Notas soltas - Dezembro/2009

Fernando Lima – A promoção do ex-assessor da Comunicação Social a assessor da Casa Civil da presidência da República reforçou as suspeitas sobre a autoria da intriga com a insinuação sobre as escutas de que Belém se fingiu alvo.

Assembleia da República – É fácil bloquear um Governo sem maioria absoluta e, além de piorar a gravíssima crise sem precedentes, tenderá a conduzir o eleitorado para a bipolarização, com notório empobrecimento da democracia.

Cavaco Silva – A ausência na homenagem a Melo Antunes, no 10.º aniversário da sua morte, revelou que foi incapaz de ultrapassar a injustiça cometida quando, como primeiro-ministro, o impediu de exercer um alto cargo na UNESCO.

Mahmoud Ahmadinejad – A persistência do presidente ultraconservador no reforço do programa nuclear, a par da violenta repressão interna, é um pesadelo para os iranianos e uma perigosa ameaça para o mundo.

Suíça – O referendo que proibiu os minaretes nas mesquitas constituiu uma tripla decepção: primeiro, não se referendam direitos individuais, protegem-se; depois, houve o voto contra; finalmente, a lei viola grosseiramente os direitos humanos.

Bolívia – A reeleição de Evo Morales, de forma limpa e esmagadora, revela a sua popularidade e a confiança que inspira. Tem uma tarefa difícil e um desafio à altura dos grandes momentos históricos. Esperemos que não se converta noutro Hugo Chávez.

Co-incineração – Finalmente, a decisão do Supremo Tribunal Administrativo (STA), fez prevalecer a sentença do Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra, permitindo a eliminação térmica dos resíduos tóxicos na cimenteira de Souselas.

Berlusconi – A apreciação sobre o comportamento do homem não pode servir de álibi para atenuar o repúdio pela agressão de que foi vítima o primeiro-ministro de Itália. A luta política não se faz com delinquentes nem com agressões físicas.

Adriano Vasco Rodrigues – Em Dezembro, a alusão do honrado colaborador do «Praça Alta» aos campos de concentração na Espanha franquista, foi uma relevante denúncia para preservação da memória e defesa da democracia contra o totalitarismo.

Al-Qaeda – A condenação a penas de oito e meio a catorze anos de cadeia dos 11 terroristas islâmicos que preparavam uma explosão no metro de Barcelona mostrou a eficácia da justiça espanhola e alerta para o perigo do fundamentalismo religioso.

Copenhaga – A cimeira sobre as alterações climáticas não era apenas um desafio para os dirigentes mundiais, era a oportunidade de dilatar as condições de sobrevivência para os habitantes do Planeta. Há quem prefira antecipar o suicídio colectivo.

Bento XVI – A teima na canonização do «Papa de Hitler» – Pio XII – insere-se no desejo de reescrever a história, branquear o passado anti-semita e fazer regressar a Igreja ao concílio de Trento.

EUA – Se outra coisa não fizesse, Obama ficaria na História por ter conseguido integrar no serviço de saúde mais trinta milhões de americanos que não podiam pagar os cuidados mínimos, sabendo do preço elevado que ele próprio pagaria.

Irão – As gigantescas manifestações contra a teocracia autóctone, com o sangue a correr em Teerão, têm revelado tal força e desejo de mudança que podem derrubar a ditadura clerical e abrir caminho a um país moderno, laico e democrático.

Acordo Ortográfico – O horror à mudança é uma característica dos portugueses que encaram o último acordo como se fosse o primeiro. Não vêem que, sem este e outros acordos, a língua portuguesa se tornaria um dialecto do brasileiro.

Código Contributivo – A promulgação do diploma, que suspende a sua entrada em vigor, pode prejudicar os trabalhadores, não sendo previsível que o PCP e o BE se entendam com o PSD e o CDS para o melhorarem. Para já, derrotaram o Governo com a ajuda do PR.

Brasil – O presidente Lula, ao recusar a alteração constitucional que lhe garantia um novo mandato, deu um exemplo de ética republicana que sublinha a sua formação democrática, nobreza de carácter e elevado sentido de Estado.

Reino Unido – Depois do mais longo período dos trabalhistas no poder, e de um excelente governo de Tony Blair, manchado com o crime da invasão do Iraque, é a hora da alternância e de, em Março próximo, Gordon Brown dar o lugar a David Cameron.

China – A execução de um cidadão britânico levantou um coro de indignação na opinião pública contra a pena de morte e veio lembrar que a barbárie ainda se pratica em países cujo progresso económico não acompanhou o humanismo – China e EUA.

Casamento gay – Compreende-se o estratagema do referendo por quem lutou contra os partidos que o defendiam, e perdeu, mas estranha-se que deputados do PS – os ornamentos pios – tenham aceite ser eleitos com um programa que o defendia.

Gripe A – Ainda não terminaram as preocupações com esta pandemia declarada pela OMS (H1N1) e já se anuncia outra (H9N2). Há perguntas que os cidadãos têm o direito de fazer e respostas que a OMS tem obrigação de dar.

A origem das espécies – Cento e cinquenta anos depois da publicação desta obra colossal de Charles Darwin a humanidade passou a ter vergonha de acreditar sem provas e a ciência ocupou progressivamente o lugar da superstição.

Comentários

Vítor Ramalho disse…
A co-incineração vai ser parada. Felizmente nos outros partidos impera o bom senso.
Quanto ao Irão. Longa ida ao seu presidente que se opõe ao imperialismo sionista americano.
Vitor Ramalho:

Há sempre quem defenda os lixos e, ao mesmo tempo, aprecie as ditaduras.

Não é, como sabe, a posição dos colaboradores do Ponte Europa (em relação às ditaduras).
Vítor Ramalho disse…
Lixo é que o governo anda a fazer com a “ditadura” da co-incineração.
As alternativas são muito mais amigas do ambiente. Mas no partido da sucata não conseguem ver isso, porque estão reféns do lobby do cimento.
No que toca ao Irão. É o pais daquela zona do planeta com mais liberdade, infelizmente muitos aceitam como certa a propaganda dos terroristas americanos e da sua policia interplanetária chamada CIA.
Vitor Ramalho:

Veja como a extrema-direita (a sua) e a extrema-esquerda são parecidas.

Só os partidos do lixo -como lhes chama - permitem a liberdade de todos.
Vítor Ramalho disse…
Não sou de esquerda nem de direita e muito menos de extremos. Esquerda e direita são as cabeças da hidra peçonhenta que se chama capitalismo.
Mais uma vez fala de liberdade e depois vem com preconceitos e estereotipos.
Sou sobretudo um homem de causas e não costumo olhar par a cor de quem caminha comigo.
Vítor Ramalho:

Há muito que visita o Ponte Europa e nunca escondeu as suas convicções anti-semitas, xenófobas e homofóbicas. Nem o partido que tem todo o direito de abraçar embora tenha problemas com as autoridades (o Partido, claro).
Vítor Ramalho disse…
O partido a que pertenço tem sofrido de facto perseguições politicas, próprias da ditadura partidocrática.
Nunca manifestei o meu anti semitismo, mas sim o meu anti sionismo. Acho mesmo que é este último que impede o povo judeu de finalmente ter a paz a que tem direito.
Lembro-lhe que Israel era o único país a apoiar o regime racista de apartheid da Africa do Sul, mas claro ao sionismo alguns estão dispostos a perdoar tudo.
Lembro-lhe que Israel era o único país a apoiar o regime racista de apartheid da Africa do Sul, mas claro ao sionismo alguns estão dispostos a perdoar tudo.

RE: Portugal salazarista, também.

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