Momento de poesia
MEU PAÍSMeu país marginal
sem raiz
de heróis vazios
insofrido ...
Rebanho inerte
obediente
à laçada dos pastores
... vilões ...
Meu país mal amado
vais de paragem em paragem
perdido
rente à sombra
envergonhado ...
Descobriste a Índia
perdeste,
foste ao Brasil
enriqueceste com o ouro
e com o escravo
na África sufocaste
na França a abastança
da maison ambicionada
de telha negra coroada
com mil azulejos aos berros
na aldeia de granito assombrada...
Meu país sem sentido
de revoluções inacabadas
nunca trabalhaste o sonho,
apenas fabricaste o mito ...
Meu país incompleto
deserdado ...
Meu país
à espera do desejado ...
Foste pastor, agricultor,
guerreiro e marinheiro
vadio do mundo, crioulo ...
Foste herói, santo e mártir
e também ladrão, mil vezes roubado ...
Foste poeta, missionário
e também traficante ...
Ganhaste e perdeste na guerra
foste arado, espada e torno
foste cimento de mundos ...
Agora és um pedaço de terra
de gente envergonhada
à procura da verdade
na nostalgia de futuros
e nas contas com o passado ...
Alexandre de Castro - Lisboa, 1998
Comentários
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G. TERLINDEN in J’ai rencontré des vivants. Ouverture au spirituel dans le temps de la maladie.
Será que já estamos todos dementes??