Tratado de Lisboa da UE. Opinião de um leitor (2)
Por mim, acho contraproducente fazer um referendo.
Em 1º lugar porque, contrariamente ao que ingenuamente se poderia pensar, o referendo não é um instrumento democrático, mas sim populista e demagógico; a própria Constituição salazarista foi aprovada por referendo (é certo que as abstenções contavam como votos a favor...).
De Gaulle – por quem aliás tenho grande admiração – governava quase ditatorialmente, em pleno regime democrático, através de referendos, antes dos quais ameaçava que se os franceses respondessem "não" se demitia.
Em 2º lugar porque a história dos referendos em Portugal é tristíssima: creio que ainda nenhum foi vinculativo, por se terem abstido mais de metade dos eleitores.
Em 3º lugar porque o tratado é complicado e quase ninguém se deu ao trabalho de o ler; assim, o que iria acontecer é que iriam votar "não" todos aqueles a quem fecharam as maternidades, todos aqueles cujo ordenado não subiu tanto como desejavam, aqueles cujas corporações não foram beneficiadas, aqueles que pretendiam reformar-se aos 50 anos e agora já não podem, e, enfim, todos aqueles que não gostam do Eng. Sócrates.
Sempre por razões que nada têm a ver com o Tratado.
Ora nós elegemos os órgãos de soberania para nos representarem; delegámos neles a nossa soberania; por isso eles têm toda a legitimidade para decidir se ratificam ou não o tratado.
a) ahp
Em 1º lugar porque, contrariamente ao que ingenuamente se poderia pensar, o referendo não é um instrumento democrático, mas sim populista e demagógico; a própria Constituição salazarista foi aprovada por referendo (é certo que as abstenções contavam como votos a favor...).
De Gaulle – por quem aliás tenho grande admiração – governava quase ditatorialmente, em pleno regime democrático, através de referendos, antes dos quais ameaçava que se os franceses respondessem "não" se demitia.
Em 2º lugar porque a história dos referendos em Portugal é tristíssima: creio que ainda nenhum foi vinculativo, por se terem abstido mais de metade dos eleitores.
Em 3º lugar porque o tratado é complicado e quase ninguém se deu ao trabalho de o ler; assim, o que iria acontecer é que iriam votar "não" todos aqueles a quem fecharam as maternidades, todos aqueles cujo ordenado não subiu tanto como desejavam, aqueles cujas corporações não foram beneficiadas, aqueles que pretendiam reformar-se aos 50 anos e agora já não podem, e, enfim, todos aqueles que não gostam do Eng. Sócrates.
Sempre por razões que nada têm a ver com o Tratado.
Ora nós elegemos os órgãos de soberania para nos representarem; delegámos neles a nossa soberania; por isso eles têm toda a legitimidade para decidir se ratificam ou não o tratado.
a) ahp
Comentários
O Povo já provou que se está a borrifar para os referendos, não faz parte da sua "cultura democrática", perder tempo porquê?
Claro que isto é uma faca de dois gumes (em política é sempre), pois mesmo sendo nós um povo que se demite sempre das suas responsabilidades políticas e de cidadania, numa postura de acefalia e de imaturidade deprimentes, não quer dizer que depois não venha exigir, qual menino mimado, a responsabilidade ao "pai" que tomou a decisão por ele.
Mas também isto interessa ao Sócrates. Ele sabe muito bem que o resultado do referendo seria o julgamento da sua acção política de governo e não a aprovação do tratado. E aí, como as coisas não estão nada fáceis, ele prefere adiar esse julgamento para a hora certa das eleições legislativas de 2009. Chamem-lhe tolo...
Não concordo é com as razões apresentadas pelo ilustre para chegar a tal conclusão.
Em 1º lugar , salvo melhor opinião, penso que AHP faz confusão entre um plebiscito e um referendo. Explico porquê, para mim o plebiscito é uma consulta ao povo antes de uma lei ser constituída, de modo a aprovar ou rejeitar as opções que lhe são propostas, foi o que aconteceu em 1933 com o "Botas". O referendo é uma consulta ao povo após a lei ser constituída, em que o povo ratifica ("sanciona") a lei já aprovada pelo Estado ou a rejeita, o Tratado de Lisboa.
Em 2º lugar efectivamente creio que a história dos referendos em Portugal é tão triste como as das eleições legislativas ou autárquicas , porque em quaisquer destes escrutinios a abstenção é sempre altissima, tal deve-se ao facto de a democracia e a participação civica não estar ainda bem enraizada em Portugal. Votar devia ser um direito-dever, e não, só um direito!!
Em 3º Penso que este Referendo seria tão complicado para os portugueses como costumam ser as legislativas ou as autárquicas. Poucos são os cidadãos que são conhecedores dos programas eleitorais dos partidos que se propõe a eleições legislativas ou autarquicas, muitas vezes inclusive só conhecem o cabeça de lista, pior, mais vezes ainda,votam consoante a cara ou os dotes retóricos televisivos do politico cabeça de lista. Tem sido uma constante nas eleições legislativas, as pessoas votarem contra o anterior governo, Cavaco caiu de "Buzinão", Guterres de Autarquicas, Santa Lopes de desacertos vários, Como Sócrates cairá pelas reformas que mexeram com todos os poderes instalados(boas ou más reformas). Não é por causa disto que se deixa de fazer eleições legislativas ou autarquicas ( a democracia continua a ser o menos mau sistema politico até á data)!!
Então porque razão não sou a favor do referendo?
Sem grandes floreados, simplesmente por razões pragmáticas. Então Portugal gasta milhões de euros enquanto anfitrião dos outros 26 paises em Lisboa, consegue através do seu PM José Socrates o consenso dos 27 e depois arrisca-se a ficar de fora do barco?? Mas isto tinha algum nexo? Haverá alguem de bom senso que consiga imaginar o Portugal de hoje fora da União Europeia?? Valeria a pena correr o risco de não estarmos na linha de partida?
Ainda por cima, ao que consta, o Tratado de lisboa tem uma clausula de exclusão dos paises. No meu modesto entender apanha-se o barco do progresso, se à posterior se vir que o barco pode não chegar a bom porto, sai-se do barco através da lancha rapida e seguimos o nosso caminho.
Aqueles que defendem hoje o referendo, amanhã quando chegarem ao Poder, fazem o referendo para saber se saimos ou não da União Europeia ( eis uma coisa que gostava de ver!!),provavelmente, em vez de de se sair de lancha rapida sai-se de barco a remos...
A oposição agitar a bandeira do referendo para tirar dividendos politicos obscuros, contra os superiores interesses de Portugal, por mero foclore, isso é que não!
P.s. ( de post scriptum, para não haver confusões) A promessa não cumprida de Socrates quanto a esta matéria é igual a tantas outras promessas que fez e foram por àgua abaixo, como de resto é geral nos politicos que temos em Portugal (admito a existência de honrosas excepções, mas não pssam disso, excepção).
Viva o Tratado! Viva a Europa!
perguntas: afinal que promessa é que Sócrates não cumpriu agora?
E antes? Digam-me ao menos 3...
As portagens nas SCUT
criação de 150.000 postos de trabalho, a malta pensava que era a acrescer aos que já havia e não deixando que centenas de milhares de portugueses perdessem emprego para depois se criar 150.000 novos.
Que o tratado europeu era referendado , e chica-espertice semântica dizer que este não é o tratado que ele queria referendar, pq um era uma coisa e este é outra. O intuito de Socrates era referendar o novo tratado europeu, o outro, este, ou ainda um outro qq que viesse a ser aprovado pelos 27.
É doentia a fidelidade dalguns, provávelmente são boys e teem talas muito grandes.
Uf! Desta já nos safemos!
E o povo porque é burro não se deve pronunciar sobre o tratado.
Linda lição de democracia.
São mais do que conhecidos os defeitos da chamada "democracia directa".
Sócrates tem medo do povo.
O referendo é a forma mais pura de democracia. Mas claro para os defensores da ditadura dos partidos, o referendo é sempre difícil de engolir.