Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
Comentários
«O primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.»
O texto de ANTÓNIO BARRETO, publicado ontem no "Público", é de leitura obrigatória.
O Governo não desfeitará Cavaco?
E os portugueses, não contam?
A "história da carochinha" contada por Sócrates é inacreditável...
O PS - foi enquanto candidato do PS às Legislativas que se pronunciou - comprometeu-se referendar o Tratado Constitucional Constitucional Europeu, que dava continuidade aos acordos de Maastricht e de Nice, julgados insatisfatórios para consolidar a UE.
O interesse nacional foi, por sucessivos governos agrupado em 4 princípios:
- da igualdade dos Estados;
- da coesão;
- da solidariedade;
- do equilíbrio institucional.
Como, naqueles jogos de infância da "batalha naval", este Tratado, foi, pela França e Holanda, mandado ao "fundo".
Portugal - e de resto os restantes Países Europeus - que estava na senda do referendo "travou" às 4 rodas.
Os conservadores, a Direita, capitaneada por Merck e Sarkozy, arranjaram um estragema. Um mini-tratado, onde se pegava no texto incial e, com expedientes de bastidores, tornava-se o mesmo ilegível (para os cidadãos europeus), mas extremamente funcional para os tecnocratas e burocratas que infestam às organizações políticas da UE.
Sócrates, fez de encomenda este trabalho, durante a presidência portuguesa da UE. Com eficiência, temos de reconhecer.
Agora, vir com a alegoria de que o "Tratado de Lisboa", não tem nada a ver com o Tratado Constitucional, é espantoso.
De facto, como todas as rábulas tem um fundo de verdade. O actual tratado mais parece uma charada indecifrável.
Portanto, em questões semânticas, poderá não ter havido quebra de compromisso. Um problema para os filólogos e linguistas.
E, no campo político?
Pergunta-se:
Seria possível tratar os cidadãos como seres com raciocinio, capazes de pensar e, não, como tolos, ou tontos?
Se, por mero acaso, que não me parece previsível, a Irlanda que, constitucionalmente, é obrigada a referendá-lo, o rejeitar - qual será a próxima história?
A da "Branca de Neve e os 7 ladrões"?
Ou excluimos da UE a Irlanda por excesso de zelo democrático...
A máquina de propaganda montanda pelo sócretino tem conseguido enganar muita gente a propósito das medidas que tem vindo a tomar na educação, na saúde, no mundo do trabalho, etc. Só que agora a(s) desculpa(s) esfarrapada(s) para não cumprir esta promessa eleitoral só consegue(m) enganar os (absolutamente) burros: os burros que acreditam que uma coisa é a Constituição Europeia, e que outra é o «histórico» Tratado de Lisboa. E não há ninguém que goste de ser tratado como burro...
O modo de agir e fazer política do socretino está à mostra: o autor do seu livro de cabeceira não é nenhum autor socialista ou de esquerda; só pode ser, como é evidente, o Maquiavel. O centrismo, a flexibilidade ideológica, o «modernismo» e o pragmatismo do sócretino são os «ismos» que estão presentes num discurso duma «esquerda» degenerada, e cujo verdadeiro «ismo» que a conduz é o carreirismo (e o tachismo, já agora).
Os idiotas úteis começam a sentir-se revoltados por se reconhecerm ao espelho; os que gostam de ser idiotas úteis sentem-se cada vez mais felizes e contentes, pois é da sua natureza sentirem-se tanto mais felizes quanto mais idiotas forem. Estes são em suma os só cretinos.
Não creio que o tratado tenha algo que justifique o seu chumbo e não vi ainda críticas que justifiquem pôr em risco uma União que nos trouxe mais benefícios do que temos consciência.
Se não gostamos da União Europeia podemos sempre referndar a saída de Portugal deixando os outros países prosseguir o seu caminho.
As justificações (no tom crispado, habitual quando se sente acossado) do Sr. Eng. Primeiro-ministro são típicas dos políticos sem vergonha da nossa praça, que mudam de opinião ao sabor do vento...
Gostaria que o Governo publicasse um manual onde explicitasse quando um referendo é acto democrático, quando é um impecilho ou mesmo uma traição à democracia representativa.
Assim, ficavamos todos mais descansados, esclarecidos e evitavamos argumentações espúrias de última hora ao sabor do vento.
Já agora uma sugestão:
O Prof. Augusto Santos Silva parece-me a pessoa "talhada" para fazer esse "manual".
È conhecida a distinção feita por Max Weber (mas não só) entre a ética das convicções e a ética da responsabilidade. Pela primeira respeitam-se príncípios; pela segunda tem-se em conta os resultados e as consequências das decisões tomadas.
Ora, está mais que visto que o sócretino não segue qualquer ética das convicções: o homenzinho não tem princípios éticos nem ideológicos, e, por isso mesmo, não cumpre as promessas que fez ao eleitorado, e não tem valores determinados. É um pragmático, no pior dos sentidos. Ele age e toma decisões de acordo com as suas conveniências e de acordo com as circunstâncias que lhe forem mais favoráveis - se Guterres ficou conhecido pelos seus zigues-zagues nas suas decisões, o sócretino ficará conhecido pelos seus zigues-zagues morais.
Mas em que consiste a «ética» da responsabilidade do sócretino? Consiste, como eu já disse no outro comentário, numa ética defendida por um qualquer Maquiavel. As decisões sócretinas são sempre tomadas de forma calculista e oportunista, pois o que as determina são as eventuais consequências para o seu poder. Daí que a máxima socretina seja a conhecida máxima maquiavélica: os fins justificam os meios. Neste caso concreto do referendo, ele até pôs a possibilidade de o fazer, pois sabia que em Portugal a sua aprovação não estaria em causa, podendo assim apresentar-se como vencedor de mais uma causa. Só que como os alemães e franceses deram ordens ao socretino para não o fazer, o que passou a estar em causa foi a possibilidade de ele contribuir para a não ratificação do tratado, e lá se ia o momento «histórico»... Ou seja, o «prestígio» e «poder» do sócretino saíam abalados. Como os fins justificam os meios, a manutenção da imagem de europeu e vencedor do sócretino exigia que ele obedecesse aos seus camaradas ideológicos (Sarkozy e Merkel). E como toda vida do sócretino revela, ele decidiu uma vez mais em função do seu carreirismo político. É um gajo porreiro, pá!
O CE, tanto lutou para que o Cavaco não fosse eleito e ele agora revela-se um grande amigalhaço. Para quem tivesse duvidas temos mesmo uma maioria um governo um presidente.
Declaração de voto: Eu não votei em nenhum deles.