Interrupção Voluntária da Gravidez
Registo a intolerância dos argumentos, legítimos, é certo, dos adeptos do movimento pró prisão, vertidos nas caixas de comentários do «Ponte Europa».Aos que invocam Deus, apresentam motivações religiosas e chamam bebés aos fetos, deixo duas perguntas:
1 – Por que motivo a Igreja não baptiza os fetos abortados?
2 – Qual a razão para lhes negar a extrema-unção?
Comentários
Esquecem-se estes inteligentes que, na situação actual, os seus e meus impostos pagam uma factura muito maior pelas emergências clínicas que vão parar aos hospitais, em resultado de abortos de vão de escada.
Esquecem-se de que, em termos estritamente financeiros, para não falar nos sociais e humanos, a IVG em meio clínico apropriado resulta mais BARATA do que o absurdo actual.
De resto, da banda da igreja católica, tem aparecido argumentos tão ultramontanos que são de estarrecer.
A minha esposa perdeu um bábé ás 24 semanas de gestação e estou grato por nessa altura não ter ainda feito a escolha do seu nome ou sequer conhecido ainda o seu sexo.
Estou grato também por a Igreja Católica não exigir as formalidades que indicou, ou mesmo a realização de um enterro.
Estou grato porque comprendo agora que estas questões aparentemente tão simples atenuaram enormemente a dor.
Mas existe nesta gratidão uma ponta de egoismo da qual me envergonho, percebe o que quero dizer?!
Não seja a mulher egoista ao ponto de poder livremente decidir pelo desenvolvimemto ou não o feto, sem respeito pelo mesmo, pelo pai e pela restante familia.
Estas coisas não são a preto e branco. Magoam sempre, sejam quais forem as circunstâncias.
É apenas, perante o desejo de vingança contra as mulheres, pela prisão que querem manter, que me faz optar pelo SIM.
Mas a IVG, ou não voluntária, é sempre uma dor e uma tristeza.
Apenas não quero que ao sofrimento se acrescente a prisão.
Só sei é que Portugal vai continuar alegremente hipócritazinho e "defensor da vida".
Isto só lá vai com uma intervenção Estatal ou da União Europeia, mesmo.
Diogo.
SÓ, e sem mais nada de "argumentações éticas" ($$$)...
Diogo.
Não sabia que os países que têm o aborto legalizado são os que menos apostam no planeamento familiar e em educação e bom senso (Nórdicos, para começar).
Diogo.
Para mim planeamento sexual e educação sexual são conceitos distintos. Em relação ao suposto "alheamento" da pessoas do NÃO fora da altura de campanha estas rotundamento enganado. É que enquanto provavelmente tu andas a gritar "sim ao aborto", há pessoas que criaram variadas organizações de apoio a mães adolescentes, de apoio e aconselhamento a pessoas que querem(muitas vezes quase moralmente obrigadas)fazer abortos,para dar dois exemplos.é preciso não esquecer que o que aqui está em questão é a banalização do aborto, pois este já pode ser efectuado em várias e legítimas situações. O que não pode é ser um capricho..
Escusado será dizer que sou, como penso que é qualquer pessoa, contra criminalização do aborto. A verdade é que esta é, na realidade, uma falsa questão. quantas mulheres foram criminalizadas este ano? Para quem disparata que se fazem abortos às centenas de milhar ao ano...
P.S.:deixem lá os suecos em paz que eles não nos fizeram mal nenhum. úvido mesmo que se lembrem muita vez de nós...
Antes fosse. Mas só olhamos para a Europa quando nos dá jeito. Não quero comparar (com defeitos e virtudes) o norte com o sul, ainda muito ligado ao catolicismo medíocre e a um humanismo falso.
"Estou convencido que a malta lá de cima só deixou de ser bárbara quando se passou a preocupar mais consigo própria e menos com os outros. Mas está bem... "
E fazem eles bem. No entanto, acho que se preocupam muito mais com a comunidade (o seu sentido), do que alguma vez a mentalidade latina se vai preocupar.
"Em relação ao suposto "alheamento" da pessoas do NÃO fora da altura de campanha estas rotundamento enganado. É que enquanto provavelmente tu andas a gritar "sim ao aborto", há pessoas que criaram variadas organizações de apoio a mães adolescentes, de apoio e aconselhamento a pessoas que querem(muitas vezes quase moralmente obrigadas)fazer abortos,para dar dois exemplos."
Acho muito bem que existam essas organizações, e deve lá ir quem quer ter um filho, e não quem não quer, e tem de ser mentalizado que TEM de o ter.
Não vale a pena ficar-se a discutir a existência ou não de organizações, isto porque a mim basta-me ver a miséria social dos países "defensores da vida" e dos que apoiam a "morte de inocentes".
"é preciso não esquecer que o que aqui está em questão é a banalização do aborto, pois este já pode ser efectuado em várias e legítimas situações. O que não pode é ser um capricho.. "
Pode ser efectuado no papel. Aliás, em termos sociais estamos muito bem, a começar pelas Casas Pias em que ficam as crianças deitadas fora, por pais que não querem cuidar deles, ou de mulheres que morrem ou ficam com lacunas graves, por fazerem abortos em vão de escada.
Chama "capricho", eu chamo-lhe uma mulher/casal, por uma razão a nós alheia, poder decidir sobre si. Não sabemos a vida das pessoas, e não temos o direito de apontar o dedo e fazer juízos de valor.
"Escusado será dizer que sou, como penso que é qualquer pessoa, contra criminalização do aborto. A verdade é que esta é, na realidade, uma falsa questão. quantas mulheres foram criminalizadas este ano? Para quem disparata que se fazem abortos às centenas de milhar ao ano..."
Nem toda a gente é contra a criminalização, e acho que esta é uma das realidades do referendo.
Em relação ao número de mulheres criminalizadas, não interessa; nem uma deveria, pelo menos não com o meu dinheiro. Pagarem a polícias para irem às casas das pessoas, verem se abortaram ou não? É disto que trata o referendo. No coments... Ricas sociedades moralistas.
"P.S.:deixem lá os suecos em paz que eles não nos fizeram mal nenhum. úvido mesmo que se lembrem muita vez de nós... "
E fazem eles bem, pelo andar da carruagem ;) (que não é de agora)
Diogo.
Por outro lado,e já que gosta de dar exemplos de outros paises aconselho-o a dar uma vista de olhos aos variados índices de "evolução" da Irlanda.
Também queria dizer que não tomo as crianças da Casa Pia como crianças de segunda, que segundo o Diogo foram "deitadas fora..."
Santa arrogância..Para si, Diogo, 80% da população deste planeta era para abater. Mais triste que a pobreza é a ingorância e a falta de bom-senso. Não há euromilhôes que as salvem...
Não deturpemos as coisas, caro anónimo. Sabe que pode haver inúmeras razões para uma mãe, durante a gravidez (e até àquele número de semanas, que eu concordo), ter que tomar a opção do aborto.
Eu volto a frisar aquilo que disse: nós não sabemos a vida das pessoas, a sua história, nem nada para apontar o dedo e fazer juízos de valor. Mas quem somos nós, sem saber de nada, para dizer a uma pessoa que ela tem que ter um filho? Não se está a matar crianças, simplesmente porque ainda não o são. São um conjunto de células, é um embrião. Um ser que poderá vir a ser uma criança, mas que não o é.
"É contra esta banalização, esta tentativa de fazer do aborto um capricho, que eu sou."
Isso porque considera que, uma vez tendo o aborto legalizado, nunca mais irão nascer crianças, da mesma forma que com a legalização do divórcio, esse pensamento subjacente, diria que nunca mais ninguém se iria casar.
Isso é não confiar nas pessoas, e tê-las como irracionais e desumanas. No entanto defende que serão essas pessoas, que deverão ter os filhos (crianças que não têm culpa de nada).
"Por outro lado,e já que gosta de dar exemplos de outros paises aconselho-o a dar uma vista de olhos aos variados índices de "evolução" da Irlanda."
Pode olhar como quiser para a Irlanda, mas abstenho-me de falar em termos sociais, ainda mais se tiver em conta outros países a si circundantes e esta mesma questão.
"Também queria dizer que não tomo as crianças da Casa Pia como crianças de segunda"
Adjectivo seu. O que eu falo é na instituição, não nas crianças.
"que segundo o Diogo foram "deitadas fora..."
A Casa Pia não serve só para acolher filhos de pais que não têm possibilidades, mas muitos que não os querem.
"Santa arrogância..Para si, Diogo, 80% da população deste planeta era para abater. Mais triste que a pobreza é a ingorância e a falta de bom-senso. Não há euromilhôes que as salvem..."
Por ser a favor da despenalização do aborto até às 10 semanas, sou alguém que quer matar a maioria da população mundial? lol
Se não for por mais nada, sinceramente, basta-me ver as caras que são contra o aborto na televisão, para me dizer tudo.
Uma hipocrisia fabulosa.
Diogo.
A defensora do não, não quer ver o aborto liberalizada e contudo nada faz para o combater. Pensa que se na lei este for ilegal pode alegremente enterrar a cabeça na areia e fingir que o problema não existe, que compete ao Estado aplicar a lei.
A defensora do sim, é tão hipócrita como a anterior, pois é certo que vê o problema, mas nada faz para o resolver. Defende a legalização, mas uma vez esta na lei enterrará a sua cabeça esperando que a sua colega ou o Estado façam algo.
Na verdade, nenhum dos lados tem como objectivo a erradicação de abortos em Portugal, o único objectivo que têm e ver na lei consagrado a limpeza das suas consciências, as do não o pecado de abortar, as do sim o pecado de prender mulheres.
Uma vez limpa a consciência irão fazer o que as avestruzes melhor fazem: enterrar a cabeça na na areia.
Enfim...
O que se continua a fugir é ao problema social que a proibição do aborto (salvo as tais duvidosas excepções) causa.
E aí, as caras que vejo serem moralmente defensoras da vida, são aquelas que nada me dizem em termos de respeito pela vida humana, e cujos espectros ideológicos são tradicionalmente os que menos liberdades e legislação social querem ter num país.
Não acho que os abortos alguma vez sejam erradicados, mas uma verdadeira Educação e um sentido de responsabilidade maior, farão alguma diferença. Não descarto a liberdade de escolha, apesar de tudo, da mulher/casal naquele número de semanas, pelas razões já evocadas.
Em relação á limpeza de consciências, de facto Portugal sempre quis fingir que os problemas não existem, e esconder a cabeça na areia. Isso acontece em tudo, especialmente nos seus grandes empreendimentos, para mostrar e esconder, ao mesmo tempo, algo.
Diogo.
... aliás a Suécia tem um programa de mortes 0 na estrada, ora o objectivo não é atíngivel mas enquanto houver um morto/um aborto tem de se lutar por o eliminar.
Diogo.
Pensas o mesmo em relação aos homicídios e aos assaltos à mão armada?
O que é preciso é uma verdadeira aposta na Educação. Quanto ao eu achar que está errado ou não, eu não dei a minha opinião, nem tenho que dar. Deixo isso ao critério de cada um.
"...Essa é a base da anarquia..."
Pois é. Na teoria, se as pessoas tivessem sempre bom senso, e soubessem respeitar os outros, não eram precisas proibições/leis/constituições. Aliás, o Reino Unido não tem uma constituição como nós temos. Não tem tudo escrito e previsto em lei, isto porque não é preciso. Nos EUA, o Presidente não tem limite de mandatos, mas sabe que só se candidata até dois.
"Pensas o mesmo em relação aos homicídios e aos assaltos à mão armada?"
Isso são crimes.
Diogo.