A frase do dia de ontem e a nora do Sr. Carlos

“O mundo espera o nascimento do/a filho/a dos príncipes ingleses, o futuro rei ou rainha de Inglaterra” (TVI – Noticiário das 20H00).

Decididamente, os restaurantes querem, apesar da crise, que eu não apareça. A televisão está invariavelmente ligada. Eu abomino a televisão, em geral, e a TVI, em particular, e não há volta a dar-lhe.

A D. Judite dissertou largamente sobre a atraente mulher do neto da rainha de Inglaterra e acerca da sua prenhez. Deduzi que o príncipe fez um filho pelo método artesanal de há milhares de anos. Até eu lho faria, se o meu monoteísmo e a vontade da rapariga não o impedissem, apesar da provecta idade que já levo.

Pensar que o mundo está suspenso do género da cria, da data do nascimento e do nome, sobre o qual se fazem apostas, é um assunto de casino e não uma preocupação global. A D. Judite é excessiva. O único gozo é saber que será líder do anglicanismo sem reclamar a interferência do espírito Santo e do Opus Dei.

Suportei heroicamente a ansiedade que grassava no restaurante enquanto devorei a sopa e me atirei ao naco de picanha. Engoli a bica, enquanto pagava, e evitei que a D. Judite me envenenasse com mais notícias que deixam o mundo parado. Bastam os problemas do país para me desinteressar da frequência, duração e intensidade com que o príncipe logrou emprenhar a deliciosa jovem que a via uterina fez princesa.

Há mais mundo para além da cria que a nora do Sr. Carlos traz no ventre.

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