A inoportunidade de uma moção de censura

Os Verdes e a Moção de Censura que favorece esta espécie de Governo

A apresentação de uma moção de censura ao Governo, nesta altura, com o Governo a lamber as feridas e a vergonha, inquieto com a decisão do PR quanto à remodelação, é, no meu ponto de vista, a boia de salvação de que a coligação precisava. Para já, evita-lhe a incómoda moção de confiança a que moralmente estava obrigada.

A moção, condenada à rejeição, seria útil se servisse para explorar incoerências, pôr a nu as debilidades do Governo e aprofundar as contradições internas, quer no seio do PSD, quer no interior do CDS ou entre os dois partidos. Agora, quando o Governo bateu no fundo, quando o PR se cansou do monstro que aleitou, quando a opinião pública soube o sentido da palavra «irrevogável», torna-se uma arma que só serve para permitir a aparência de coesão e a exibição pública da união feliz a posar para as câmaras da TV.

Não sei se é a genuína oposição ao Governo que move «Os Verdes» ou a indisfarçável vontade de criar dificuldades ao PS, partido com o qual não está garantido um Governo de esquerda mas sem o qual só pode haver um de direita. Às vezes fica-me a dúvida se há uma genuína vontade de derrubar este Governo ou uma vontade maior de destruir o PS por um punhado de votos.

A transformação de «Os Verdes» num satélite do PCP tem mostrado escassa vantagem eleitoral para os comunistas e prejudicado de forma grave a criação e crescimento de um partido ecologista, com autonomia, à semelhança dos noutros países europeus.

Vejo com profundo desgosto a guerra fratricida que grassa na esquerda e impede a saída do atoleiro em que estamos envolvidos.

Aceito que, para muitos, o PS não seja considerado um partido de esquerda, mas não se iludam com a possibilidade de um Governo, com preocupações sociais, com o que fica à esquerda do PS.

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