Referendo sobre a IVG (4)

Ponte Europa/Pitecos-Zédalmeida

Comentários

Anónimo disse…
A tónica economicista introduzida pelo Mr. António Borges, na questão da despenalização da IGV, em representação do movimento pelo "Não" é, simplesmente, escandalosa.
Mostra um tacanho espírito contabilista, onde, por exº, os custos sociais e humanos são ignorados. O neo-liberalismo, puro e duro, a invadir todos os quadrantes da sociedade...
Anónimo disse…
O Senhor e-pá devia-se lembrar que o que cura as pessoas custa dinheiro e que este (buaaaa) é limitado. Pelo menos em Portugal, em Cuba talvez não. Se quiser apresenta uma alternativa qualquer e começa a pagar a medicos, enfermeiros;a comprar material e a construir infraestruturas, em viveres. Por exemplo, em bananas ou em laranjas. Já agora, não acha que os recursos que temos devem ser direccionados para quem apresenta doenças que não escolheu? O Dr. antónio borges não vive na "sociedade dos sonhos" (Cuba ou Albânia), antes vive com os pés bem assentes na realidade. Enfim...
Anónimo disse…
"Já agora, não acha que os recursos que temos devem ser direccionados para quem apresenta doenças que não escolheu?"

Gostei! Uma gravidez indesejada ou acidental é exactamente isso!
A jocosidade, sobre a Albania e Cuba está, no mínimo, démodé.
Anónimo disse…
e-pá:

Para alguns beatos, a SIDA é um castigo de Deus. Fossem castos!

Por isso não devem ser tratados com o dinheiro dos impostos.

Ouvir António Borges, o ultra do liberalismo, é sentir arrepios de uma sociedade feita à medida do seu pensamento.

Com um D. Sebastião desses ninguém dormiria descansado.
Anónimo disse…
Uma gravidez indesejada é uma doença. A única resposta que lhe posso dar é mandar o senhor estudar.
A teoria do beato e da SIDA é nova para mim e como parece ser engraçada peço ao Senhor Esperança que me faça o favor de a expor. Palavra de honra que estou curioso!
Vergonha tenho eu de algum dia viver numa sociedade onde se fecham maternidades, onde há pessoas que não cumprem as regulamentações terapêuticas por falta de dinheiro,..., e onde, triste sina, o estado pensa gastar 30 milhões de euros em abortos.
Anónimo disse…
Anónimo Ter Jan 09, 09:02:11 PM

"Uma gravidez indesejada é uma doença. A única resposta que lhe posso dar é mandar o senhor estudar."

Devemos ser honestos nas preposições. Nenhuma gravidez é uma doença. Pode é decorrer com
complicações(ectópica, mola, etc.) O seu acrescento de "indesejada" é das duas uma:
redundante
ou, pretende servir objectivos que oculta.
À sua escolha.

Já agora gostaria de saber qual a posição relativamente a:

- o Estado deve custear as intervenções cirurgicas e/ou tratamentos farmacológicos a FUMADORES?
- o Estado deve suportar a assistência cardiológica aos cidadãos OBESOS?
- O Estado deve assumir o tratamento de cidadãos ALCOÓLICOS?
- O estado deve cuidar de TOXICODEPENDENTES?

E por aí adiante...
Os cuidados selectivos e condicionados são um embróglio social e assistencial.

Já pensou nos custos diferidos resultantes de uma IVG feita num vão de escada?

A questão levantada à volta dos custos das IVG's esvazia todo o sentido do referendo, isto é, no caso do SIM ganhar, as portuguesas de fracos recursos económicos (não são assim tão poucas) ficariam de fora. Continuariam a fazê-lo em pardieiros - só não seriam julgadas...
Anónimo disse…
As questões que coloca são pertinentes. Deve é perceber que o fumador ou o alocoólico não são doentes, podem sim vir a desenvolver uma doença com maior probabilidade. Alias, quase todas as doenças que podemos vir a contrair têm factores predisponentes e pricipitantes.

Por outro lado, é obvio que em caso de vitória do SIM o Estado terá de tomar a responsabilidade de viabilizar os abortos que se vierem a fazer.
Já pensou se os custos de abortos de "vão de escada" realizados no último ano excederá os 20 ou 30 milhões de euros de que se fala? Será isto legítimo quando se assume como necessários cortes no nosso sector público?
No entanto não é isso que está em questão, pois ao abrigo da lei actual já se realizam abortos em hospitais ´públicos. Espero mesmo que esta situação persista, desde que tenha como base as causas já consagradas. No fundo, não concordo que a realização de um aborto seja um capricho...
Em relação à criminalização do aborto gostava que me elucidasse em relação a dois pontos: quantos abortos dizem que se realizam clandestinamente em Portugal? Quantas mulheres foram julgadas e condenadas como criminosas? Parece-me uma falsa questão.
Anónimo disse…
Quantas mulheres foram julgadas e condenadas como criminosas? Parece-me uma falsa questão.

Anónimo:

Ou foram julgadas mulheres ( e condenadas) e a lei é injusta,

ou não foram,

e a lei é inútil. Pior, uma lei que não se cumpre é um exemplo deplorável.
Anónimo disse…
" Deve é perceber que o fumador ou o alocoólico não são doentes"...

Como sabe, esta asserção, está depende do conceito de saúde.
Para mim, são doentes. Queria mesmo que continuassem a ser encarados como doentes e não como clientes.
Anónimo disse…
Quando muito estariam dependentes do conceito de doença e não de saúde, que não sei o que é. Mas como deve imaginar, esse é um conceito em que a sua opinião pouco conta pois há definição de doença elaborada por quem de direito. Mais uma vez aconselho-o a ir estudar. Um fumador tem maior probabilidade de vir a desenvlver determinado grupo de doenças, mas não é doente ate as contrair.Alias, pode fumar a vida toda e nunca vir a contrair doença alguma...
Acontece, por outro lado, que o que está em questão neste referendo não é a discriminalização do aborto mas sim a sua total liberalização até x semanas. Claro que concordo consigo quando afirma que uma lei que não é aplicavel é obsoleta, mas essa é outra questão.
Anónimo disse…
Anónimo Qua Jan 10, 01:08:19 PM

O que nos separa é a sua tentação para englobar determinadas situações em doenças quando, em minha opinião, o que seria importante era enquadrá-las no conceito de SAÚDE.
Como sabe (fala tanto em estudar), saúde não é a ausência de doença.
Ou, como diria Alexis Carrel, não há doenças, há doentes.
Anónimo disse…
"Para mim, são doentes. Queria mesmo que continuassem a ser encarados como doentes..."

"O que nos separa é a sua tentação para englobar determinadas situações em doenças quando, em minha opinião, o que seria importante era enquadrá-las no conceito de SAÚDE."

Não estivessem os dois comentários assinados por si, Senhor E-pá, e eu diria que estávamos na presença de um impostor. Passo a explicar:
Quem enquadrou fumadores, obesos e alcoólicos no conceito de doença não fui eu, foi o Senhor.

Por outro lado, não sei se,ou não estudou, ou estudou mal. "saúde não é ausência de doença"?! Está enganado porque está fora do contexto. Saúde é o oposto de doença, o que acontece, e essa frase confirma-o, é que subjacente a uma doença,vá lá, orgânica, está sempre um processo mental que corresponde à maneira como cada um reaje à doença. Acontece que este processo, que difere de pessoa para pessoa, é por isso variavel mas não deixa de ser patológico. Fala-se assim de sintomatologia psicossomática. Por isso se diz "que não há doença mas sim doentes", e bem.

Acontece que nada disto vinha à discussão e por isso eu volto a perguntar: concorda em viver numa sociedade que não pode facultar em maior escala recursos de cura, ou paliativos, a pessoas doentes, e se propõe a financiar, com despesas de várioa milhões de contos, os custos de abortos?
Não responda por favor que devia financiar tudo, senão qualquer dia estamos a "pagar" os nossos alimentos em senhas!

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