MENSAGEM DE ANO NOVO DO PR
A mensagem que o Presidente da República dirigiu aos portugueses é uma colectânea de lugares comuns que pouco esclareceu o País sobre o estado da Nação, na perspectiva desse órgão de soberania.
Situação como, p. exº., o desemprego têm sido analisadas pelos diversos analistas políticos, partidos e parceiros sociais e a última mensagem do PR nada acrescentou aos diagnósticos já efectuados.
A enfatização sobre eventuais consequências derivadas do endividamento externo do País, para além de não esclarecer as causas, lançou sobre os portugueses o anátema de estarmos a hipotecar o “futuro dos nossos filhos”, de modo irresponsável.
Tal afirmação não pode ser esgrimida de ânimo leve, principalmente quando vem de uma personalidade com formação económica. Na verdade, há exactamente um ano, o défice externo português era 10,5 % do Produto Interno Bruto (PIB). Entretanto, sofremos as consequências de uma crise financeira, em grande medida importada, o que obrigou o País a recorrer ao endividamento externo para fazer face a problemas de solvência do sector financeiro nacional.
Em, 2008, o défice da balança comercial era o grande responsável pelo endividamento português no estrangeiro, já que o saldo entre as vendas e as compras de bens e serviços ao exterior mostrava-se francamente negativo.
Esse endividamento dependia essencialmente do sector privado representando o sector público 3,9% do PIB. Em 2010, estes dados estarão substancialmente alterados sendo aceitável que o esforço do Estado para garantir a estabilidade da área financeira nacional tenha originado a um aumento do endividamento público. Por outro lado, o desabamento do tecido industrial nacional, com sucessivas falências e “deslocalizações, levou, com certeza, a um agravamento do saldo da balança comercial.
O PR tem dados sobre estes factos. O PR saberá, com certeza, que atravessamos – estamos ainda a atravessar – uma crise financeira que teve drásticas repercussões na economia e um terrível rebate social, essencialmente, na área do emprego.
Finalmente, o PR conhece os ciclos económicos que regem a evolução da economia e terá a noção do carácter transitório das actuais dificuldades e dos custos internos (défice orçamental do Estado) e de endividamento externo acrescido decorrente do esforço do Governo em salvaguardar a estrutura financeira nacional e em minorar o seu rebate social.
Por estas razões a sua mensagem não deve endereçar a responsabilidade da situação crítica que atinge a quase totalidade do sector económico nacional ao desleixo dos responsáveis políticos e económicos, nem ao menos empenho dos trabalhadores portugueses.
De facto, a sua mensagem passou por cima da crise mundial como uma “gata em telhado de zinco quente”…
O PR conseguiu representar o malabarismo circense – estamos em época festiva em que os espectáculos de circo pontificam – de ocultar, aos portugueses, qualquer réstia de esperança. Na verdade, o País – em consonância com a UE começou a sair, lentamente, da recessão, o que tendo, ainda, repercussões ténues na retoma económica, não pode deixar de ser um motivo de esperança para o futuro.
Facto que, em meu entender, não devia (nem podia) deixar de ser invocado numa mensagem de Ano Novo do Presidente da República aos portugueses.
A não ser que existam motivações, para os portugueses ainda ocultas, que determinem a necessitar de valorizar ou acentuar um quadro pessimista da actualidade, com vista a colher dividendos futuros.
Foi neste registo que o PR terminou a sua mensagem o que, não sendo surpreendente, é lamentável. Ficamos a saber que todos temos de nos empenhar, de “fazer o que deve ser feito”, “estabelecer com clareza as prioridades”, etc.
Um rosário de boas intenções para os “outros”…
De resto, ficamos a saber - nas entrelinhas da "mensagem" - que, para o PR, uma das prioridades nacionais (e pessoal) será a sua reeleição.
Comentários
Gostei!!É mesmo isso que o teu PS anda a fazer...salvar bancos, banqueiros ...do PS/PSD com a ajuda do Sr.Silva.
Um dia a matança dos porcos chegará...inevitavelmente!