Cavaco Silva anuncia a sua recandidatura!

Acabou o tabu que nem chegou a nascer!
Cavaco Silva surpreendeu os portugueses para, na parte final do seu discurso de ano novo, anunciar, de forma velada, que é candidato às eleições presidenciais, que terão lugar dentro de 12 meses.
Por isso, foi piscando o olho aos seus fiéis e apelou a entendimentos parlamentares para evitar legislativas antecipadas, facto que dificultaria a sua reeleição.
Entretanto, foi fazendo um retrato negro da situação nacional, ocultando completamente o contexto da maior recessão internacional desde os anos 30 do Século XX, esquecendo os importantes avanços em políticas sociais dos últimos 4 anos e nada dizendo sobre a questão energética, a principal raiz do nosso endividamento externo.
Enfim, mais um discurso panfletário que entusiasmará, talvez, os seus apoiantes e os que compram as suas ilusões, mas que não oferece esperança e energia ao país real.
Comentários
A achega do final do discurso do PR é, de facto, um passo em frente na sua eventual recandidatura.
Quando diz: "No meio de tantas incertezas, os Portugueses podem ter uma certeza: pela minha parte, não desistirei e nunca me afastarei dos meus deveres e dos meus compromissos."
Resta, deste modo, desmontar o clima de incertezas (ou de águas turvas...) por onde Cavaco parece gostar de navegar e, a partir daí, criar, para os portugueses, outras certezas, para além das suas. De facto, as certezas que Cavaco Silva anuncia não são mais do "velhas" incertezas ou já esquecemos o Estatuto dos Açores, as escutas em Belém, o estranho caso do assessor nascido das cinzas, a intromissão na inciativa governamental de propor legislação para os casamentos homossexuais, etc.
Perante as balofas certezas agitadas por Cavaco Silva, o País anseia por novas certezas, i.e., que a Esquerda seja capaz de apresentar ao eleitorado um candidato alternativo, credível e ganhador.
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Pescas, agricultura, indústria, educação, justiça, reformas mentais, modernização dum país naufragado numa história desgraçada, quase todo por fazer... nada disso preocupou o professor. Distribuiu uns cheques a empreiteiros que fizeram estradas, e trocou os prazos europeus por dinheiro fresco.
Agora mistura votos pios com catilinárias e reprimendas ao governo, à espera que ninguém dê conta de que apenas o norteiam objectivos políticos pessoais. Nunca teve outros, o seu partido que o diga.
Pode ser que os portugueses não vão na conversa, sabe-se lá.