 7 ladrões"?

Ou excluimos da UE a Irlanda por excesso de zelo democrático...
Anónimo disse…
Por mim, acho contraproducente fazer um referendo. Em 1º lugar porque, contrariamente ao que ingenuamente se poderia pensar,o referendo não é um instrumento democrático, mas sim populista e demagógico; a própria Constituição salazarista foi aprovada por referendo (é certo que as abstenções contavam como votos a favor...) De Gaulle - por quem aliás tenho grande admiração - governava quase ditatorialmente, em pleno regime democrático, através de referendos, antes dos quais ameaçava que se os franceses respondessem "não" se demitia. Em 2º lugar porque a história dos referendos em Portugal é tristíssima: creio que ainda nenhum foi vinculativo, por se terem abstido mais de metade dos eleitores. Em 3º lugar porque o tratado é complicado e quase ninguém se deu ao trabalho de o ler; assim, o que iria acontecer é que iriam votar "não" todos aqueles a quem fecharam as maternidades, todos aqueles cujo ordenado não subiu tanto como desejavam, aqueles cujas corporações não foram beneficiadas , aqueles que pretendiam reformar-se aos 50 anos e agora já não podem, e, enfim, todos aqueles que não gostam do Eng. Sócrates. Sempre por razões que nada têm a ver com o Tratado. Ora nós elegemos os órgãos de soberania para nos representarem; delegámos neles a nossa soberania; por isso eles têm toda a legitimidade para decidir se rartificam ou não o tratrado.
Anónimo disse…
Talvez seja melhor assim... Pode ser que o não cumprimento de mais uma promessa eleitoral abra os olhos de muitos que ainda acreditam na «verticalidade» e nas palavras do sócretino, que diz umas coisas e faz outras.
A máquina de propaganda montanda pelo sócretino tem conseguido enganar muita gente a propósito das medidas que tem vindo a tomar na educação, na saúde, no mundo do trabalho, etc. Só que agora a(s) desculpa(s) esfarrapada(s) para não cumprir esta promessa eleitoral só consegue(m) enganar os (absolutamente) burros: os burros que acreditam que uma coisa é a Constituição Europeia, e que outra é o «histórico» Tratado de Lisboa. E não há ninguém que goste de ser tratado como burro...
O modo de agir e fazer política do socretino está à mostra: o autor do seu livro de cabeceira não é nenhum autor socialista ou de esquerda; só pode ser, como é evidente, o Maquiavel. O centrismo, a flexibilidade ideológica, o «modernismo» e o pragmatismo do sócretino são os «ismos» que estão presentes num discurso duma «esquerda» degenerada, e cujo verdadeiro «ismo» que a conduz é o carreirismo (e o tachismo, já agora).
Os idiotas úteis começam a sentir-se revoltados por se reconhecerm ao espelho; os que gostam de ser idiotas úteis sentem-se cada vez mais felizes e contentes, pois é da sua natureza sentirem-se tanto mais felizes quanto mais idiotas forem. Estes são em suma os só cretinos.
CA disse…
Chumbar o tratado de Lisboa pode ser o princípio do fim da União Europeia.

Não creio que o tratado tenha algo que justifique o seu chumbo e não vi ainda críticas que justifiquem pôr em risco uma União que nos trouxe mais benefícios do que temos consciência.

Se não gostamos da União Europeia podemos sempre referndar a saída de Portugal deixando os outros países prosseguir o seu caminho.
Anónimo disse…
Pessoalmente sou contra o referendo, porque o mesmo seria (seguramente) não vinculativo e significaria, apenas, o gasto de alguns milhões de €uros, desnecessariamente.
As justificações (no tom crispado, habitual quando se sente acossado) do Sr. Eng. Primeiro-ministro são típicas dos políticos sem vergonha da nossa praça, que mudam de opinião ao sabor do vento...
e-pá! disse…
Não podemos é viver sempre na corda bamba e no equilibrismo.

Gostaria que o Governo publicasse um manual onde explicitasse quando um referendo é acto democrático, quando é um impecilho ou mesmo uma traição à democracia representativa.
Assim, ficavamos todos mais descansados, esclarecidos e evitavamos argumentações espúrias de última hora ao sabor do vento.
Já agora uma sugestão:
O Prof. Augusto Santos Silva parece-me a pessoa "talhada" para fazer esse "manual".
Anónimo disse…
Entre as várias desculpas esfarrapadas para não fazer o referendo, o sócretino, para além de dizer (aos burros) que este tratado é diferente da Constituição europeia, invocou a ética da responsabilidade.
È conhecida a distinção feita por Max Weber (mas não só) entre a ética das convicções e a ética da responsabilidade. Pela primeira respeitam-se príncípios; pela segunda tem-se em conta os resultados e as consequências das decisões tomadas.
Ora, está mais que visto que o sócretino não segue qualquer ética das convicções: o homenzinho não tem princípios éticos nem ideológicos, e, por isso mesmo, não cumpre as promessas que fez ao eleitorado, e não tem valores determinados. É um pragmático, no pior dos sentidos. Ele age e toma decisões de acordo com as suas conveniências e de acordo com as circunstâncias que lhe forem mais favoráveis - se Guterres ficou conhecido pelos seus zigues-zagues nas suas decisões, o sócretino ficará conhecido pelos seus zigues-zagues morais.
Mas em que consiste a «ética» da responsabilidade do sócretino? Consiste, como eu já disse no outro comentário, numa ética defendida por um qualquer Maquiavel. As decisões sócretinas são sempre tomadas de forma calculista e oportunista, pois o que as determina são as eventuais consequências para o seu poder. Daí que a máxima socretina seja a conhecida máxima maquiavélica: os fins justificam os meios. Neste caso concreto do referendo, ele até pôs a possibilidade de o fazer, pois sabia que em Portugal a sua aprovação não estaria em causa, podendo assim apresentar-se como vencedor de mais uma causa. Só que como os alemães e franceses deram ordens ao socretino para não o fazer, o que passou a estar em causa foi a possibilidade de ele contribuir para a não ratificação do tratado, e lá se ia o momento «histórico»... Ou seja, o «prestígio» e «poder» do sócretino saíam abalados. Como os fins justificam os meios, a manutenção da imagem de europeu e vencedor do sócretino exigia que ele obedecesse aos seus camaradas ideológicos (Sarkozy e Merkel). E como toda vida do sócretino revela, ele decidiu uma vez mais em função do seu carreirismo político. É um gajo porreiro, pá!
Vítor Ramalho disse…
Mas não advertiu para o preço elevadíssimo que todos nós vamos pagar com a aprovação do tratado.
O CE, tanto lutou para que o Cavaco não fosse eleito e ele agora revela-se um grande amigalhaço. Para quem tivesse duvidas temos mesmo uma maioria um governo um presidente.
Declaração de voto: Eu não votei em nenhum deles.

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